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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

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exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

13
Jun09

MEMÓRIAS DA GUERRA - A CIDADE - O PALUDISMO - SODOMIA

samueldabo

Era a primeira vez que viajava de avião, uma nave bojuda, movida a hélices potentes, voando baixo sobre a mata luxuriante de magia, que parecia querer cair  a cada instante e mergulhar no vazio, quando passava por turbulências do ar.

Manuel António, sentado entre caixotes de mercadorias, vestido de gente, era como se fosse de férias, a tez amarelecida pelo medo.

Conseguira esta fuga breve de ir à cidade, os dentes  eram um motivo bastante, a dignidade, os medos, o direito de recusa não, mas os dentes eram um motivo bastante.

A cidade era um deslumbramento ante os seus olhos, há mais de um ano convertidos ao sol e à floresta, ao pó e à condição expectante de viver, ao perscrutar nocturno dos ruídos.

Alugou um quarto no hotel e deambulou pela cidade em busca de sorrisos. Jantou num restaurante e comeu ostras na esplanada junto ao mar, viu mulheres Atlânticas que pareciam estrelas de cinema, dizia-se que enganavam os maridos metidos no mato.

Ao longe ouviam-se rebentamentos de granadas, ouvia-se dizer que era a psico do inimigo, flagelar as mentes até à possível rotura. Lúgubres, trooommm, trooommm e após um breve silêncio, de novo trooommm. trooommm, incessantes.

Patentes intermédias passeavam-se fardados de divisas e galões, imponentes, austeros, como se a carne deles fosse indiferente à penetração de balas e estilhaços, como se não apodrecesse do mesmo modo que a do básico, do soldado.

Altas patentes recolhidas em seguras moradias ou escoltadas por diversos seguranças, como quando comandavam do alto dos céus, na falsa segurança das avionetas, e olhavam a fila de pirilau esbatida no terreno poeirento ou alagadiço das bolanhas.

Sentiu a euforia de ouvir a voz de Alexandra, tremia enquanto marcava o número, tinham combinado tudo com tempo entre cartas, mas não sabia se havia algum motivo contrário.

A voz da telefonista:

_Troncas...

Era assim, repetiu o número três vezes com medo de se ter enganado e ouviu a voz que dizia, falem...

Alexandra!...meu amor

_Que alegria meu querido, que emoção. Tenho saudades...

As vozes dele e dela embargadas, emaranhados na linguagem confusa que pareciam reaprender de novo, querer dizer tudo e as palavras amontoadas em sobressaltos gritantes, movediças nas gargantas sequiosas. Disseram amor, os olhos dele e dela ofuscados pelo sal de lágrimas de alegria.

E de repente o silêncio abrupto entre o alarido de vozes desesperadas que aguardavam a vez. Ficou a voz dela ecoando na penumbra que se fez no seu pensamento. Apanhar qualquer coisa e partir, o vento, e partir...

De regresso a casa, que é como dizer, ao mato onde teria de viver mais alguns meses, a lancha pernoitou num aquartelamento de uma pequena aldeia, onde encontrou um companheiro de escola. Abraçaram-se emotivamente e foi convidado para um jantar de saborosas ostras que tinham apanhado durante a tarde. Lembrar a infância, o mar, a outra mata tão serena que os assustava ao entardecer.

Foi então,  já no calor do álcool que tudo transforma em absurda ingenuidade, que o amigo lhe contou como, com o beneplácito de furriéis e oficiais, se dedicavam a enrabar miúdos, para satisfação da libido e fugindo à responsabilidade de violar ou deflorar miúdas, altamente proibido pela moral, quer a local, quer a oficial.

Manuel António ficou estarrecido, o outro tentava justificar, que lhes davam em troca gasóleo que era para eles um bem altamente precioso e depois, ficariam mais miúdas livres para o futuro...se os putos virassem paneleiros.

Os olhos do outro encovados entre a cavidade onde se escondiam uns olhos pequeninos e já sem brilho, olhos mortos, olhos absorvidos pela insanidade ambiente.

Saiu para a noite, passos trémulos, cambaleante entre destroços pelos cantos das sombras que a luz difusa do candeeiro expandia mortiça.A saída era às seis da manhã.

Adormeceu em sonhos pavorosos, gritos, acusações tremendas, armas que se disparavam sozinhas, vales de grande profundidade e Alexandra num dos extremos, inacessível. Rostos moribundos de negros acusadores desde há milénios e crianças de olhar dócil, submissas.

Acordou entre suores e dores do corpo alucinantes, olhou o relógio e eram, 7 horas.

Acreditou que talvez tivesse havido algum contratempo, mas a  lancha tinha partido e só havia outra dentro de 5 a 6 dias.

Manuel António passou o dia acabrunhado, sem forças ou alento de dentro, mais uma semana sem correio, a palavra amante e indutora da esperança, para mais agora que se sentia encurralado em ambiente hostil, afogado em dúvidas sobre o que fazer.

E sobreveio a doença temida, terrível, o paludismo, três dias na cama entre vómitos e suores, apenas pão e água, a sopa vomitava como qualquer outro comer, havia uma conserva de ananás que era tolerada, mas tão doce que lhe provocou enjoo ao terceiro dia, e depois tinha de a pagar e eram escassos os recursos. Sentiu a falta dum carinho de mulher.

 

 

 

 

 

Era a primeira vez que viajava de avião, uma nave bojuda, movida a hélices potentes, voando baixo sobre a mata luxuriante de magia, que parecia querer cair  a cada instante e mergulhar no vazio, quando passava por turbulências do ar.

Manuel António, sentado entre caixotes de mercadorias, vestido de gente, era como se fosse de férias, a tez amarelecida pelo medo.

Conseguira esta fuga breve de ir à cidade, os dentes  eram um motivo bastante, a dignidade, os medos, o direito de recusa não, mas os dentes eram um motivo bastante.

A cidade era um deslumbramento ante os seus olhos, há mais de um ano convertidos ao sol e à floresta, ao pó e à condição expectante de viver, ao perscrutar nocturno dos ruídos.

Alugou um quarto no hotel e deambulou pela cidade em busca de sorrisos. Jantou num restaurante e comeu ostras na esplanada junto ao mar, viu mulheres Atlânticas que pareciam estrelas de cinema, dizia-se que enganavam os maridos metidos no mato.

Ao longe ouviam-se rebentamentos de granadas, ouvia-se dizer que era a psico do inimigo, flagelar as mentes até à possível rotura. Lúgubres, trooommm, trooommm e após um breve silêncio, de novo trooommm. trooommm, incessantes.

Patentes intermédias passeavam-se fardados de divisas e galões, imponentes, austeros, como se a carne deles fosse indiferente à penetração de balas e estilhaços, como se não apodrecesse do mesmo modo que a do básico, do soldado.

Altas patentes recolhidas em seguras moradias ou escoltadas por diversos seguranças, como quando comandavam do alto dos céus, na falsa segurança das avionetas, e olhavam a fila de pirilau esbatida no terreno poeirento ou alagadiço das bolanhas.

Sentiu a euforia de ouvir a voz de Alexandra, tremia enquanto marcava o número, tinham combinado tudo com tempo entre cartas, mas não sabia se havia algum motivo contrário.

A voz da telefonista:

_Troncas...

Era assim, repetiu o número três vezes com medo de se ter enganado e ouviu a voz que dizia, falem...

Alexandra!...meu amor

_Que alegria meu querido, que emoção. Tenho saudades...

As vozes dele e dela embargadas, emaranhados na linguagem confusa que pareciam reaprender de novo, querer dizer tudo e as palavras amontoadas em sobressaltos gritantes, movediças nas gargantas sequiosas. Disseram amor, os olhos dele e dela ofuscados pelo sal de lágrimas de alegria.

E de repente o silêncio abrupto entre o alarido de vozes desesperadas que aguardavam a vez. Ficou a voz dela ecoando na penumbra que se fez no seu pensamento. Apanhar qualquer coisa e partir, o vento, e partir...

De regresso a casa, que é como dizer, ao mato onde teria de viver mais alguns meses, a lancha pernoitou num aquartelamento de uma pequena aldeia, onde encontrou um companheiro de escola. Abraçaram-se emotivamente e foi convidado para um jantar de saborosas ostras que tinham apanhado durante a tarde. Lembrar a infância, o mar, a outra mata tão serena que os assustava ao entardecer.

Foi então,  já no calor do álcool que tudo transforma em absurda ingenuidade, que o amigo lhe contou como, com o beneplácito de furriéis e oficiais, se dedicavam a enrabar miúdos, para satisfação da libido e fugindo à responsabilidade de violar ou deflorar miúdas, altamente proibido pela moral, quer a local, quer a oficial.

Manuel António ficou estarrecido, o outro tentava justificar, que lhes davam em troca gasóleo que era para eles um bem altamente precioso e depois, ficariam mais miúdas livres para o futuro...se os putos virassem paneleiros.

Os olhos do outro encovados entre a cavidade onde se escondiam uns olhos pequeninos e já sem brilho, olhos mortos, olhos absorvidos pela insanidade ambiente.

Saiu para a noite, passos trémulos, cambaleante entre destroços pelos cantos das sombras que a luz difusa do candeeiro expandia mortiça.A saída era às seis da manhã.

Adormeceu em sonhos pavorosos, gritos, acusações tremendas, armas que se disparavam sozinhas, vales de grande profundidade e Alexandra num dos extremos, inacessível. Rostos moribundos de negros acusadores desde há milénios e crianças de olhar dócil, submissas.

Acordou entre suores e dores do corpo alucinantes, olhou o relógio e eram, 7 horas.

Acreditou que talvez tivesse havido algum contratempo, mas a  lancha tinha partido e só havia outra dentro de 5 a 6 dias.

Manuel António passou o dia acabrunhado, sem forças ou alento de dentro, mais uma semana sem correio, a palavra amante e indutora da esperança, para mais agora que se sentia encurralado em ambiente hostil, afogado em dúvidas sobre o que fazer.

E sobreveio a doença temida, terrível, o paludismo, três dias na cama entre vómitos e suores, apenas pão e água, a sopa vomitava como qualquer outro comer, havia uma conserva de ananás que era tolerada, mas tão doce que lhe provocou enjoo ao terceiro dia, e depois tinha de a pagar e eram escassos os recursos. Sentiu a falta dum carinho de mulher.

 

 jrg

 

15
Ago08

ANDANÇAS PÚBERES

samueldabo

_Perdeste o ano pela segunda vez consecutiva e vais trabalhar. Não temos condições para andares a brincar na escola.

Pedro, os olhos no chão de cimento, soltando lágrimas de raiva por não ter sido capaz. Olhos grandes, escuros entre pestanas largas.  Mas pronto, iria trabalhar, no que houvesse, logo se veria, o sonho adiado. Ser defensor dos fracos, de todos os pobres que via de olhos no chão, como ele agora, no momento em que a mãe lhe apontava a incúria de mais um ano perdido em namoricos e visitas expectantes ao Castelo de onde olhava a cidade imensa do outro lado do mundo que conhecia, e sonhava a ponto de quase adormecer .

A escola grande sempre o intimidara. As calças de ganga remendadas, as camisas ou camisolas eram diferentes das dos outros rapazes, mais feias, sem brilho, as botas doíam-lhe os pés,  tinha joanetes e pé chato, o desconforto  de não ter um lanche, sendo o almoço fraco, confeccionado de véspera,  comido nas ameias do Castelo. De história até gostava. O problema foram as faltas, os namoricos.

Arranjou trabalho com o Matias que tinha um negócio de fazer blocos de cimento para a construção de casas. Agora sim, iria criar músculo, crescer. Ser homem.

Pedro era um rapaz frágil de constituição baixa e escasso de carnes. O cabelo negro sobre a testa, desfeita a  onda com a secagem da água com que molhava o cabelo para acomodar os remoinhos que teimavam em permanecer, espigando os pelos  que sobressaíam do restante acomodado pela água.

A cara borbulhosa do acne e uns pelos faseados que faziam o seu orgulho de parecer homem grande, homem feito.

Namorava a sobrinha da dona da mercearia que lhe arranjava o tabaco. Era uma namorada tímida como ele, que corava quando a tentava beijar nas faces, ou lhe dava a mão em plena rua. Chamava-se Sofia e tinha uma boca acentuada pelos dentes sobrepostos.

O primeiro dia passou na aprendizagem do manuseio das ferramentas de molde.

Os homens que o conheciam diziam entre gargalhadas que o Matias era maricas.

_Olha que o gajo tem o cu cheio de merda seca! E riam-se...

Pedro, olhos no chão ouvia e precavia-se, para dentro de si. Que com ele não contasse. Ouvia os rapazes falarem de ir aos paneleiros, através das dunas mais distantes, nos côncavos  de areia que o vento cavava. Mas nunca fora. Tinha nojo.

O Matias  contratara o rapaz de olhos postos na braguilha onde lhe adivinhava um membro farto e sedutor. Os olhos brilhavam-lhe de satisfação. Logo pela manhã já estava bêbado.

Pedro virava a areia com a pá, maior que ele, tantas de areia tantas de cimento, um pouco de água, aprender a que era suficiente, para a massa ficar no ponto nem muito grossa nem muito fina, no ponto. Colocar massa nas calhas das formas, bater com a ferramenta indicada, raspar os excessos, tirar os ferros que formavam os buracos e abrir o molde de ferro. Era como fazer bolos com o balde na areia da praia. Não ele, que nunca tivera baldes, só latas velhas que achava nas ruas de areia do bairro onde vivera em criança.

Ao terceiro dia, o Matias fez um intervalo e foi até à barraca onde guardava as ferramentas e chamou Pedro para que o ajudasse.

Pedro olhou de frente,pela primeira vez olhava alguém de frente, olhos nos olhos, o Matias a babar-se, os olhos esbugalhados pelo vicio, pelos vícios, a baixar as calças, a tocar-lhe no sexo que andava sempre firme dos pensamentos que tinha, das calças apertadas que o comprimiam de encontro ás pernas. Pedro disse que não. E o Matias insistente, que lhe pagava mais cinco escudos por cada vez. Pedro a fazer contas. O Matias pagava-lhe dez escudos por um dia esforçado  de trabalho e cinco pelo vício de sexo!...Insistiu que não,que ele, Matias não se lavava.

O outro, possesso de desejo, implorava-lhe que o deixasse então chupar-lhe o membro hirto que se avolumava sob as calças, aumentando o desejo do velho que se babava e mexia no sexo de Pedro, com as mãos calejadas, grossas, poderosas.

Vencido, Pedro acedeu, tirou o sexo pela braguilha das calças. Matias ficou louco e sôfrego enfiou-o pela boca em chupadas loucas de desejo e lascívia. Foram momentos breves.

Pedro enojou-se e a pila murchou, secou a febre. Matias deu-lhe os cinco escudos e mandou-o regressar ao trabalho.

Pedro fez o resto do dia em ânsias para chegar a casa, lavar-se. Sentia um nojo pela figura asquerosa do velho. Uma pressão intensa na cabeça como não tinha sentido antes.

Meteu na sua cabeça que nunca mais. Se ele tentasse, se forçasse vinha embora, ou dava-lhe com a pá na cabeça.

_Pedro!...

Era o pai que o chamava. Regressava do trabalho a pé e passara por perto.

_Estás vermelho, aconteceu alguma coisa?

_ Não pai,apenas que cresci bastante, hoje. E gostava de arranjar um trabalho melhor.

 Pedro, onze anos, a muscular-se fazendo blocos para a construção de casas.

12
Fev08

MEMÓRIAS DA GUERRA (D)

samueldabo

Era uma menina de olhos grandes e escuros, corpo franzino, esguio e  uns seios pequenos a despontar no peito desnudo. Frágil andarilha nas extensas bolanhas circundadas de capim alto e protector. Era uma figura ágil, graciosa, bem enquadrada na emblemática paisagem, ao fundo, nos seus nove dez anos de vida.

O amendoim é uma fonte importante na riqueza da Aldeia, cabendo às mulheres essa tarefa árdua da apanha, antes que as chuvas cheguem.

O furriel Delfim, há muito que observava Assumane Baldé. Seguia-a sempre que o ócio o permitia. E lá estava ele, olhos lascivos. Ausente da realidade deixada há muitos meses na grande metrópole.

Era um jovem magro, a três morena, do sol impiedoso que surgia todos os dias com a mesma intensidade. Tórrido.

Os olhos fixos na presa indefesa que se movia em passos curtos, o pano subido, entreaberto, deixando entrever parte das coxas e adivinhar o fruto da gula de Delfim.

Tinha-a contratado como lavadeira e quando Assumane ia entregar a roupa, por mais de uma vez, tentou arrastá-la. Ao que a menina, abrindo muito os olhos de espanto, recusava dizendo:

- Não, meu furriel. Sou bajuda.

Agora ela estava ali, ao seu dispor e sem gente à vista. Foi caminhando na sua direcção.

"hoje não me escapas", proferiu entre dentes.

Escondido, pelo capim, Manel , o básico, observava os movimentos de Delfim, e , mexia-se ,rebarbativo., de olhos esbugalhados.

Assumane,distraida , só deu pela presença de Delfim quando este a agarrou pela cintura e a deitou por terra.

-Não, meu furriel, sou bajuda.

IIndiferente , Delfim procurou satisfazer a torrente de desejo há muito contida, arrancando o pano com sofreguidão animal, sem afectos. E penetrando, rasgando o anus estreito de Assume. Arfante, decrépito de razão, numa mistura de sangue e esperma.. Tromm .

Uma explosão, e outra. Num momento tudo se apagou na sua mente febril, deixou a menina inerte e fugiu, ora correndo ora rastejando, para o abrigo do quartel.

Assume, ali ficou por instantes, aparvalhada pela violência sofrida, sem perceber o que se passava, levantou-se tentando ver alguém que lhe valesse, chorando, chorando. Tromm , Tromm , novas explosões a circundar o quartel, uma das granadas caiu no meio da parada. Soldados correndo aos seus abrigos. Vozes de comando. Mais tiros, explosões, atropelos. Medo.

E Assume sozinha, no exterior do quartel, sem forças nem defesas, chorando, chorando,apanhada em fogo cruzado, sem tempo para viver. Até que, como se vinda de Deus, uma granada de morteiro desfez o que restava do seu corpo franzino de menina.

 

 

 

registed by: Samuel Dabó

 

 

 

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