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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

09
Mai08

AMIGOS !...

samueldabo

Amigo

preciso dos cem euros que aí tens

senão

sou posto fora

não pagando a renda já vencida

e os juros pedidos

pela demora

Lamento amigo sabes

que sou teu

do coração

mas o cem euros que trago

aqui nesta carteira

são para pagar o fato e

a gravata

E os outros

alguns milhões

na conta aprazada

são para prevenir

que não me calhe

aquilo que agora

a ti te calha

05
Abr08

PAIXÃO EM ANGRA DO HEROÍSMO . Cont.6

samueldabo

Mariana, jovem advogada, filha única de uma família de classe média, sabia-se possessiva e com desejos inexplicáveis de posse. O que era seu. Partilhar nada. Só o que fosse possível colher quando ela própria se expandia em acessos de verdadeira loucura apaixonada.

Sabia-se bonita e cultivava a aparência , ultrapassando qualquer que fosse o obstáculo, por mais difícil .

Na barra do tribunal, não se coibia de humilhar colegas e arguidos com um sorriso arguto, por vezes sarcástica, senhora que era de influências importantes no meio judicial e da investigação.

Olhos castanhos claros, rasgados num rosto moreno, bem maquilhada, os lábios de um rosa exuberante, cabelos castanhos em revolução, caracóis , farripas ao vento.

Gostava de sessões exaltantes e prolongadas de sexo.

Alguém lhe dissera um dia que era hipersensível , ninfomaníaca ...

Tinha conhecido Alberto nas idas à livraria. A forma apaixonada como ele falava de livros e autores A presença afável, atenciosa, os olhos que a hipnotizavam . O corpo , másculo. Mas sobretudo a voz. O espírito inocente quando lhe dizia que só casava com uma mulher virgem. Quanto muito, semi -virgem. E ela rira-se divertida.

-O que é isso de semi --virgem?

Perguntara maliciosamente, na iminência de o encurralar .

E ele, Alberto, a voz trémula, quente, indiciando vergonha.

-Uma pessoa que não tenha tido relações sexuais há pelo menos doze meses, é, para mim, semi virgem. É como se fora a primeira vez. Pode até ser considerado um fetiche.

E de como ela lhe mentia, porque a entusiasmava mentir-lhe, quando ele falava na teoria do amor absoluto. Amarem-se como um só.

Mariana. A sala vazia. A passar em memória lenta, os curtos meses de casamento com Alberto, que desaparecera.  O empregado da livraria disse que ele fora para a Ilha. Qual Ilha?

Os momentos de grande excitação sexual. Não podia queixar-se. Aí ele cumprira. As discussões quase diárias e ela sem vontade de se esforçar, como ele queria, para alcançarem um traço de união, uma consubstanciação de valores comuns.

E, por fim, esse caso absurdo do irmão dele. Meteu-se na droga? Que se safe. Não era ela que iria manchar a sua reputação, por um caso perdido

Agora trocara-a por uma ilhoa , soubera ontem, e isso não lhe perdoava.

Assinara o divórcio, sem complicar, porque também ela queria sentir-se livre, desimpedida.

Conhecera Santiago, um jovem elegante, físico poderoso, másculo, a respirar sensualidade, num julgamento por tráfico de droga. Conseguira a absolvição graças aos seus argumentos dilatórios e a outros atributos.

Festejaram, no quarto do hotel onde ele se hospedara. Foi uma noite de exaustão a raiar um sadomasoquismo mutuo. Exaltante.

Ficou a saber que Santiago era de S. Miguel, divorciado e que alimentava vingar-se do que ele dizia ser uma traição pós traumática. A ex mulher andava de amores com um tal Alberto do Continente.

Mariana ficou estupefacta. Também ela, agora, com um ilhéu, para si era suficiente, como amor próprio, como vingança.

- Se nós aparecêssemos por lá, ligados, em apoteose.

Santiago olhou-a fixamente, avaliando a recepção dela. O até onde estaria disposta a ir.

-Não, eu tenho um plano que vou pôr em prática quando regressar, mas preciso de apoio jurídico , um apoio interessado, engajado.

E foi descrevendo, com minúcia, como pensava raptá-la, Carla. A ele não importava Alberto. Mas a morte de Carla, uma morte acidental que não o comprometesse, instalara-se na sua mente.

Para Mariana ficou claro que a morte de Carla afectaria profundamente Alberto. Senti-lo a sofrer. Vivo. Visitá-lo na livraria. Fixa-lo  na sua solidão. Provocá-lo.

-Está bem. Dou o meu acordo, isto é, podes contar com a minha colaboração jurídica . Também eu não quero saber dessa vaca para nada, não me aquece nem arrefece a sua morte, mas quanto ao que restar de Alberto, pago para assistir.

E Santiago a explicar o plano, de como tinham cavado uma gruta no Ilhéu das cabras, lugar ermo e frio, a poucos metros da costa, As correntes fortes. O rapto a acontecer em Angra, aproveitando o hábito que eles tinham de se passear à noite, sozinhos , distraídos, confiantes. E  transportá-la para o Ilhéu onde, sem comer e beber, nem os ossos ficarão por vestígio . Os olhos brilhantes com laivos de sangue. Um sorriso malandro nos lábios cerrados, finos, mas belo, no seu conjunto. E voltaram a envolver-se demoníacamente, sedentos de alcançar o inacessivel. Mentes perturbadas.

 

 

04
Abr08

AS PESSOAS ENAMORAM-SE, CASAM, TÊM FILHOS E DEPOIS MORREM

samueldabo

As pessoas enamoram-se. Casam. Têm filhos. E depois morrem.

Ele: estar nos braços descomprometidos da amante. A novidade dos aromas e da conquista. As palavras que levantam a sua auto-estima. Não ouvir diariamente que é um desarrumado, que não faz nada em casa. Levar as crianças. à escola Ir ao hipermercado. O aspecto descuidado, da legitima, quando em casa, a cozinha , a limpeza da casa . O cabelo em desalinho.

O contraste da boa disposição continuada,  da amante. O mistério dos encontros furtivos. Sempre fresca e ataviada para o receber. A descoberta de novos desafios voluptuosos

Ela: O legitimo faz tudo a contragosto. Não dá o devido valor ao esforço que faz para manter a casa arrumada, as roupas lavadas e engomadas. O desleixo nas  finanças familiares. Só quer sexo. Não se importa com o seu cansaço. Desiludiu-a. O amante é carinhoso. Diz-lhe as palavras que ela gosta de ouvir. Enaltece as suas qualidades, o seu valor como mulher e gosta de fazer sexo com ela. Admira o seu corpo jovem. Não vê estrias, nem deformações celuliticas .

Atavia-se quando sai aos encontros furtivos e veste a bata da submissão, quando volta.

Se ousassem reflectir, um no outro, e dizer olhos nos olhos o que dizem aos amantes.

E acreditassem que o amor é uma chama que se alimenta de amor e não de substitutos viciados, desviantes.

Que um homem, uma mulher, não são meras quotas de uma sociedade comercial e cultivassem os valores subjacentes de cada um.

 

 

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