Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

10
Jul11

UMA MULHER NAS PÉTALAS DO POEMA...

samueldabo

 

 

{#emotions_dlg.bouquete}

«««//»»»

 

 

 

lembro palavras apaixonadas

as noites festivas

os odores que me transmitias

lembro madrugadas

de emoções arrepiantes lascivas

que me percorrias



fixo nos teus olhos a doce magia

eu de ti inebriado

no sorriso lindo a sensualidade

pétala de flor fantasia

dentro de onde me senti amado

fixo o teu corpo saudade



lembro a nossa ardente correria

os gemidos de prazer

as palavras partilhadas obscenas

deleite de amor e poesia

tocar-te o corpo o teu sexo a arder

a voz nos telefonemas



guardo as fotos tiradas em Paris

para mim de ti disseste

sorrindo com paixão de menina

o peluxe os gestos subtis

com que me mimavas e perdeste

doce tão tanto feminina



lembro quão maravilhoso o idílio

enquanto na penumbra

ausentes do silêncio tumultuoso

homem e mulher exilio

dormiam à nossa espera rubra

era a solidão do gozo



quando enfim chegaste à cidade

verde mar que nos unia

tive ciumes por ti deslumbrante

temias ver-me nesse dia

mas senti que era já tarde

como se não fosse trair ser amante



lembro foste pérfida de ordinária

fui talvez apenas o objecto

dum devaneio desvario depressivo

e acusei a carga horária

em que mergulhamos de amor concreto

sem estranhar o teu motivo







autor:jrg









15
Jan10

O A M O R

samueldabo

quem o amor sente apenas uma queca

e que de queca em queca procura o seu amor

encontra em cada pausa a alma seca

e o corpo elanguescido mergulhado no torpor

 

amor é sentir o outro em nós

é sentirmo-nos a nós dentro do outro

é acatar da natureza que não estamos sós

é partilhar cada momento de encontro 

 

amor não se esgota na efémera paixão

nem se acha na procura incontinente

é um clic biocósmico que entra no coração

e que não se apaga mais da nossa mente

 

amar alguém que não nos sente é uma tragédia

atormenta a alma torna o corpo depressivo

é amar a solidão que paira erradia

à espreita de entrar no ser de amor obsessivo

 

amor e sexo não é um no outro a condição

pode amar-se alguém e ter no gozo doutro o sexo

o sexo é uma ânsia do corpo num momento de tesão

o amor é na ânsia da alma persistente e reflexo

 

o corpo é de sua natureza dado à infidelidade

o amor é sentimento que na alma se solidifica

como flor que germina livre buscando a fertilidade

ou como o homem que sabe que tudo nele se modifica

 

eu quero cuidar de ser na alma amante 

de amigo amiga por cada momento em mim achado

amo loucamente o sentido aglutinante

num ser numa palavra a floresta a serra o mar encapelado

 

autor: JRG

22
Abr09

MEMÓRIAS DO TEMPO DE GUERRA - A RECTAGUARDA

samueldabo

 

 

 

 

 

 

Alexandra...o cabelo negro, forte e curto, os olhos grandes, verdes avelãs, cara oval, lábios carnudos, expressivos de sensualidade, o corpo em harmonia com a alma pura de menina apaixonada. As maminhas redondas, nem grandes nem pequenas, suficientes, botões de rosas perfumadas, como ele dizia. Sorria, os dentes alvos, certinhos, caprichosos nos arrufos, dentadinhas nas orelhas, no sexo dele quando nas noites de namoro na escuridão da rua, sentados no patamar da porta, se deleitavam de amor, excitantes de paixão de amor.

Manuel António era para ela toda a realidade de um sonho belo que a acompanhava desde a puberdade, de quando os sonhos tinham um toque de fadas míticas. Amava-o de uma forma estranha, como não amara ninguém, de dentro, de um de dentro de si que desconhecia até ele surgir na sua vida, como se fora impossível ter sido de outra forma.

É verdade que, por mais de uma vez, ardendo de um desejo voraz que ele provocava quando a acariciava nos mamilos, a vulva, os beijos aglutinadores de posse, de entrega do todo, do desconhecido adivinhado, sugerido pelas emoções que atravessavam, exaltantes, o seu sentir de mulher.

Era virgem porque era comum na época casar virgem, ser de um homem só, e ela acreditava na monogamia. Via-se de vestido branco, a grinalda sobre a cabeça, o ramo de laranjeira, a noite de núpcias com o sangue derramado sobre os lençóis.

Agora pensava que bem podia ter satisfeito os desejos de ambos, que se achava convencida pelos argumentos dele, que uma nova era estava prestes a irromper das mentalidades adormecidas por séculos de ostracismo da verdadeira dimensão do ser mulher. Sim, sentia que se operavam mudanças. Agitação em França, igualdade, fraternidade, amor livre, a libertação da mulher do jugo do homem e do lar.  A atenção que lhe davam os amigos de Manuel António, como uma igual, as amigas que ele lhe apresentara, desinibidas, libertas de  preconceitos religiosos ou de família. Por outro lado, tinha medo de engravidar, ter um filho do seu amor e ele longe, na guerra que ambos detestavam, mas que ela tinha esperança de o ter de volta. A esperança não é uma certeza, tudo pode acontecer, sabia que ambos sofriam, mas  decidiram que seria quando ele voltasse.

_Senhor Joaquim!...

Era o carteiro, um sorriso malandro, os olhos inquietos na procura do interior da mala postal.

Recebia quase sempre muitas cartas e volumosas. Manuel António escrevia todos os dias e às vezes mais de uma vez no mesmo dia. Contava pormenores da vida dos locais, falava da natureza, dos rios ou paisagens que se pareciam com as da terra, os animais e os sons misteriosos, da magia dos olhos negros das crianças, dos aromas, que a queria lá nas férias, estava a estudar uma possibilidade, uma semana que fosse.

Alexandra até gostava de estar com ele. Sentia que se tal acontecesse não resistiria aos apelos insistentes do corpo, o cheiro a mar do corpo de Manuel António, como o amava e como se sentia amada!... Mas  África não a seduzia, tinha medo, era um sentimento de abstracção absoluto. Tinha uma paranóia por Asiáticos e África.

Estávamos em Fevereiro, a noite escura, quente e soprava uma brisa forte dos lados de África, curioso, de onde soprava a brisa.

De repente, um rumor misterioso, como se falas pavorosas advindas do interior da terra se fizessem ouvir, rompendo silêncios ancestrais, as paredes da casa estremeceram, o candeeiro de petróleo sobre a mesa da sala oscilou, breves segundos, os gatos numa correria inquietante, o latir do cães, e vozes de pessoas assustadas que gritavam salmos e ave Marias. Clamavam a Deus por misericórdia. Alexandra e a família saíram para a rua. Estava apavorada e pensou que o terramoto seria pacífico. As casas tinham aguentado, talvez devido ao terreno ser de aluvião. Fazia calor e era madrugada...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

...

13
Abr09

MEMÓRIAS DO TEMPO DE GUERRA - SEXO E PERCEVEJOS

samueldabo

Dolorosa era a noite no silêncio da caserna repleta de cheiros e de mosquitos, acordara sob um pesadelo em que se via a ser comido por bichos e insectos em euforia de carne fresca, suculenta. Sentiu mesmo o deslizar de patas sobre o corpo e instintivamente defendeu-se com palmadas ás cegas, por onde os sentia. No escuro levou a mão ao nariz e deu um salto da cama, cheirava a morte...

Acendeu um isqueiro e viu as patas em movimentos loucos no lençol de pano cru, eram percevejos. Que merda!!!...

Despertou, já não havia sono que o deitasse na tarimba infesta. Pensou em Alexandra e embrenhou-se no sono dela, à procura de ser sonho, de algum modo estar nela, ser ela.

Foi ás latrinas em frente da caserna, o cheiro a creolina já não o incomodava tanto e ao pensar em Alexandra, nos aromas que trazia na memória, aromas do sexo, da pele macia, da boca fresca e quente,  ia-se masturbando deleitosamente, como se fora ela a sua mão fechada sobre o sexo dele.  Manuel António...os movimentos da mão, as contracções do corpo, a mente contraída num desejo de voar, que contornasse a mentira que era estar ali.

O aperto final, o jacto de esperma se soltava enérgico, como se fora um seu filho que ele abortava de uma forma inglória,  numa cópula sem fêmea, sem troca de afectos, para ele só na sua solidão por um momento.

Permaneceu na latrina mais alguns minutos, o corpo dormente mas liberto de novas energias, o esperma nas mãos, elástico, cheiroso de si, podia ser um seu filho....

Voltou para a entrada da caserna, havia alguns que ressonavam, outros falavam alto, ou murmúrios das almas despertas, algures alguém se masturbava, sentia pelo arfar entrecortado da emoção do desejo.

Acedeu um cigarro e sentou-se no patamar da entrada. À noite havia uma aragem mais fresca ainda que densa e tensa. A Magia da noite e em África, onde tudo era mistério, desde os olhos luzidios e doces das crianças. Apenas o motor do gerador, agora gritante, numa evidência de estar ali, de ser um estorvo ao livre desenrolar dos seus pensamentos.

O Francês, chamavam-lhe assim porque estava emigrado em França, viera voluntariamente para não ser considerado desertor, também ele incomodado pelos percevejos, ensonado, discreto, aprendera em França que esta guerra era suja, uma mentira da história.

Ambos a percorrer memórias recentes e mais antigas de antes deles, de outras guerras, a imaginar em que condições viviam os combatentes, as grandes caminhadas, a alimentação frugal, alistados à força como eles próprios, seduzidos pelo saque numa eventual vitória, condenados à morte quando perdiam...abandonados se feridos com gravidade.

Que merda, esta e qualquer outra guerra.

De manhã, logo após o toque de alvorada, o sol nascente ainda morno, mavioso de cor e luz sobre os telhados de colmo da tabanca, a mata luxuriante em fundo, tirou o colchão e colocou-o ao sol encostado à parede da camarata. Afinal, era uma infestação total, os colchões regados com creolina, uma limpeza mais acentuada na caserna.

Faltava uma semana para ir à cidade tratar dos dentes. Voltar a ver um pouco do mundo de onde viera...

 

23
Fev09

DESAFIO - POSSIVEL DEFINIÇÃO DO AMOR - DESAFIO

samueldabo

 Da minha amiga TiBéu, do blog :     

    o convite para dissertar sobre o amor, aqui vos deixo a minha reflexão:

 

 

O amor é uma palavra que procura definir conceitos de elos de ligação afectuosa entre as pessoas, na generalidade, para definir a união de duas pessoas entre si, para consubstanciar numa só palavra, todos os efeitos atractivos que dois seres sentem de um outro para si. Diz-se fazer amor, de um acto sexual. Diz-se amo-te, para demonstrar que queremos aquela pessoa para um projecto de vida a dois. Amar de sensualidade.

 

 

 

 

Esta é uma imagem de amor, onde os afectos são uma evidência que refulgem na memória de momentos vividos. E não só doces momentos, também amargos, ás vezes violentos, porque o amor é uma manifestação também de bom senso, que se não afoga, nem consome na paixão inicial, quando é ainda uma novidade  que nos percorre o corpo, nos faz estremecer ao menor contacto, à presença do ser amado.

Amar a sensualidade de outro ser, é sentir que duas vontades estão em condições de encetar um projecto, onde a sexualidade é uma parte importante, mas que não se esgota, nem alimenta na sexualidade.

Amar uma pessoa, gostar de ter sexo com essa pessoa, é sinónimo de estar preparado para iniciar um projecto de vida, ter filhos, até à eternidade. Associamos, comummente, o amor a sexo, "amas-me, prova-me com sexo", mas o fazer sexo é um acto biológico, uma necessidade do corpo, de libertação de fluidos, energias, pode-se amar uma pessoa, viver com ela uma vida inteira e ter tido sexo ocasionalmente, porque o ser é assim mesmo, o desejo, o cio, não tem hora, não pode ser controlado, asfixiado em nome dum sentimento que lhe é alheio, que é uma confusão ou imposição da ética.

O amor é também e essencialmente o cheiro, os aromas do corpo e do sexo, os aromas que fluem do interior do corpo, que são mutantes com a idade e que só amando se consegue entender e acompanhar, porque os nossos próprios aromas também mudam, não só os do outro.

Amor é talvez um sinal cósmico que como um raio ziguezagueante penetra duas almas, os genes do amor e os faz reflectirem-se um no outro, inapelávelmente.

 

 

04
Jan09

SEDUÇÃO PRÉ-NUPCIAL

samueldabo

"Na cama que fizeres te deitarás", era  assim, a mãe autoritária, céptica, a dizer como um ferrete, uma maldição, um aviso que percorria o corpo, a mente e inibia na hora de sentir, de desejar,o deleite das aventuras sexuais antes do casamento, se queria ir de branco, o ramo de laranjeira,as grinaldas, o festim da igreja engalanada e a marcha nupcial. E sobretudo, não ser falada pelo outros, andar nas bocas do povo.

Eram colegas no escritório e ela ia casar daí a dias. Uma mulher na casa dos 28, já no limite da idade casadoira, limite a partir do qual uma mulher poderia ficar solteirona. Morena, estatura média,um rosto assimétrico,de onde sobressaiam uns olhos grandes, luminosos, denotando ansiedade, malicia sedutora e os dentes que não se usava corrigir, salientes sob os lábios carnudos, viçosos e virgens de beijos fogosos, à cinema, porque o namorado era púdico, de educação seráfica e achava que a posse total seria só dpois de oficializado o acto público da consagração.

Ele, o colega de anos de convivio, de trocas de piropos gentis, 18 anos, um jovem saído da puberdade, um imberbe que não atingira ainda a idade da razão, da emancipação oficial, uns olhos lindos, castanhos, leais, quase diria inocentes,um corpo a cheirar a homem, os lábios virgens de beijos, desimpedido de namoros, que não namorara até então, que se sentia preterido pelas raparigas em detrimento de outros mais afoitos, ou mais experimentados.

Há muito que se sentiam cumplices de toques provocados no decorrer do serviço em que se entrosavam as caracteristicas de cada um. Ela dactilógrafa, ele arquivista. Ela em pé debruçada sobre ele, por detrás dele, sentado, as mamas roçando os ombros dele, duras,estremecentes de sentires estranhos, fogosos, a levantar sonhos de noites atormentadas pelo desejo. Ele tenso, a absorver todo o fogo bom, inebriente que sentia, do corpo dela que não sendo o seu tipo de mulher inventado na solidão em que se questionava de ser possivel amar, um amor sublime de paixão, uma mulher inteligente, bela, linda que fizesse brilhar a tristeza em que se  sentia mergulhado.

Ela, sentindo que ele tremia, que soltava energias, que não se manifestava, confiante na sua discrição, aventurando-e, esfregando-se, movia-se em volta, dava indicações,a saia rodada vermelho de fundo sob flores coloridas, o sexo dela sobre o braço em posição de cunha, e ele a sentir como que um vale, uma depressão que não conhecia,uma sensação absolutamente nova que não experimentaria de sua iniciativa por vergonha, timididez congénita. Finda a explicação, teria ela tido um orgasmo? ele sentia-se húmido, o sexo que ele conhecia bem de se masturbar no silêncio das casas de banho,demasiado grande para que não se notasse, saliente sob as calças, dorido, escondido. Ela dava uma volta sobre si mesma , repentina e iá-se, corada, os olhos mais brilhantes ainda, a voz trémula que dizia,.

_Pronto, meu lindo, se tiveres dúvidas,pergunta-me...

Ele seguia-a com os olhos doces, a aspirar e a reter o cheiro bom que vinha dela, um cheiro extasiante, de onde? dela, mas de que parte dela?...Intenso...

E lembrava-se dos cheiros parecidos, todos diferentes, mas parecidos, quando subia os degraus do eléctrico, ele atrás, a  mulher de saias curtas, jovem, abrindo as pernas para subir, não de todas as mulheres, mas de uma ou outra, num momento...O cheiro a sexo.

E era esse cheiro intenso, quente, adocicado, apelativo de desejos de se consubstanciar nela mulher, ou só no sexo, como uma entidade autónoma do corpo, apenas o sexo e os seus odores.

Ele aproveitara o espaço grande da hora do almoço para se isolar na casa da repografia, onde só ele era costume entrar,  prmanecer, embora as colegas o visitassem quando tinham uma urgência de reprodução de cópias a stencil, ou por um trabalho que demorava.Era uma hora boa para se masturbar, a porta fechada por dentro ,porque era um dia em que quase se sentia enlouquecer, parecia quetodas as colegas mais novas tinham uma luz estranha nos olhos e o  olhavam gulosas, falando alto no silêncio do olhar, as saias rodadas que expandiam odores, os odores fatidicos que o exaltavam, que se perdiam no seu interior labirintico.

E ela veio,os olhos muito salientes, de fora das órbitras,os dentes brancos saídos dos lábios num sorriso de malicia, o vestido de tons verdes, flores brancas e amarelas sobre o verde mar, as mamas empinadas, sob o espartilho do sutiã. Entrou, fechou a porta e colocou-se na frente dele, a oferecer-se e ele quieto perante o absurdo da situação, absurdo para si  que se julgava preterido, que não sentia amor, afeição, que não a tinha como o seu perfil de mulher.

_Quero que me beijes. Nunca beijaste uma mulher?

Ele sem saber o que fazer. Sim era verdade, não beijara ainda uns lábios de mulher, nunca tivera alguém nos seus braços, apenas  o roçagar dos copos em momentos de acaso.

Ela abraçou-o e beijou-o nos lábios. Ele sentio um calafrio, uma ânsia de a ter total, sem saber como,a esfregar-se no corpo dela, as mamas duras no seu peito, os lábios nos lábos e ela a dizer-lhe que abrisse a boca ,que a deixasse chupar-lhe a lingua, que ele chupasse a dela, que se deixasse envolver nos movimentos de dentro da boca, como ela fazia, como ela se expandia nele e deixou-se cair no soalho de tábuas compridas, fogosa, delirante e ele a mexer-lhe no corpo,a atrever-se, as mamas dolorosamente duras , a querer tocar-lhe na carne, os mamilos e ela parou, que não, nada de carne, só os beijos, podia mexer-lhe por fora, do lado de cima da roupa e ele a navegar o corpo dela, as coxas. Os beijos exaltantes, O corpo dele sobre o corpo dela, o seu sexo , perdida a vergonha, sobre o sexo dela, retido entre a roupa, as cuecas babadas ,pegajosas,do lado de fora dela, por sobre o vestido, apenas a forma adivinhada, o contacto dos sexos adivinhados, sentidos, o aroma de dentro dela a envolvê-lo total , as mãos nas coxas, a tentar descer ao sexo dela, sentir o sexo dela, um sexo pela primeira vez, na ponta dos dedos, talvez masturbar-se nela, entrar num sexo , desvirginar-se...sentiu o sexo dela ,sob o vestido e as cuecas, um vale de deslumbrante prazer, por segundos....

E foi quando ela súbitamente se colocou de pé, um olhar reprovador, a dizer-lhe que estava noiva, que ia casar, que não a tomasse por leviana, que não contasse nada a ninguém, a chorar,mas que o namorado nunca a beijara como ela gostava, como eles se tinham beijado naquele instante, que se atrevera porque confiara nele, porque também sentia nele o desejo, mas era apenas um beijo total, inteiro o que queria dele. Era virgem e ia casar virgem dentro de dias.

E ele, surpreendido de todo, a prometer-lhe o seu silêncio, a acariciar-lhe os cabelos negros, curtos, arredondados sobre os ombros.

A olhar a saia que se movimentava movida pela aragem da passada, os passos dela em volta do seu olhar pasmado, ainda a interiorizar-se, se fora sonho ou realidade.

 

15
Ago08

ANDANÇAS PÚBERES

samueldabo

_Perdeste o ano pela segunda vez consecutiva e vais trabalhar. Não temos condições para andares a brincar na escola.

Pedro, os olhos no chão de cimento, soltando lágrimas de raiva por não ter sido capaz. Olhos grandes, escuros entre pestanas largas.  Mas pronto, iria trabalhar, no que houvesse, logo se veria, o sonho adiado. Ser defensor dos fracos, de todos os pobres que via de olhos no chão, como ele agora, no momento em que a mãe lhe apontava a incúria de mais um ano perdido em namoricos e visitas expectantes ao Castelo de onde olhava a cidade imensa do outro lado do mundo que conhecia, e sonhava a ponto de quase adormecer .

A escola grande sempre o intimidara. As calças de ganga remendadas, as camisas ou camisolas eram diferentes das dos outros rapazes, mais feias, sem brilho, as botas doíam-lhe os pés,  tinha joanetes e pé chato, o desconforto  de não ter um lanche, sendo o almoço fraco, confeccionado de véspera,  comido nas ameias do Castelo. De história até gostava. O problema foram as faltas, os namoricos.

Arranjou trabalho com o Matias que tinha um negócio de fazer blocos de cimento para a construção de casas. Agora sim, iria criar músculo, crescer. Ser homem.

Pedro era um rapaz frágil de constituição baixa e escasso de carnes. O cabelo negro sobre a testa, desfeita a  onda com a secagem da água com que molhava o cabelo para acomodar os remoinhos que teimavam em permanecer, espigando os pelos  que sobressaíam do restante acomodado pela água.

A cara borbulhosa do acne e uns pelos faseados que faziam o seu orgulho de parecer homem grande, homem feito.

Namorava a sobrinha da dona da mercearia que lhe arranjava o tabaco. Era uma namorada tímida como ele, que corava quando a tentava beijar nas faces, ou lhe dava a mão em plena rua. Chamava-se Sofia e tinha uma boca acentuada pelos dentes sobrepostos.

O primeiro dia passou na aprendizagem do manuseio das ferramentas de molde.

Os homens que o conheciam diziam entre gargalhadas que o Matias era maricas.

_Olha que o gajo tem o cu cheio de merda seca! E riam-se...

Pedro, olhos no chão ouvia e precavia-se, para dentro de si. Que com ele não contasse. Ouvia os rapazes falarem de ir aos paneleiros, através das dunas mais distantes, nos côncavos  de areia que o vento cavava. Mas nunca fora. Tinha nojo.

O Matias  contratara o rapaz de olhos postos na braguilha onde lhe adivinhava um membro farto e sedutor. Os olhos brilhavam-lhe de satisfação. Logo pela manhã já estava bêbado.

Pedro virava a areia com a pá, maior que ele, tantas de areia tantas de cimento, um pouco de água, aprender a que era suficiente, para a massa ficar no ponto nem muito grossa nem muito fina, no ponto. Colocar massa nas calhas das formas, bater com a ferramenta indicada, raspar os excessos, tirar os ferros que formavam os buracos e abrir o molde de ferro. Era como fazer bolos com o balde na areia da praia. Não ele, que nunca tivera baldes, só latas velhas que achava nas ruas de areia do bairro onde vivera em criança.

Ao terceiro dia, o Matias fez um intervalo e foi até à barraca onde guardava as ferramentas e chamou Pedro para que o ajudasse.

Pedro olhou de frente,pela primeira vez olhava alguém de frente, olhos nos olhos, o Matias a babar-se, os olhos esbugalhados pelo vicio, pelos vícios, a baixar as calças, a tocar-lhe no sexo que andava sempre firme dos pensamentos que tinha, das calças apertadas que o comprimiam de encontro ás pernas. Pedro disse que não. E o Matias insistente, que lhe pagava mais cinco escudos por cada vez. Pedro a fazer contas. O Matias pagava-lhe dez escudos por um dia esforçado  de trabalho e cinco pelo vício de sexo!...Insistiu que não,que ele, Matias não se lavava.

O outro, possesso de desejo, implorava-lhe que o deixasse então chupar-lhe o membro hirto que se avolumava sob as calças, aumentando o desejo do velho que se babava e mexia no sexo de Pedro, com as mãos calejadas, grossas, poderosas.

Vencido, Pedro acedeu, tirou o sexo pela braguilha das calças. Matias ficou louco e sôfrego enfiou-o pela boca em chupadas loucas de desejo e lascívia. Foram momentos breves.

Pedro enojou-se e a pila murchou, secou a febre. Matias deu-lhe os cinco escudos e mandou-o regressar ao trabalho.

Pedro fez o resto do dia em ânsias para chegar a casa, lavar-se. Sentia um nojo pela figura asquerosa do velho. Uma pressão intensa na cabeça como não tinha sentido antes.

Meteu na sua cabeça que nunca mais. Se ele tentasse, se forçasse vinha embora, ou dava-lhe com a pá na cabeça.

_Pedro!...

Era o pai que o chamava. Regressava do trabalho a pé e passara por perto.

_Estás vermelho, aconteceu alguma coisa?

_ Não pai,apenas que cresci bastante, hoje. E gostava de arranjar um trabalho melhor.

 Pedro, onze anos, a muscular-se fazendo blocos para a construção de casas.

11
Ago08

UM ABSOLUTO DE AMOR

samueldabo

- Porque me dizes que os meus olhos são tristes se os sinto altivos? Se são altivos que eu quero que os vejas, que os vejam!

Mas são tristes, porque te leio a alma que eles me permitem alcançar, penso, no silêncio que fizemos, que construímos na areia como castelo efémero das nossas brincadeiras de criança

A minha cabeça assenta sobre as tuas pernas e as minhas mãos percorrem-nas num gesto absortivo. Estou levemente inclinado de modo a absorver todo o teu cheiro. E é um sabor intenso a cheiro intenso, que me vem do interior de ti através do teu sexo que os meus olhos observam arfante, por entre as pernas que mantens abertas.

É uma noite quente de Agosto e a praia arde da azáfama dos pescadores, em lances sobre lances, porque o'peixe é escasso.

-Mas se sou tão alegre. Não me sentes alegre, o meu sorriso permanente.  E amo-te, como podes ver tristeza nos meus olhos. Insistes e sorris.

Agitas-te e o cheiro recrudesce de intensidade. És tão bonita. Doentiamente bonita. muito bela, meu amor.

Sim o teu sorriso inquieta-me porque te acompanha desde que nasceste, ou desde o primeiro momento em que sorriste. E é estranhamente igual nas três outras gerações que te complementam. O teu sorriso que seduz quem ousa fixar-se nos teus lábios. Quando beijo os teus lábios, é um sabor a cheiros imprevistos, como quando beijo o teu sexo e sorvo de ti os fluídos libertos do prazer.

Mas os olhos, meu amor, refulgem da alegria dum momento e mergulham na tristeza da dúvida, quando de ti, vindo de dentro de ti, esbatem na incerteza do amor, de saber o que amas, a quem amas e como consubstanciar esse amor que sentes, que por vezes te sufoca de ardores imensos, na tríade de almas que te disputam.

- És louco! - dizes, e os teus olhos brilham no escuro. Há muito que decidi essa dúvida de que te falei em tempos. É a ti que eu amo. É contigo que quero viver a eternidade do que me resta. Realizar-me como mulher, a teu lado, sob o teu olhar apaixonado.

As tuas mãos alisam-me o cabelo húmido do cacimbo que cai, ou é do mar que a aragem traz a humidade que nos penetra docemente, porque é fresca, suavemente fresca.

Deitaste-te para traz e a minha boca procura de ti a fonte de tais cheiros e sabores que me inebriam e elevam-me ao ponto zero do pensar. Afasto a queca do teu sexo e beijo-te. O sabor a cheiro e o cheiro a sabor, trocados mas como um só, íntimos de mim, de nós,beijo e lambo e sorvo e tu, meu amor, irresistível, absorves de mim a seiva que se vai libertando a cada chupadela, fazes que mordes, divertes-te. Imagino que sorris, que cheiras igualmente de mim os cheiros e os sabores, que serão de teor diferente, mas que se compatibilizam em ti.

E estamos como um só ser, poderosos em nós, etéreos na paixão que nos absorve em fluidos de amor. Vens-te e eu venho-me em êxtase e num súbito movimento de amor, os nossos lábios voltam a encontrar-se e os beijos sôfregos que trocamos e em que se misturam os sabores do esperma e dos fluídos que libertámos, sabores que cheiram a amor de nós e em nós. Num absoluto de amor.

26
Jun08

ESPERMATOZÓIDES -O KILLER VENCEDOR

samueldabo

Nos Seres Humanos bem como em muitas outras espécies existem dois tipos de espermatozóides normais. Um deles portador do cromossomo X (responsável pela formação de um ser do sexo feminino) e o outro portador do cromossomo Y (responsável pela formação de um ser do sexo masculino).

Em algumas espécies, nem todos os espermatozóides estão "programados" para fecundar a célula reprodutora feminina (dependendo da espécie numas o óvulo noutras o oócito II). A cada ejaculação, tomam a frente os espermatozóides "killers", os quais possuem certa capacidade de fagocitose, cuja principal função é destruir tudo o que estiver a frente (ex, outros espermatozóides, macrófagos da fêmea, etc.), e furar a parede da célula reprodutora feminina. Logo atrás, espermatozóides "soldados" são responsáveis pela escolta dos fecundantes propriamente ditos. Por último, os "soldados lentos" entopem os canais de muco (meio no qual os gâmetas se locomovem), dificultando a passagem de outros espermatozóides. Assim, se uma fêmea tiver copulado com dois parceiros, as chances de fecundação por um gâmeta do primeiro é substancialmente maior.

Retirado da Wilkipédia.

 

São milhões os espermatozóides que um homem expele numa ejaculação e que se atropelam, se digladiam, numa luta feroz, fratricida, para chegar ao óvulo feminino. Só um, dois, três, chegam ao seu destino, exaustos da batalha, por vezes feridos, outra doentes.
E cada espermatozoide que fecunda o óvulo feminino, torna-se gente. É um glorioso vencedor.

Gostaria de vos dizer e digo, mulheres e homens em desespero de vós. desesperados de encontrar um rumo próprio, mal amadas, desconfiadas da esperança.

Cada um de nós só pode ser um vencedor. depois que ganhámos a batalha de fertilização.

Partindo do pressuposto que saímos vitoriosos de uma batalha sem precedentes, em que todos morrem menos dois ou três, isso faz de nós seres únicos e dignos vencedores em qualquer parte do mundo.

Desesperados então porquê? Amemo-nos na plenitude de nós.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2007
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2006
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D