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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

12
Out10

ESTA GENTE QUE SOMOS...PORTUGAL!... - I

samueldabo

 

a alma da gente Portuguesa
nascida de entre sangue e flores
é um cruzamento da natureza
que realça o ódio e os amores

imagino um povo pária acossado
na história chamado Lusitânia
vindo sei lá donde esperançado
de escapar à barbara tirania

tribos pré celtas e mais iberos
que nestas terras se fixaram
depois galaico lusitanos perros
que os romanos arduamente conquistaram

após a queda do Romano Império
suevos vândalos visigodos
alamos búrios mouros vitupério
da original virtude a rodos

desta mistura o sangue se apurou
uma pitada de cartagineses
e fenícios de visita que chegou
eis quem somos nós os Portugueses

depois de mal contidos na nação
zarpamos pelos mares adentro
na ânsia da conquista pelo pão
se foi agravando nosso tormento

cruzámos espécies em nome de deus
cuidando que seriam apagados
por todo o mundo descobrimos céus
de amor e morte foram povoados

o que aprendemos foi a artimanha
de viver em caos e permanente
sábios de bazófia alguém nos ganha
só quando encurralam nossa gente

então fazemos logo de mendigos
são outros não nós que maldizemos
fossos que cavámos são antigos
não é nosso o buraco que ora fizemos

iletrados distraídos na jactância
deixamos sair grandes crânios
atraídos pelo fausto da ganância
exportamos suco importamos sucedâneos


autor: jrg
10
Mar10

MULHER LIVRE

samueldabo

 

Como é possível no mundo haver

 Olhos belos tanta tristeza

Apenas por ser uma mulher

E tida por de maior fraqueza

 

Quando vejo os olhos dela

Que rutilam sorridentes

Senhora de saberes tão bela

Lanço gritos estridentes

 

É mãe mulher amante

E livre no pensamento e ser

Não há homem por mais tratante

Que não lhe deva viver

 

Quando vejo os olhos dela

Entre estrelas cintilantes

De natureza tão bela

Seus perfumes fascinantes

 

Que vileza cobardia nela bater

Violentá-la no eu na mente

Todo o homem que se ri do seu sofrer

É um aborto gorado má semente

 

 Quando vejo os olhos dela

Doces lânguidos meigos de ternura

Mal posso imaginar que sendo bela

Seja vítima de maus tratos de tortura

 

Que lentidão para reconhecer

Sua dinâmica e força superior

Quanto tempo pode durar para viver

Na era da mulher plena a seu favor

 

Quando vejo os olhos dela,

Na luz do sorriso, radiantes

Exorto a criadora pura e bela

A aproximar os mundos tão distantes

 

Que absurdo este legislar

Sobre direitos absolutos naturais

Nada pode impedir uma mulher de dar

Educação e sentido aos homens colossais

 

Quando vejo os olhos dela

Azuis ou verdes pretos castanhos

Ou de outras cores que a fazem bela

Incito-a a libertar-se de medos estranhos

 

Que toda a mulher se permita a ousadia

De ser o rosto sonhado da justiça

Não só cantada em versos de dúctil poesia

Mas tida em conta como mais valia ética

***

Quando vejo os olhos dela

Febris de amor ou sofrimento

Fico suspenso de saber se de tão bela

É agora chegado o seu momento

 

autor: JRG

 

 

19
Nov08

A UM DESAFIO DA J. DO BLOG SOUMINHA

samueldabo
Desafio Literário!

 

 

O desafio é para que leiam. Se são muito jovens, leiam o que puderem, procurem estilos, conteúdos, formas de dizer, enredos. Excitem-se com os conhecimentos do passado, o romantismo...Não temam os autores profundos que nos revolvem as entranhas, que desmistificam conceitos inventados para nos castrarem face à realidade. E a realidade é nada. Não sabemos nada, mas o que formos sabendo de nós vai-nos perpetuando este sentimento de felicidade, de alegria de saber de ir sabendo...

 

Não vou atribuir lugares de ordem aos três livros que se pede no desafio, porque são todos primeiros.

 

Desde logo, ALEGRIA BREVE, de Vergilio Ferreira, uma obra que pode ser um romance ou uma dissertação sobre o homem numa dimensão extensa da sua singularidade face aos elementos.

A obra coloca-nos perante a possibilidade da solidão absoluta. Um homem, uma mulher e um cão, são os últimos habitantes de uma aldeia perdida entre fragas, para além das quais, fragas, cadeia de montanhas, florestas de coníferas, a vida continua.

E o homem reflecte sobre si no dia em que enterra a sua mulher, debaixo da velha figueira onde ela impusera que o fizesse, como último desejo.

O cão que ladra aos fantasmas que assomam nas portas escancaradas da aldeia. E ele, o homem, enfim só, infinitamente só, a visitar casa por casa, os nomes dos que lá habitaram, que influíram na vida dele, a evidenciar-se ele, como a essência da aldeia ou do homem que é, porque sabe que há vida, do lado de lá do vale em que se encontra...

 

E MEMÓRIA DAS MINHAS PUTAS TRISTES, de Gabriel Garcia Marquez, que eu interpreto como uma ode  ao amor na sua pureza mais sublime.

Um homem de 90 anos que nunca amou uma mulher ou um outro homem. Ter-se-á amado a si próprio? Que nunca se sentiu amado. Viveu sempre em indiferença face a este sentimento tão belo.  Satisfazia-se de sexo, enquanto necessidade biológica, em casas de prostituição.

No dia do seu aniversário, ano 90 da sua existência, ele decide oferecer-se uma virgem como prenda, uma prostituta iniciada e recorre a uma anfitriã do negócio, sua velha conhecida.

A menina é bonita, asseada, 16 anos? o quarto lúgubre e repleto de histórias de sexo, de dramas de impotência, de satisfações irracionais.

Ela despe-se e deita-se sobre a cama. E ele fica-se a olhá-la, as pernas bem torneadas, as ancas, os pelos sobre e em volta do sexo ainda virgem, o umbigo perfeito, as maminhas rijas, como botões de rosas, os lábios com um leve tom de rosa, os olhos amedrontados a ganharem confiança. Experimenta a sensação dos aromas, o cheiro do corpo, de dentro do sexo. Não lhe toca, e ela adormece. Ele coloca as moedas ao lado do corpo, como sempre fizera e remira-a em toda ela, de fora dela. A sua alma a interiorizar um sentimento profundo, desconhecido. Adormece e quando acorda, ela tinha desaparecido.

Havia uma rusga por toda a cidade sobre as ilegalidades do comércio do sexo. E ele em desespero bate as casas que conhecia, que frequentara, em busca da menina que amara, que começara a amar, que o ensinara, ou desabrochara dele, o amor...

 

E a fechar, A VIOLA ,de michel del castillo, onde o autor procura evidenciar a besta que existe na pessoa humana, em cada um de nós, que permanece em nós adormecida, por vezes e de como  ela se solta, nos transforma, em momentos de viragem da nossa subconsciência, ou provocada por factores externos,  ou de nós cansados de nos vermos reflecidos como um não ser,  ou provocados pela ignorância de agentes que nos são próximos, intimos...

 

 Gostava de saber os eleitos literários de:

  Estou_Estupefacta 

 Nayoko Nakamura 

07
Out08

OUTUBRO ROSA - O CANCRO DA MAMA E O SUBLIME DE SER MULHER

samueldabo
 

Há  doenças que nos afectam, que nos deprimem, causam dor e morte de gente que faz falta, a quem sente a falta, de quem sente a falta. Destaco hoje, agora, o cancro da mama, porque nem sempre mata fisicamente, mas destrói imagens coloridas, arruína projectos, desfaz amores que pareciam consolidados, reduz um ser de mulher a uma farripa de nada que ainda é ser, ostracizada, rejeitada como imprestável. 

Os seios são, do corpo feminino, o órgão mais cobiçado e o mais maltratado, pelo parceiro masculino nos jogos ditos de amor.

Alguns  homens gostam de peitos fartos, duros, outros gostam de seios mais equilibrados, mas querem seios pertinentes, para saciarem os ditos prazeres ou angústias,  a falta ou o excesso , no primeiro contacto com o peito materno. Frustrações...

Na relação sexual, servem-se dos seios selvaticamente, apertam, sugam, ferem. E pretendem que estejam sempre duros, proeminentes, à disposição da sua gula libidinosa.

As mulheres fazem o que podem para os manter altivos. Sabem que é um ponto importante de dar e receber prazer. Têm filhos. Têm dores. Mas insistem em tudo fazer para agradar e ser agradadas. Em geral, as mulheres têm um orgulho desmedido nos seus seios. Até usam uma peça especifica para os manter suficientemente elevados, como faróis sedutores que ostentam e prometem os restantes atributos não visíveis . Vão a massagens, enchem-nos ou reduzem-nos, por processos cirúrgicos,  numa corrida vertiginosa, não já para serem diferentes, mas para serem mais iguais.

E de repente, por má formação congénita, por tanto terem sido maltratados nos momentos de paixão, por força dos laços genéticos, de per si ou no todo, eis que o impensável  acontece. O bicho temível , corrosivo,  que só  sabíamos nos outros, que não foi detectado a tempo , ou que foi, mas era do tipo expansivo, intratável, toma conta, sem apelo, do seio da mulher.

A mulher que se vê obrigada a suprimir um dos seios ou os dois, sofre um rude golpe a todos os níveis sensoriais do seu ser e ainda constata , muitas vezes, que não passava de um objecto de prazer para o seu par. Quantas vezes abandonada quando mais precisava.

A perda deste símbolo da sua feminilidade e maternidade, causa distúrbios insanáveis que devem obter de nós o melhor da nossa humanidade. E muitas vezes são abruptamente excluídas e sofrem em silêncio, acarinhadas por uma palavra amiga ou a sós, no silêncio de todos os silêncios sem resposta.

Apelo ao homem, ao mais profundo da sua humanidade, para que se interiorizem desse sofrimento e não abandonem o projecto de amor.. Antes o consolidem por mais esta razão.Porque a vida sem alma não tem nem faz sentido.

Apelo a que estejam na segunda linha, na insistência para que os seus amores façam os diagnósticos precoces que podem evitar o deflagrar da doença com os danos irreparáveis conhecidos, porque na primeira linha devem estar as próprias mulheres. É delas que se trata

O amor, a amizade, a ternura, devem prevalecer sobre a ablação. Sorrir , confiar na grandeza da sua condição de mulher geradora da vida. Confiar nos designios da alma e encetar novos caminhos, que serão sempre de índole superior.

Que sei eu disto? Deste drama?

Quíz apenas interromper silêncios. Dizer que estamos aqui e não te excluímos. E embora talvez tarde, agarra a nossa mão e sorri.

Associo-me a esta campanha Universal  da FEMAMA: "OUTUBRO ROSA" colhido no blog da minha amiga Astrid Annabelle, a quem saúdo pela sua humanidade e edito o seu post alusivo ao tema no Brasil e no Mundo. Blog Navegante do Infinito em                            http://astrid-annabelle.blogspot.com

As minhas saudações Astrid e a todas as mulheres...

 

 

 

Outubro Rosa

 

 
O Outubro Rosa nasceu há dez anos nas Cidades de Yuba e Lodi, na Califórnia (EUA). Desde então, vários outros lugares do mundo vêm aderindo ao movimento, que tem como objetivo conscientizar as mulheres sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, enfermidade que vai afetar a vida de mais de 49 mil brasileiras até o final deste ano.

Não é difícil curar o câncer de mama se ele for diagnosticado em fase inicial, quando o tumor é ainda pequeno para ser detectado ao ser palpado. “Nesses casos, as chances de cura chegam a 95%”, diz Fernando Alves Moreira, presidente do Colégio Brasileiro de Radiologia.

Na maior parte do País, infelizmente, a doença é descoberta já em estado adiantado, quando as chances de cura são bem menores. Essa é a razão pela qual o câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres no Brasil. “A mamografia é o principal instrumento para diminuir a mortalidade por câncer de mama”, afirma Alves Moreira.

No resto do mundo não é diferente. Por isso, diversos países já se engajaram no Outubro Rosa, como Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, França, Grécia, Itália, Israel e Austrália.

Durante um mês, várias ações de conscientização voltadas ao grande público lembram as mulheres da luta global contra o câncer de mama. Palestras, eventos, estandes instalados em locais de grande circulação, distribuição de material informativo, são algumas delas.

Outubro Rosa no Brasil

Lançado em 1° de outubro no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, com a presença da jornalista Glória Maria, embaixatriz da Femama, e Maira Caleffi, sua presidente, o Outubro Rosa conta com ações em seis capitais do País.

Pela primeira vez, iniciativas semelhantes às realizadas no resto do mundo acontecerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Brasília.

Em outubro, eventos organizados pela Femama vão alertar sobre a importância da mamografia anual para o diagnóstico precoce, a todas as mulheres com mais de 40 anos.

“É fundamental que toda mulher tenha acesso à mamografia anual após os 40 anos, só assim haverá um impacto real nas estatísitcas de mortalidade da doença”, afirma Ivo Carelli, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional São Paulo.

O mundo fica cor-de-rosa

O Outubro Rosa vem transformando os mais conhecidos pontos turísticos do mundo. Em Paris, a Torre Eiffel e o Arco do Triunfo tingem a cidade-luz com um toque feminino durante as noites de outubro.

Em Milão, o Teatro Scala, uma das mais famosas casas de ópera do mundo, tem a sua construção iluminada com a cor-símbolo da luta contra o câncer de mama.

O mesmo acontece com o Empire State Building e o Rockefeller Center, em Nova York, dois dos mais famosos edifícios na Big Apple. Em Londres, a tradicional loja de departamentos Harrods também enfeita a sua fachada na Brompton Road.
http://www.mulherconsciente.com.br/

 

 Este texto foi copiado do blog:  http://astrid-annabelle.blogspot.com


 

22
Set08

MOVIMENTO PIJAMINHA (PARA O IPO)

samueldabo

Do espaço Astrológico

http://espelhodevida.blogspot.com

Causas de todos

 




Movimento Pijaminha (para o IPO)

São necessários (principalmente) pijamas para as crianças que estão no
Instituto Português de Oncologia a fazer tratamentos de quimioterapia.
Após os tratamentos, os pijamas ficam muito sujos e gastam-se
rapidamente.
Esta ideia surgiu há dois anos e hoje já é apelidada de *Movimento
Pijaminha* pelo sucesso que têm tido os esforços conseguidos!
As necessidades existentes passam pela falta de pijamas, pantufas,
chinelos, meias, robes e fatos de treino.
Para todos a vida não está fácil, mas dentro das possibilidades de
cada um há sempre espaço para participar, comprando ou obtendo junto
de amigos e familiares agasalhos que já não sirvam.
No ano passado foram entregues 76 pijamas e o IPO ficou muito
satisfeito com esta dádiva.
Este ano vamos repetir a façanha, e se possível ultrapassar este número.
Se divulgarem já estão a ajudar!!!

 

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Correspondendo ao apelo veículado pela minha amiga Ana Cristina Corrêa Mendes em

http://espelhodevida.blogspot.com.

As minhas felicitações, a minha solidariedade, a minha partilha de espaço na divulgação.

Um apelo especial ao Clube Mammy onde por certo muitos pijaminhas farão a diferença

 

22
Ago08

TER UM BLOG E O MSN

samueldabo

Ter um blog é um fascínio que que atormenta adolescentes, jovens e e adultos amadurecidos pelas vivências, que vêm uma oportunidade de comunicação, como se estivessem a coberto duma massa enorme de gente que tudo  lhes permite dizer, deixando-os permanecer no anonimato.

Ter um blog é poder expressar-se de dentro de si, autênticos, apaixonados pelas palavras que soltam e se comportam anarquicamente nas mais díspares direcções e entram nas mentes que as lêem e as interpretam e fazem juízos de valor, de personalidade, de imagem.

Eu, por exemplo, procuro nas palavras ver imagens de almas inquietas. Não me preocupa se os corpos são formosos, se os rostos são lindos, se são jovens ou pessoas maduras. O que procuro é a simbiose do belo. O drama e a beleza. A procura e o achado. A incerteza e a convicção. A melancolia e a alegria. Procuro amor e ausência. Procuro a totalidade, a essência do homem. E é com paixão que escrevo as palavras que edito. Umas vezes românticas, para que se extasiem, outras acutilantes, bravias, para que se reflictam, outras ainda, afrontosas dos conceitos instituídos, para que se transformem.

Não procuro amantes, não procuro partir corações. Não provoco nem alimento paixões Procuro amizades puras na orgia singela das palavras. Procuro estender a minha mão de palavras a quem em desespero de si, as palavras possam constituir uma mola de se elevarem, um indicador de mudança do seu próprio sentir a vida.

A minha imagem, sem foto, consta da montra de perfil do meu blog. É autêntica. É o que eu sou.

Algumas pessoas que me lêem, julgo, deixaram-se inebriar pelas palavras que escrevo, sem lhes desmistificar o sentido e o tempo. Se eu escrevo memórias da guerra, é porque vivi a guerra. Deixam-me comentários de ternura que eu aprecio como amizade sã. Exulto, até, de alegria, porque as sinto, às pessoas, belas no todo de si. E comento os seus textos de igual modo, fervorosamente convicto do seu valor humano, das suas qualidades de escrita.

Tive amigas que quiseram experimentar outro tipo de comunicação, por ser mais no momento que se pergunta e obtém resposta. O MSN de facto, torna a escrita mais fluida, o pensamento  mais lesto. É como se estivéssemos a falar no silêncio das palavras. Quase as podemos ouvir, respirar. E levaram-me a aderir a esse modo de comunicação.

O MSN tornou-se, sem eu querer, num desmistificador de mim e dos outros, porque lhe adicionei uma fotografia minha. Eu mesmo.

Neste momento tenho quatro amigas convidadas no MSN e não falo com nenhuma, após uma primeira intervenção rápida. E não falo porque elas se foram, perdi-as sem uma palavra E dói-me tê-las perdido. porque lhes tinha amor de amigo.

 

15
Ago08

ANDANÇAS PÚBERES

samueldabo

_Perdeste o ano pela segunda vez consecutiva e vais trabalhar. Não temos condições para andares a brincar na escola.

Pedro, os olhos no chão de cimento, soltando lágrimas de raiva por não ter sido capaz. Olhos grandes, escuros entre pestanas largas.  Mas pronto, iria trabalhar, no que houvesse, logo se veria, o sonho adiado. Ser defensor dos fracos, de todos os pobres que via de olhos no chão, como ele agora, no momento em que a mãe lhe apontava a incúria de mais um ano perdido em namoricos e visitas expectantes ao Castelo de onde olhava a cidade imensa do outro lado do mundo que conhecia, e sonhava a ponto de quase adormecer .

A escola grande sempre o intimidara. As calças de ganga remendadas, as camisas ou camisolas eram diferentes das dos outros rapazes, mais feias, sem brilho, as botas doíam-lhe os pés,  tinha joanetes e pé chato, o desconforto  de não ter um lanche, sendo o almoço fraco, confeccionado de véspera,  comido nas ameias do Castelo. De história até gostava. O problema foram as faltas, os namoricos.

Arranjou trabalho com o Matias que tinha um negócio de fazer blocos de cimento para a construção de casas. Agora sim, iria criar músculo, crescer. Ser homem.

Pedro era um rapaz frágil de constituição baixa e escasso de carnes. O cabelo negro sobre a testa, desfeita a  onda com a secagem da água com que molhava o cabelo para acomodar os remoinhos que teimavam em permanecer, espigando os pelos  que sobressaíam do restante acomodado pela água.

A cara borbulhosa do acne e uns pelos faseados que faziam o seu orgulho de parecer homem grande, homem feito.

Namorava a sobrinha da dona da mercearia que lhe arranjava o tabaco. Era uma namorada tímida como ele, que corava quando a tentava beijar nas faces, ou lhe dava a mão em plena rua. Chamava-se Sofia e tinha uma boca acentuada pelos dentes sobrepostos.

O primeiro dia passou na aprendizagem do manuseio das ferramentas de molde.

Os homens que o conheciam diziam entre gargalhadas que o Matias era maricas.

_Olha que o gajo tem o cu cheio de merda seca! E riam-se...

Pedro, olhos no chão ouvia e precavia-se, para dentro de si. Que com ele não contasse. Ouvia os rapazes falarem de ir aos paneleiros, através das dunas mais distantes, nos côncavos  de areia que o vento cavava. Mas nunca fora. Tinha nojo.

O Matias  contratara o rapaz de olhos postos na braguilha onde lhe adivinhava um membro farto e sedutor. Os olhos brilhavam-lhe de satisfação. Logo pela manhã já estava bêbado.

Pedro virava a areia com a pá, maior que ele, tantas de areia tantas de cimento, um pouco de água, aprender a que era suficiente, para a massa ficar no ponto nem muito grossa nem muito fina, no ponto. Colocar massa nas calhas das formas, bater com a ferramenta indicada, raspar os excessos, tirar os ferros que formavam os buracos e abrir o molde de ferro. Era como fazer bolos com o balde na areia da praia. Não ele, que nunca tivera baldes, só latas velhas que achava nas ruas de areia do bairro onde vivera em criança.

Ao terceiro dia, o Matias fez um intervalo e foi até à barraca onde guardava as ferramentas e chamou Pedro para que o ajudasse.

Pedro olhou de frente,pela primeira vez olhava alguém de frente, olhos nos olhos, o Matias a babar-se, os olhos esbugalhados pelo vicio, pelos vícios, a baixar as calças, a tocar-lhe no sexo que andava sempre firme dos pensamentos que tinha, das calças apertadas que o comprimiam de encontro ás pernas. Pedro disse que não. E o Matias insistente, que lhe pagava mais cinco escudos por cada vez. Pedro a fazer contas. O Matias pagava-lhe dez escudos por um dia esforçado  de trabalho e cinco pelo vício de sexo!...Insistiu que não,que ele, Matias não se lavava.

O outro, possesso de desejo, implorava-lhe que o deixasse então chupar-lhe o membro hirto que se avolumava sob as calças, aumentando o desejo do velho que se babava e mexia no sexo de Pedro, com as mãos calejadas, grossas, poderosas.

Vencido, Pedro acedeu, tirou o sexo pela braguilha das calças. Matias ficou louco e sôfrego enfiou-o pela boca em chupadas loucas de desejo e lascívia. Foram momentos breves.

Pedro enojou-se e a pila murchou, secou a febre. Matias deu-lhe os cinco escudos e mandou-o regressar ao trabalho.

Pedro fez o resto do dia em ânsias para chegar a casa, lavar-se. Sentia um nojo pela figura asquerosa do velho. Uma pressão intensa na cabeça como não tinha sentido antes.

Meteu na sua cabeça que nunca mais. Se ele tentasse, se forçasse vinha embora, ou dava-lhe com a pá na cabeça.

_Pedro!...

Era o pai que o chamava. Regressava do trabalho a pé e passara por perto.

_Estás vermelho, aconteceu alguma coisa?

_ Não pai,apenas que cresci bastante, hoje. E gostava de arranjar um trabalho melhor.

 Pedro, onze anos, a muscular-se fazendo blocos para a construção de casas.

11
Ago08

UM ABSOLUTO DE AMOR

samueldabo

- Porque me dizes que os meus olhos são tristes se os sinto altivos? Se são altivos que eu quero que os vejas, que os vejam!

Mas são tristes, porque te leio a alma que eles me permitem alcançar, penso, no silêncio que fizemos, que construímos na areia como castelo efémero das nossas brincadeiras de criança

A minha cabeça assenta sobre as tuas pernas e as minhas mãos percorrem-nas num gesto absortivo. Estou levemente inclinado de modo a absorver todo o teu cheiro. E é um sabor intenso a cheiro intenso, que me vem do interior de ti através do teu sexo que os meus olhos observam arfante, por entre as pernas que mantens abertas.

É uma noite quente de Agosto e a praia arde da azáfama dos pescadores, em lances sobre lances, porque o'peixe é escasso.

-Mas se sou tão alegre. Não me sentes alegre, o meu sorriso permanente.  E amo-te, como podes ver tristeza nos meus olhos. Insistes e sorris.

Agitas-te e o cheiro recrudesce de intensidade. És tão bonita. Doentiamente bonita. muito bela, meu amor.

Sim o teu sorriso inquieta-me porque te acompanha desde que nasceste, ou desde o primeiro momento em que sorriste. E é estranhamente igual nas três outras gerações que te complementam. O teu sorriso que seduz quem ousa fixar-se nos teus lábios. Quando beijo os teus lábios, é um sabor a cheiros imprevistos, como quando beijo o teu sexo e sorvo de ti os fluídos libertos do prazer.

Mas os olhos, meu amor, refulgem da alegria dum momento e mergulham na tristeza da dúvida, quando de ti, vindo de dentro de ti, esbatem na incerteza do amor, de saber o que amas, a quem amas e como consubstanciar esse amor que sentes, que por vezes te sufoca de ardores imensos, na tríade de almas que te disputam.

- És louco! - dizes, e os teus olhos brilham no escuro. Há muito que decidi essa dúvida de que te falei em tempos. É a ti que eu amo. É contigo que quero viver a eternidade do que me resta. Realizar-me como mulher, a teu lado, sob o teu olhar apaixonado.

As tuas mãos alisam-me o cabelo húmido do cacimbo que cai, ou é do mar que a aragem traz a humidade que nos penetra docemente, porque é fresca, suavemente fresca.

Deitaste-te para traz e a minha boca procura de ti a fonte de tais cheiros e sabores que me inebriam e elevam-me ao ponto zero do pensar. Afasto a queca do teu sexo e beijo-te. O sabor a cheiro e o cheiro a sabor, trocados mas como um só, íntimos de mim, de nós,beijo e lambo e sorvo e tu, meu amor, irresistível, absorves de mim a seiva que se vai libertando a cada chupadela, fazes que mordes, divertes-te. Imagino que sorris, que cheiras igualmente de mim os cheiros e os sabores, que serão de teor diferente, mas que se compatibilizam em ti.

E estamos como um só ser, poderosos em nós, etéreos na paixão que nos absorve em fluidos de amor. Vens-te e eu venho-me em êxtase e num súbito movimento de amor, os nossos lábios voltam a encontrar-se e os beijos sôfregos que trocamos e em que se misturam os sabores do esperma e dos fluídos que libertámos, sabores que cheiram a amor de nós e em nós. Num absoluto de amor.

06
Ago08

POESIA ERRADIA II

samueldabo

 

 

 

 

                        

 

  a um filho morto  

 

Ontem a comoção foi da espessura dum susto

duma árvore correndo

vertiginosamente para dentro do desastre

 

E já não choramos. Passamos

sem que o mais acurado apelo

nos decida

 

Nas camisas

teu monograma desanlaça-se.

Tua mão vê-o nos céus nocturnos

sabe que há uma ígnea

chave algures

 

Minha tristeza não tem expressão visível

como quando a chuva cessa

sobre a dádiva fugaz do nosso sangue

que hoje embebe a terra

 

É tal a ordem em nós

que um odor a bafio sai de nossas bocas

e uma teia de aranha interrompe o olhar

que te envolveu

 

 

 

 

de Sebastião alba


 

30
Jul08

MEMÓRIAS DA GUERRA-GANDEMBEL

samueldabo

 

Era manhã cedo como de costume e o sol ainda se ocultava nas brumas da aurora fresca e húmida que não tardaria em transformar-se numa fornalha irritante, tanto faz que houvesse sombra. O ar rarefeito. Os mosquitos sedentos volteando à volta do pescoço, à espera das primeiras gotículas de suor.

Hoje tocara-lhe a ele, Manuel António, picar a estrada de areia amarela e poeirenta. A estrada que tomava o nome de picada, não sei ser por ter sido tantas vezes perfurada pelas varas metálicas, pontiagudas que tremiam, por vezes, nas  mãos morenas de jovens de olhar estático e cortante.

O rumo, a rota, o destino, era em frente, seguindo a estrada sangrenta. Só o comandante da coluna sabia. Os guias negros da milícia, eram informados na hora da partida. A longa fila de camiões GMC, carregados de viveres. De armas e munições. Esperança e morte. De quê? De quem? O ruído dos motores, o cheiro do gasóleo, a suor, a fumo que vinha da Tabanka. Os olhares que escondiam mistérios dos meninos negros e de negro. Os dentes brancos, cuspindo no chão à nossa passagem.

Manuel António sente o coração bater desordenado. As têmporas já latejam e doem. Os olhos febris que olham em redor e não vêm. A alma inquieta. Uma perna, os testículos, o corpo a alma, ou só um dos pés. Tudo era possivel dependendo de ser uma mina anti-pessoal ou um fornilho anti carro. No caso do fornilho nem a alma escapava. Tudo feito em merda, como o Dabó, o grande comandante milícia que dera a vida por eles, por ele.

A coluna inicia a marcha a passo lesto até alcançar o ponto limite onde a segurança é feita com o coração.

O grupo da frente são uns dez soldados de varas de aço ás costas, como se foram enxadas. Conversam entre si, à procura de descontrair os nervos à flor da pele. Não tremer. Não pensar.

A picada tem curvas e grandes árvores ladeiam-na de um e outro lado. Em cada uma das bermas seguem em fila os homens de verde salpicados de castanho. No meio os camiões e os dez condenados da linha da frente. É uma linha silenciosa e cada um remete-se à sua solidão de si, para si. A vara espeta a terra, se está rija um pé no local da picada e pica mais à frente, e o outro pé avança.. São poucos mas longos os quilómetros a vencer.

Pica, pé, pica outro pé. Pica pé, pica outro pé. pica, pé, pica outro pé. Interminável.

Manuel António está tenso e pensa em Cristina, a bela Cristina que o espera inteiro. Não deve pensar , mas pensa. Não pode pensar, mas pensa. Pé ante pé. pensa.

Cristina dissera.lhe, lábios nos lábios que ele ia voltar. Cerejas, sim, eram cerejas os sabores dos lábios dela. Vermelhas. Mas vermelho é morte. E o outro de si, mas também é vida. A morte e a vida na consciência de um acto de picagem de terra batida ou remexida. Atenção. A dureza pode ser um embuste. Se houver um fornilho estou feito. Podem colocar a mina com antecedência, regá-la com mijo, deixar que endureça.

O sol já marcha e não corre aragem. Mosquitos. Cristina. Gritar a angústia, o medo. Dizer não, saltar o muro de silêncio. Os macacos riem-se? Ou gritam espavoridos? Ele, eles,  macacos domesticados por Deus, ou em nome de Deus. Os outros também têm Deus. Um mesmo Deus senhor da Terra e dos animais. Um Deus poderoso, omnipotente e justo. Como justo? Quer uns quer outros interrogam-se, sobre a justeza de se matarem uns aos outros, de se armadilharem ignominiosamente.

A guerra, qualquer guerra é uma humilhação do homem. Ele sempre fora pacifico, mas irritava-se, por vezes. Sentia a impunidade com que se cometiam fraudes e atentados à dignidade. Considerava-se um humanista. Herdeiro do humanismo subjacente à  Revolução Francesa. Ir a Paris, um sonho de anos. A Pátria da Liberdade. Paris em chamas de amor.

Pica, passo, pica, passo, pica, passo. Suor e sangue na sola dos pés e no calcanhar. Pés chatos, joanetes. Ainda pensara que se iria livrar. Pica, pé, pica, pé, pica, pé...

Chegaram ao perímetro de segurança, exaustos, os dez da frente. Psicologicamente exaustos.

Manuel António, os olhos em volta, desolação. E para dentro de si: Cristina, meu amor, mais uma etapa, dentro, onde a solidão se povoa e se transforma em alarido, contentamento.

Chegam ás portas do "quartel". Manuel António estaca, estarrecido, cambaleia, os olhos vidrados, comoção, medo, terror, incredibilidade do que vê.

Como toupeiras, nus, apenas uns calções esfarrapados. Os corpos escuros do sol, da poeira, suor, lama. As barbas negras e os cabelos crescidos, pré-históricos, urrando selvaticamente, possessos de humanidade, assaltam os camiões. sem ordem, sem protocolo, em busca de cerveja, ainda que quente, saltitam enquanto uns outros, incrédulos assomem dos buracos cavados no chão que lhes servem de caserna, de quarto, de abrigo. Coçam-se, esbracejam. Gritam e dizem palavras inteligíveis. Trocam abraços. Um grupo, perto, de olhos parados, sem tempo, sem luz. Olhos mortos. almas agarradas a um fio de memória que se recusa morrer.

Ninguém se conhece e são como irmãos. Mais que irmãos. Amam-se e não sabem que é amor o que sentem, porque se abraçam, se beijam. Dizem que sofrem ataques diários. Abalar psicológicamente. Ouvem-nos gritar por entre o som da metralha. Vêm pela calada da noite. Chamam-lhes nomes ofensivos. Espalham ódio. Não os querm destruir fisicamente, só abalar a psique, a altivez da cor da pele. Correr com eles, os nossos soldados. Nossos. De quem?

 

 

                                                                  

 

Hino a Gandembel

Gandembel das morteiradas,
Dos abrigos de madeira
Onde nós, pobres soldados,
Imitamos a toupeira.

- Meu Alferes, uma saída!
Tudo começa a correr.
- Não é pr’aqui, é pr’ponte!,
Logo se ouve dizer.

Oh!, Gandembel,
És alvo das canhoadas,
Verilaites (1) e morteiradas.
Oh!, Gandembel,
Refúgio de vampiros,
Onde se ligam os rádios
Ao som de estrondos e tiros.

A comida principal
É arroz, massa e feijão.
P’ra se ir ao dabliucê (2)
É preciso protecção.

Gandembel, encantador,
És um campo de nudismo,
Onde o fogo de artifício
É feito p’lo terrorismo.

Temos por v’zinhos Balana (3),
Do outro lado o Guileje,
E ao som das canhoadas
Só a Gê-Três (4) te protege.

Bebida, diz que nem pó,
Só chocolate ou leitinho;
Patacão, diz que não há,
Acontece o mesmo ao vinho!

Recolha: José Teixeira / Revisão de texto: L.G.
____

(1) Verylights
(2) WC
(3) A famosa ponte Balana
(4) A espingarda automática G-3

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