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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

06
Nov10

UM BERLOQUE NO TRASEIRO

samueldabo

há muito que os meus olhos te seguiam

no teu andar trémulo desconfiado

no sorriso levitante e sempre triste

a pensar nos sonhos que te adiam

pesadelos no coração flor amordaçado

tanto de ti ainda em mim existe

{#emotions_dlg.orangeflower}

hoje trazias calça bota de montar

cão pela trela sorriso de circunstância

vista de trás uma fita traiçoeira

de entre pernas parecia um rabo a abanar

que por magia ou douta cartomância

alguém ali postasse ou tu linda matreira

{#emotions_dlg.blueflower}

paraste antes de abrir a porta para me ver

a pretexto talvez do cão e do menino

falamos de coisas triviais na voz doçura

senti que a tua alma parara de sofrer

havia um brilho novo e sedução no feminino

mulher de luz formosa tão bela e pura

{#emotions_dlg.redflower}

então pensei que eras uma princesa sitiada

nos teus olhos doces súplica sedutora

os lábios emitem sons sorrisos cintilantes

brisa quente vinda da alma esperançada

parei o tempo vi amorosa instante redutora

mulher grito de amor breves instantes

{#emotions_dlg.blueflower}

um mar sereno abissal de sensualidade

quis penetrar ousadamente a tua infinitude

romper o medo que segrega toda a razão

beijar teus segredos pelos becos da cidade

fértil nos desejos da minha juventude

mexes os lábios estremeces febril o coração

{#emotions_dlg.bouquete}

autor: JRG

25
Jul10

RENASCIMENTO

samueldabo

amanhecer na alma do teu corpo
entrar suavemente no pensamento
sentir a dor a angústia
repelir tanto do teu medo
dançar a valsa do segredo
e ouvir dizer num sussurro
que amar é doloroso

quando se ama o que não deve
quando o que se ama é longe
e nos visita dentro do tempo
estragamos tanto
gratuitamente ou por capricho
a alimentar novo tormento
que sabemos inconclusivo

porque o amor é fogo
é tempestade é movimento
que se agita na bonança
e na dor que gera o medo
se agiganta na tristeza e na doença
porque é raiz e medra
mesmo quando parece morto

se uma brisa a aura ou um lamento
avivam a chama quase extinta
é como um cheiro acre de maresia
eufórico o coração desperta
os olhos tomam brilho os lábios mexem
e todo o corpo que na alma se agonia
levanta o verbo e ama em sintonia

que bom vê-la de novo a bela amante
soberana sobre a crista da onda imensa
cabelo ao vento vista cerrada
o coração em sangue borbulhando
deixar no rasto de espuma a nostalgia
erguendo a luz do sorrriso a esperança
por entre luas de estrelas cintilantes

 

autor:JRG

28
Mar08

A TOXICODEPENDÊNCIA NÂO È UMA FATALIDADE

samueldabo

A matemática, esse quebra cabeças dos Portugueses em geral, não é uma ciência mítica só ao alcance de alguns iluminados, mas porque é manipulada  ao sabor de interesses que ainda persistem e consideram que  "em terra de cegos quem tem olho é rei", continuamos a navegar em teorias de combate ao insucesso , condenadas a manter os níveis aceitáveis de cegueira colectiva.

Actualmente a proliferação do consumo de drogas por amplas camadas de juventude de todo o mundo, tornou-se num flagelo que nenhum governo tem conseguido estancar.

Desde sempre houve consumo de drogas, que não eram proibidas, nem atingiam os preços a que são vendidas nas ruas. Em consequência, quem sofria de stress por drogas comprava-as onde era possível ou optava pelo vinho. Era uma minoria, contestatária, talvez ,das regras de convivência que se iam alterando.

Eu penso que a partir da eclosão do Maio de 68, se espalha a ideia reivindicativa de que vale tudo. É proibido proibir tudo. Amor livre. Abaixo os poderes instituídos . A inalação de drogas pelo fumo avança em todas as direcções. As democracias tentam resistir, mas rapidamente os senhores da finança vêm ali um filão inesgotável, e são eles que financiam o estado e que o controlam. É para eles que as leis são manipuláveis, no esgrimir de interpretações por magistrados e advogados que as leis permitem.

Aqui, o consumo de drogas disparou com o advento da Democracia, não por culpa da Democracia, antes por uma coincidência de tempo, porque estamos sempre atrasados na ventura e na desgraça.

O consumo e o tráfico são proibidos e condenados com pena de prisão.

Milhares de famílias são assoladas por esta praga, Adolescente instigados ao consumo sobre os mais variados pretextos de afirmação pessoal, de desinibição. de ser mais forte. Jovens, meninas, lindas que foram, agora enrugadas, prostituídas, devassadas.

Os carteis de tráfico organizam-se. No interior   das prisões superlotadas continuam a traficar e a consumir. Nas ruas os chamados pequenos delitos. A saga da moedinha para o arrumador que surge, do nada quando já tínhamos quase arrumado o carro.

Roubam os pais, a família, os amigos. Vendem tudo o que tem comprador e há quem compre É um negócio de lucros fabulosos, onde se vende tudo até a dignidade.

O estado, nós todos, financiamos as medidas ditas profiláticas que o estado implementa de apoio financeiro às clínicas de reinserção. Aos tratamentos em ambulatório.com resultados deficitários de recuperação efectiva e duradora.

As policias investem na formação especializada no combate ao tráfico. Os criminosos detidos em resultado das investigações são postos em liberdade. Presos são os consumidores, por consumirem e por roubarem. A droga e dinheiro apreendido nas operações , desaparece

Os verdadeiros agiotas do tráfico continuam impunes. Participam, até, na discussão. Influenciam politicas. Corrompem influências. E seguem a matança intelectual e fisica do que melhor tem um povo, uma nação.

Surgiu o HIV, as hepatites B eC proliferam.

As famílias a lutar contra a insolvência absoluta. Sem ajudas de ninguém. Condenadas, até, por não terem sido capazes de evitar a desgraça.

Alguns países adoptam medidas para liberalizar. o consumo, que passa a ser disponível em farmácias e locais apropriados criados para o efeito. As noticias sobre a eficácia, .

  aumentou-reduziu.estagnou , não são distribuídas na mesma dimensão.

Por cá, e não só, os arautos tentam explicar-nos em equações algébricas e outras engenharias matemáticas, que a liberalização não é possível . Iria criar mais dependências, facilitar a transacção entre estados!?...

E nós a percebermos que dois e dois são quatro em qualquer circunstância e que somados sucessivamente, chegamos aos milhões da ganância , que matam e morrem pela ganância de viverem na abastança erguida sobre o sofrimento, a dor e a desdita de quem vê um adolescente primoroso ser arrastado impunemente nas águas sórdidas da mentira.

25
Mar08

O CHIADO, O NOIVO, AS VIOLETAS IMPERIAIS

samueldabo

No Chiado, tarde amena, fervilhando de juventude aguerrida em passo apressado. Pessoa fotografado pela décima milionésima vez, um pedinte desconexo à porta da Bertrand e tocadores de flauta de Bisel , saracoteando-se na frente de pessoas indiferentes solicitando o cachet.

Há porta da Brasileira não está Zé Gomes Ferreira, o cabelo prata luzidia, poetando , nem Fernando Namora questionando-se sobre a veracidade dos números da editora.

No lugar do pedinte, Aquilino, Ferreira de Castro , Nemésio, questionando a politica que lhes sonegava o mundo, são uma efeméride esquecida.

Cosmopolita, o Chiado perdeu a envolvência mítica da intelectualidade e o pitoresco Primaveril das vendedeiras de violetas, acossando os casais da média burguesia a caminho dos teatros, da ópera, de encontros libidicos, ou o absurdo do noivo desiludido, impecável de fraque e flor na lapela, andar marcial, decidido, O corpo alto, esguio , em crescendo, de voz audível a cem metros, a subir a rua do Carmo e vociferando palavras agressivas e epítetos obscenos contra a expectante turba que sempre parava para distrair os pecados errantes e a estulta acomodação ao marasmo instituído .

 

 

23
Mar08

S.MIGUEL, AÇORES - O NORDESTE

samueldabo

Hoje o sol pregou-me uma partida de menino mimado  e irresponsável. Enredou-se em neblinas maviosas e pertinentes, deixando que miríades de lágrimas de outras tantas saudades ululantes, se abatessem nos corpos desafectados de protecção adequada.

As Queijadas da Vila, após o pequeno almoço madrugador. O café, Delta, claro, a despertar renovadas atenções. a Afinar sensibilidades parecendo exaustas, mas que renasciam, qual Fénix, temperadas pela visão dos fieis que se dirigiam à primeira missa da manhã, indiferentes à morrinha, de rostos abertos e confiantes.

Fiz a viagem de Ponta Delgada ao Nordeste na carreira, a primeira da manhã percorrendo a estrada pouco movimentada e readmirando paisagens e recortes, a fixar imagens e momentos, as vacas nos pastos, as carrinhas que transportam o leite, pequenas povoações e gente que entra, gente que sai, as crianças, os jovens a caminho da escola e eu a lembrar-me de mim.

Timham-me falado do Nordeste como uma miragem num deserto rodeado de oásicos sistemas floridos e verdejantes, numa abordagem surrealista da visão, de quem chega e se depara, com um quadro pintado em fervorosos momentos de arrebatação criadora.

A povoação de casas típicas , arejadas, a casa museu João de Melo, o jardim, o café onde me resguardo e abasteço de iguarias.  O miradouro sobre o mar, a rocha a pique, o verde a envolver as casa em cima, num clima de silêncios, voltar ao miradouro, e novamente o mar estanhado, verde chumbo, denso na voragem da maré, a igreja.

Um táxi, carro de aluguer, parado num lugar reservado. Procuro com os olhos o motorista e não vejo ninguém, até que ouço uma voz, vinda de onde?

-Bom dia, precisa que o leve.

Olhei a figura, magro, rosto bonançoso, olhos que reflectem amor, lealdade a procurar saber ao que vinha. Como te chamas, amigo?

Disse-lhe ao que vinha. Desvendar a meus olhos o infinitamente belo. A pretensa miragem. A descoberta de mais uma das maravilhas açorianas, mas que o tempo, chuviscoso , não estava a colaborar.

Os olhos dele iluminaram-se num clarão de empatia a mandar-me entrar.

- A viagem até à cidade de Povoação são vinte euros, o resto é por minha conta.

Homem grande e destemido, homem bom. Como te atreves a acreditar que acertaste em tomar-me como amigo?

Pelo caminho, também eu confiante, sem saber das rotas, adivinhando boas intenções, foi-me falando de si, dos tempos difíceis da emigração na América, o trabalho quase esforçado para amealhar o suficiente e voltar. Nã que ele não era dos que se bastavam com dinheiro. Ali é que era a sua paixão e comprara o táxi, algum dinheiro de parte, uma vida sonhada nas refegas erradias, naquele deserto apaixonante, apaixonado.

-Olhe, ali, aquelas vivendas no alto da montanha, são de pessoas importantes do Continente, casas de férias.

E eu a imaginar, para mim próprio, os senhores importantes do Continente a julgarem-te parolo, imbecil, por teres trocado a vida faustosa das Américas por um lugar pasmado de beleza. E a contextualizar-te comigo.

Parou o táxi junto a um jardim que abarcava uma vasta  área em planalto, delineado de formas graciosas, ramadas em túnel, palmeiras anãs , flores, o vermelho, o azul, o rosa,  o lilás , o  amarelo e os verdes, numa deambulação de cores e odores. Numa simbiose de deuses tocando trombetas melodiosas e eis a placa de homenagem ao homem e à beleza reunida num feixe, com o mar por fundo, escarpa a pique, o poema:

                                          Toda a beleza é beleza

                                           Para quem na beleza crê

                                           A beleza é só certeza

                                           Conforme a vista que a vê

 

                                           Silêncio de calma

                                           Mudez carinhosa

                                           Afagas muralha

                                           Na noite nervosa

 

                                           Silêncio que alentas

                                           Meu sonho desfeito

                                           Ai como atormentas

                                           O mal do meu peito

                                           

                                           E quando te calas

                                           Calado me dizes

                                           Que as horas sem falas

                                           São horas felizes

                               

De João Teixeira de Medeiros

 

Embevecido por tanta beleza, recolho-me junto ao murete que limita a queda abrupta  e desvenda plena de epopeica visão o mar imenso, ondulante e a esfregar-se, preguiçoso,na base das rochas  que já foram suas amantes e agora, só enamoradas.

O homem do táxi e eu, em silêncio, ambos sabendo que amávamos a mesma substância mítica e sem ciúmes nem desavenças fruíamos desse amor, partilhando emoções vindas do sonho de sermos homens.

 

 registed by: Samuel Dabó

23
Mar08

S.MIGUEL,AÇORES, TERRA NOSTRA

samueldabo

A entrada no parque Jardim Terra Nostra mergulha-me em silêncios profundos à medida que vou avançando e descobrindo imagens absurdas de tamanha beleza botânica, de recantos criados por artistas de outros mundos mais perfeitos.

O Sol no zénite a refulgir raios cintilantes através das folhas de  árvores centenárias, altivas e lindas de grande e pequeno porte. Pássaros que cruzam a densidade do ar em brincadeiras atrevidas, poisando nas ramadas, ou abeirando-se dos lagos e sobre extensas camadas de nenúfares , saltitarem de uma em outra e chapinhando a água morna e quieta.

As flores de cores absolutas, exóticas, múltiplas de género e efeitos sibilinos, transformando os nossos olhos em mirabolantes rodas giratórias.

Subimos carreiros, contornamos lagos e riachos, e voltamos a percorrer, como se de um labirinto que não quiséssemos encontrar o fio.

Os meus olhos emotivos, a voz abafada, tímida , afónica, contrastando com a grandeza que sinto de fazer parte, por um momento, de tão Edílica paisagem.

No cimo de uma elevação, por entre a folhagem de palmeiras e outras maravilhas arborícolas cujos nomes não registei, o edifício adaptado a hotel de grande magnitude arquitectónica a lembrar um conto de fadas, infância, lucidez adormecida. Só pode ser um sonho..

A piscina de águas lamacentas, sulfurosas, onde adultos e crianças se banqueteiam em movimentos ablativos da inércia citadina.

É um ambiente indescritível . Não é possível traduzir em palavras a cor e o enquadramento que os artistas se permitiram para criar uma atmosfera única de emoções sublimes e apaziguadoras.

Venham ver!.

Saímos pela mesma porta e lembrei-me, de repente , que tinha estranhado a entrada paga!... e sorri de felicidade.

 

 

reisted by: Samuel Dabó

22
Mar08

S.MIGUEL,AÇORES, AS FURNAS

samueldabo

"Com um brilhozinho nos olhos" (Sérgio Godinho), a subir a montanha por estradas sinuosas de bom piso e vegetação rica e variada, a ver o mar de um e outro lado da Ilha, a saborear aromas e sabores que nos entram em catadupa a cada inalação.

As furnas, expelindo vapores diáfanos e sugerindo imagens grotescas de vultos que se movem do outro lado de nós, em frente. O cheiro a enxofre . A água azeda que escorre da bica que bebemos para curar enredos e invejas trazidas de longe. O borbulhar da água fervente  brotando do chão e elevando-se em espessa névoa de que nos deixamos envolver em brincadeiras gaiatas. A caldeira num ruído cavo de agonia, um estertor de vida a estremecer o chão que pisamos. Água e lama fervem e extravasam do interior da terra e é como um prato de farinha no clímax da cozedura. A sensação estranha de pensar que pisamos uma camada fina de solo, pronta a estalar a todo o momento, por um qualquer fenómeno que não conhecemos nem dominamos.

 Com os sentidos em êxtase continuo, desço à lagoa de águas mansas em cujas margens escavaram, aqui e ali, buracos onde a terra treme e expele vapores em surdina, que as pessoas utilizam para a confecção do famoso cosido da furnas.

O cozido das Furnas é um banquete de deuses, confeccionado ao vapor, deixando entranhar um leve odor a enxofre que o torna um manjar a repetir. O sabor único das carnes, o gosto dos legumes e dos enchidos, a envolvência da paisagem.

Um passeio digestivo pelo parque Terra Nostra , era o convite, em jeito desportivo, para obstar a uma qualquer indigestão, não sem antes beber um pouco mais de água azeda que, dizem, ajuda a digerir tão farto repasto.

Pelo caminho, Zé Carlos foi-me dizendo que as Ilhas que compõem o Arquipélago são como bairros de Lisboa, ciosas das suas belezas particulares e exigentes na implementação de estruturas, rivalizando umas com as outras e todas com S.Miguel .

- Nós, em Ponta delgada dizemos que os Terceirenses são como os Alentejanos. São indolentes. Só querem festas e mordomias.

Os Terceirenses dizem que em S.Miguel os homens têm a ponta delgada.

E eu a lamentar não ter visitado o Algar do Carvão, nem ter visto as célebres corridas de touro à corda na Terceira e  a não ter oportunidade de sentir o fervor e a religiosidade destas gentes nas festas do Senhor Santo Cristo do Milagres, ou as Festas do Espírito Santo nos Açores: factos que me ajudariam, por certo, a entender este espírito acolhedor e de grande humanidade.

Chegámos à porta do Parque Terra Nostra , cuja visita é paga. Estranhei. Pagar para visitar um parque?

 

 

registed by: Samuel Dabó

 

22
Mar08

S.MIGUEL,AÇORES, O SONHO DE ESTAR VIVO-Parte II

samueldabo

A garrafa vazia/de Manuel Maria. A voz rouca, dolente, de Zeca Medeiros, no Cantinho dos Anjos, café rente à rua, na esquina de quem sai do Alcides, onde o Sr. José grava com mestria e paciência Franciscana, o nome de clientes afectos em taças de vinho ou licor, balões de Whisky e os oferece agradecendo a visita . A paixão de ser pessoa.

A decoração a lembrar outros povos, vitórias e derrotas, evidências de culturas, mimos de simpatia Açoriana , num ambiente acolhedor onde bonitas raparigas a sós ou em grupo falam de realidades e de sonhos e soltam gargalhadas diáfanas de alegria esfusiante, construindo certezas no perfume dos aromas.

 Que povo é este? Que cruzamento, ou raça pura?

A bela Estela, briosa, de aspecto grave, atento, responsável no atendimento de e sobre cultura  e que se diverte à noite em paródias inocentes de procura.

A divina Venilde , linda, o nome a sugerir veleidades de Olimpo, mas terrena, sonhadora e as partidas que a vida lhe pregou. Marco! Como te meteste, meteram nisso? Que tragédia ou ambição te levou ao tráfico, a destruir em lágrimas de sofrimento e dor, os sonhos encantados da mulher que te amava? Do povo que te gerou? As noites pela madrugada na explanação de projectos limpos de droga!...

O Gil do Couto, homem grande na sabedoria humilde sobre a superficialidade enfatuada. A paixão na crença dos milagres do Senhor Santo Cristo. A lisura de uma personalidade sã e conjugativa de amores comuns. O filho Francisco e a pesquisa dos fundos Oceânicos em busca, talvez de Atlântida e Znaida , artesã, o sentido prático da vida, taxativa.

A visita à estufa onde crescem, eu diria milagres gustativos, os saborosos ananases . Abastecer a garrafeira com o licor afrodisíaco do seu néctar.

O dia, onde o Sol e a humidade confraternizam, convida à procura de ambientes mais frescos.

O aroma especifico das infusões naturais. A única plantação em toda a vasta Europa. Os processos manuais de escolha, purificação e embalagem.

A Ribeira Grande. A escavação natural das água vindas da serra em direcção ao mar. O aproveitamento magnifico das margens, convertidas em lugares aprazíveis de lazer e convívio entre povos. As pessoas. Clara, a contagiante melodia das palavras.

E Rabo de Peixe. O lugar maldito, onde a vida se faz ao mar. Tido como perigoso, povoado por inadaptados da comum das gentes da ilha. Bêbados , arruaceiros, oportunistas que obrigam os filhos a não faltar à escola para não lhes cortarem os subsídios estatais, pescadores invejosos, ladrões, piratas. Tudo isto me foi dito. Mas, a avaliar pela obrigação de mandar os filhos à escola, tenho esperança na regeneração.

 

 

registed by: Samuel Dabó

 

19
Mar08

NA ILHA TERCEIRA A PRIMEIRA- Parte 1

samueldabo

O Baptismo de voo ia acontecer naquele dia, Domingo, que amanhecera limpo de nuvens à vista, de temperatura amena e sem chuva.

A impaciência e algum receio à mistura, pensamentos cruzados de tragédias, despachar a bagagem e mais um café, um cigarro, o relance de olhos pelas lojas, o som de línguas distantes, rostos serenos espreitando as noticias de jornal.

O avião, visto de fora, era imenso, de linhas graciosas, a frente fazendo lembrar um pássaro gigante de aspecto benigno., e doce No interior assemelhava-se a um autocarro de grandes dimensões. Confortável. Tinha pedido lugar à janela para poder visionar todos os pormenores da partida e da chegada. Emoção.

No avião, há janela, por cima das nuvens, desfazem-se mitos de tradição evangélica. Denso infinito embaciado por nuvens de estranhas formas que cortam as asas da aeronave e a fazem estremecer de emoções.

Olho os castelos, formas abstractas, surrealistas, gotículas de água, microscópicas, agregadas por cósmica energia e suspensas, vogando ao sabor de ventos, constituídas em reservas de água para alimentar a vida. Paisagem alucinante, com o Sol a reflectir-se nas asas humedecidas dum objecto que foi sonho. Voar.

O recorte da Ilha a desenhar-se, miraculosa, na aparente infinitude de água que a cerca. A espuma branca do mar que ressalta da investida contra as escarpas a pique. Barcos  tão pequenos que parecem de brincar.

As pistas, a nossa e a deles onde aviões de carga se refazem da jornada. Aviões com sabor a guerra.

O ar fresco da manhã. A emoção indescritível de pisar um solo distante que também é Portugal. As ilhas.

O homem do táxi. Como te chamas? Que importa. Retenho o orgulho de seres Português e Ilhéu . A hospitalidade. O brio da profissão.

-Se não tem pressa, pelo mesmo dinheiro até Angra, levo-o a uma curta visita.

Acedi sem constrangimentos. Perdoa, amigo, mas como continental desconfiado, não pude deixar de confrontar, mais tarde, o preço da tirada, com outros colegas teus. E tinhas razão. És um homem bom para quem o lucro não está acima da humanidade que queres ser.

A cidade da Praia da Vitória,num leve declive até ao mar. As linhas harmoniozas das rua e da arqitectura . A velha igreja. Nemésio. A Virgem Negra no seu pedestal no alto do morro sobre a marina,  onde subimos para ver a amplitude das referências que querias dar-me a conhecer.

A base, o bairro dos Americanos, o aeroporto, a cidade. a praia de areia escura, os prados divididos com precisão geométrica. Histórias da tua vida, a saúde, os mecânicos exclusivos da insularidade, em cartel.

 

 

registed by: Samuel Dabó

 

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