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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

11
Dez11

SUBLIME A ENFERMEIRA ! para a Benita Rubio e outras que eu sei...

samueldabo
foto pública tirada da net
*
SUBLIME A ENFERMEIRA !
*
para a Benita Rubio e outras que eu sei

{#emotions_dlg.bouquete}

***
realço na alva e nua transparência
humilde  a enfermeira
sua dinâmica no enfrentar a dor
chama pura paciência
na entrega sem medo prazenteira
num sentimento de amor
paz de mãe tão de tanta eficiência
*
na sala ampla grito das urgências
traz um sorriso de luz
uma palavra um gesto confiança
onde esconde reticências
sobre realidades que a alma traduz
não é nada tenha esperança
num abraço sincero à consciências
*
ali uma algália num falo amolecido
uma injecção milagrosa
desinfecta a ferida faz o penso curativo
recebe um abraço agradecido
enquanto coloca o soro na pele idosa
alguém a chama um sedativo
de onde o tempo escoa entardecido
*
rápido traz aqui um desfibrilhador
tropeça numa maca à deriva
um coração acelerado que deixa de bater
esqueceu de mim meu amor
já vou não desespere melhor que viva
entrou um corpo novo a sofrer
preparar para operar ó senhor doutor
*
parou a máquina que regula o coração
deixam-me aqui a morrer
calma volto num segundo sorri de angústia
enquanto injecta a ilusão
implacável resoluta a todo o mal vencer
contra o tempo com astúcia
às vezes chora de raiva contra tal pressão
*
não há cansaço que a vença nesta aventura
apenas quando sai a solidão
em que mergulha por momentos o dilema
de ser tão inteira de ternura
quanto é frio o sistema ante a sua dimensão
de entrega derradeira ao problema
e não olhar de lado quem a vê tão alva e pura
*
saúdo à flor da alma sublime a enfermeira
rosa vermelha margarida violeta
perfume de esperança que acode ao sofrimento
serena como deusa pioneira
agindo em sintonia com a alma de profeta
tão ágil a mover o pensamento
tão só quanto na vida a morte é derradeira
*
autor: jrg
23
Jul10

PORQUE TE QUERO TANTO...

samueldabo

bebo da ansiedade...a tua
ouço alarido gritos
sinto tremores no meu corpo
onde te e me habito
não pretendo ser silêncio
estou aqui alerta fico
na esperança de ser norte

chama por mim e confia eu vou
são exames incertezas
não antecipes veredictos
serena o teu desvario e sorri
tanto amor à tua volta
gera energia avultada
só tens que estender a mão

desespero por encontrar
palavra que seja a mais certa
e no teu mundo fechado
abrir a janela perfeita
que deixe passar toda a luz
para no silêncio quebrar
o mal e a sua raiz

 

autor: JRG

13
Jun09

MEMÓRIAS DA GUERRA - A CIDADE - O PALUDISMO - SODOMIA

samueldabo

Era a primeira vez que viajava de avião, uma nave bojuda, movida a hélices potentes, voando baixo sobre a mata luxuriante de magia, que parecia querer cair  a cada instante e mergulhar no vazio, quando passava por turbulências do ar.

Manuel António, sentado entre caixotes de mercadorias, vestido de gente, era como se fosse de férias, a tez amarelecida pelo medo.

Conseguira esta fuga breve de ir à cidade, os dentes  eram um motivo bastante, a dignidade, os medos, o direito de recusa não, mas os dentes eram um motivo bastante.

A cidade era um deslumbramento ante os seus olhos, há mais de um ano convertidos ao sol e à floresta, ao pó e à condição expectante de viver, ao perscrutar nocturno dos ruídos.

Alugou um quarto no hotel e deambulou pela cidade em busca de sorrisos. Jantou num restaurante e comeu ostras na esplanada junto ao mar, viu mulheres Atlânticas que pareciam estrelas de cinema, dizia-se que enganavam os maridos metidos no mato.

Ao longe ouviam-se rebentamentos de granadas, ouvia-se dizer que era a psico do inimigo, flagelar as mentes até à possível rotura. Lúgubres, trooommm, trooommm e após um breve silêncio, de novo trooommm. trooommm, incessantes.

Patentes intermédias passeavam-se fardados de divisas e galões, imponentes, austeros, como se a carne deles fosse indiferente à penetração de balas e estilhaços, como se não apodrecesse do mesmo modo que a do básico, do soldado.

Altas patentes recolhidas em seguras moradias ou escoltadas por diversos seguranças, como quando comandavam do alto dos céus, na falsa segurança das avionetas, e olhavam a fila de pirilau esbatida no terreno poeirento ou alagadiço das bolanhas.

Sentiu a euforia de ouvir a voz de Alexandra, tremia enquanto marcava o número, tinham combinado tudo com tempo entre cartas, mas não sabia se havia algum motivo contrário.

A voz da telefonista:

_Troncas...

Era assim, repetiu o número três vezes com medo de se ter enganado e ouviu a voz que dizia, falem...

Alexandra!...meu amor

_Que alegria meu querido, que emoção. Tenho saudades...

As vozes dele e dela embargadas, emaranhados na linguagem confusa que pareciam reaprender de novo, querer dizer tudo e as palavras amontoadas em sobressaltos gritantes, movediças nas gargantas sequiosas. Disseram amor, os olhos dele e dela ofuscados pelo sal de lágrimas de alegria.

E de repente o silêncio abrupto entre o alarido de vozes desesperadas que aguardavam a vez. Ficou a voz dela ecoando na penumbra que se fez no seu pensamento. Apanhar qualquer coisa e partir, o vento, e partir...

De regresso a casa, que é como dizer, ao mato onde teria de viver mais alguns meses, a lancha pernoitou num aquartelamento de uma pequena aldeia, onde encontrou um companheiro de escola. Abraçaram-se emotivamente e foi convidado para um jantar de saborosas ostras que tinham apanhado durante a tarde. Lembrar a infância, o mar, a outra mata tão serena que os assustava ao entardecer.

Foi então,  já no calor do álcool que tudo transforma em absurda ingenuidade, que o amigo lhe contou como, com o beneplácito de furriéis e oficiais, se dedicavam a enrabar miúdos, para satisfação da libido e fugindo à responsabilidade de violar ou deflorar miúdas, altamente proibido pela moral, quer a local, quer a oficial.

Manuel António ficou estarrecido, o outro tentava justificar, que lhes davam em troca gasóleo que era para eles um bem altamente precioso e depois, ficariam mais miúdas livres para o futuro...se os putos virassem paneleiros.

Os olhos do outro encovados entre a cavidade onde se escondiam uns olhos pequeninos e já sem brilho, olhos mortos, olhos absorvidos pela insanidade ambiente.

Saiu para a noite, passos trémulos, cambaleante entre destroços pelos cantos das sombras que a luz difusa do candeeiro expandia mortiça.A saída era às seis da manhã.

Adormeceu em sonhos pavorosos, gritos, acusações tremendas, armas que se disparavam sozinhas, vales de grande profundidade e Alexandra num dos extremos, inacessível. Rostos moribundos de negros acusadores desde há milénios e crianças de olhar dócil, submissas.

Acordou entre suores e dores do corpo alucinantes, olhou o relógio e eram, 7 horas.

Acreditou que talvez tivesse havido algum contratempo, mas a  lancha tinha partido e só havia outra dentro de 5 a 6 dias.

Manuel António passou o dia acabrunhado, sem forças ou alento de dentro, mais uma semana sem correio, a palavra amante e indutora da esperança, para mais agora que se sentia encurralado em ambiente hostil, afogado em dúvidas sobre o que fazer.

E sobreveio a doença temida, terrível, o paludismo, três dias na cama entre vómitos e suores, apenas pão e água, a sopa vomitava como qualquer outro comer, havia uma conserva de ananás que era tolerada, mas tão doce que lhe provocou enjoo ao terceiro dia, e depois tinha de a pagar e eram escassos os recursos. Sentiu a falta dum carinho de mulher.

 

 

 

 

 

Era a primeira vez que viajava de avião, uma nave bojuda, movida a hélices potentes, voando baixo sobre a mata luxuriante de magia, que parecia querer cair  a cada instante e mergulhar no vazio, quando passava por turbulências do ar.

Manuel António, sentado entre caixotes de mercadorias, vestido de gente, era como se fosse de férias, a tez amarelecida pelo medo.

Conseguira esta fuga breve de ir à cidade, os dentes  eram um motivo bastante, a dignidade, os medos, o direito de recusa não, mas os dentes eram um motivo bastante.

A cidade era um deslumbramento ante os seus olhos, há mais de um ano convertidos ao sol e à floresta, ao pó e à condição expectante de viver, ao perscrutar nocturno dos ruídos.

Alugou um quarto no hotel e deambulou pela cidade em busca de sorrisos. Jantou num restaurante e comeu ostras na esplanada junto ao mar, viu mulheres Atlânticas que pareciam estrelas de cinema, dizia-se que enganavam os maridos metidos no mato.

Ao longe ouviam-se rebentamentos de granadas, ouvia-se dizer que era a psico do inimigo, flagelar as mentes até à possível rotura. Lúgubres, trooommm, trooommm e após um breve silêncio, de novo trooommm. trooommm, incessantes.

Patentes intermédias passeavam-se fardados de divisas e galões, imponentes, austeros, como se a carne deles fosse indiferente à penetração de balas e estilhaços, como se não apodrecesse do mesmo modo que a do básico, do soldado.

Altas patentes recolhidas em seguras moradias ou escoltadas por diversos seguranças, como quando comandavam do alto dos céus, na falsa segurança das avionetas, e olhavam a fila de pirilau esbatida no terreno poeirento ou alagadiço das bolanhas.

Sentiu a euforia de ouvir a voz de Alexandra, tremia enquanto marcava o número, tinham combinado tudo com tempo entre cartas, mas não sabia se havia algum motivo contrário.

A voz da telefonista:

_Troncas...

Era assim, repetiu o número três vezes com medo de se ter enganado e ouviu a voz que dizia, falem...

Alexandra!...meu amor

_Que alegria meu querido, que emoção. Tenho saudades...

As vozes dele e dela embargadas, emaranhados na linguagem confusa que pareciam reaprender de novo, querer dizer tudo e as palavras amontoadas em sobressaltos gritantes, movediças nas gargantas sequiosas. Disseram amor, os olhos dele e dela ofuscados pelo sal de lágrimas de alegria.

E de repente o silêncio abrupto entre o alarido de vozes desesperadas que aguardavam a vez. Ficou a voz dela ecoando na penumbra que se fez no seu pensamento. Apanhar qualquer coisa e partir, o vento, e partir...

De regresso a casa, que é como dizer, ao mato onde teria de viver mais alguns meses, a lancha pernoitou num aquartelamento de uma pequena aldeia, onde encontrou um companheiro de escola. Abraçaram-se emotivamente e foi convidado para um jantar de saborosas ostras que tinham apanhado durante a tarde. Lembrar a infância, o mar, a outra mata tão serena que os assustava ao entardecer.

Foi então,  já no calor do álcool que tudo transforma em absurda ingenuidade, que o amigo lhe contou como, com o beneplácito de furriéis e oficiais, se dedicavam a enrabar miúdos, para satisfação da libido e fugindo à responsabilidade de violar ou deflorar miúdas, altamente proibido pela moral, quer a local, quer a oficial.

Manuel António ficou estarrecido, o outro tentava justificar, que lhes davam em troca gasóleo que era para eles um bem altamente precioso e depois, ficariam mais miúdas livres para o futuro...se os putos virassem paneleiros.

Os olhos do outro encovados entre a cavidade onde se escondiam uns olhos pequeninos e já sem brilho, olhos mortos, olhos absorvidos pela insanidade ambiente.

Saiu para a noite, passos trémulos, cambaleante entre destroços pelos cantos das sombras que a luz difusa do candeeiro expandia mortiça.A saída era às seis da manhã.

Adormeceu em sonhos pavorosos, gritos, acusações tremendas, armas que se disparavam sozinhas, vales de grande profundidade e Alexandra num dos extremos, inacessível. Rostos moribundos de negros acusadores desde há milénios e crianças de olhar dócil, submissas.

Acordou entre suores e dores do corpo alucinantes, olhou o relógio e eram, 7 horas.

Acreditou que talvez tivesse havido algum contratempo, mas a  lancha tinha partido e só havia outra dentro de 5 a 6 dias.

Manuel António passou o dia acabrunhado, sem forças ou alento de dentro, mais uma semana sem correio, a palavra amante e indutora da esperança, para mais agora que se sentia encurralado em ambiente hostil, afogado em dúvidas sobre o que fazer.

E sobreveio a doença temida, terrível, o paludismo, três dias na cama entre vómitos e suores, apenas pão e água, a sopa vomitava como qualquer outro comer, havia uma conserva de ananás que era tolerada, mas tão doce que lhe provocou enjoo ao terceiro dia, e depois tinha de a pagar e eram escassos os recursos. Sentiu a falta dum carinho de mulher.

 

 jrg

 

05
Jun09

MONONUCLEOSE

samueldabo

A Mononucleose dizem que é doença benigna

mas numa criança pequena é sempre uma tempestade

amortece nela a vida ofusca-lhe o ser menina

torna baços os seus olhos espevita-lhe a maldade

 

porque sente a arrelia de não poder rir saltitar

privada das brincadeiras chora grita esperneia

sente dores na garganta na barriga mal estar

não importa se é pobre ou rica é a mesma panaceia

 

importa se sente amor de dentro à sua volta

ela não sabe que a dor se acalma na confiança

e que há meninos no mundo tristes nada os conforta

mas sente que é querida como deve uma criança

 

tantos mimos e beijinhos colinhos tão carinhosos

acabaram os castigos tudo lhe é permitido

só a febre a detém ensaia sorrisos gostosos

aprende da vida que o bem sem o mal não faz sentido

 

 

 

j.r.g.

 

 

 

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