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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

19
Dez16

MEMÓRIAS DO TEMPO DAS FESTAS DE NATAL NA VILA ONDE CRESCI...A COSTA DE CAPARICA!...

samueldabo

MEMÓRIAS DO TEMPO DAS FESTAS DE NATAL
NA VILA ONDE CRESCI...A COSTA DA CAPARICA
***
Na vila da Costa da Caparica onde eu cresci, todos os anos pelo natal toda a gente estreava uma roupa nova...todos menos os filhos da Aldigundes porque eram duma pobreza extrema...havia arroz doce na mesa, filhós e rabanadas caseiras...e um brinquedo, nem que fosse de de madeira grosseira ou de lata com pintura esborratada...
*
Matava-se o Perú que todo ano se alimentara de minhocas e grãos no juncal...às vezes de restos de hortaliças...porque era o dia de comer carne em terra de peixe farto...
*
Lembro aquele natal em que, como habitualmente, não esperava ter os presentes dos meus sonhos de menino...noite dentro ouvi as vozes da mãe e do pai num sussurro de mistério...a noite era fria mas a curiosidade aquecia-me o corpo e a alma impacientes...
...

A Gisela.jpg

O João Paulo.jpg

 Estes da foto são a minha mãe natal e o meu pai natal

...
Foi no ano em que descobri que não havia pai natal...que afinal era o meu pai quem preenchia o sapatinho à meia noite com a prenda que podia comprar...acordei o meu irmão após o silêncio que indiciava que os pais se foram deitar e fomos junto à
árvore de natal onde tínhamos colocado as botas de cardas... vimos que as botas tinham presentes...e quando nos preparávamos para os desembrulhar, ouvimos a voz do pai a mandar-nos deitar...
*
A noite passou tão lentamente que doía de tanto imaginar o que estaria dentro daqueles embrulhos compridos que não se pareciam com nada...sonhos e pesadelos alimentaram o pensamento adormecido...voltas e mais voltas na cama de folhelho .*
Enfim era manhã...já o sol entrava pela janela e ouviam-se vozes vindas da cozinha...corremos para a árvore...cada qual à sua bota...rasgámos o embrulho...e... a nossos olhos deslumbrados, um revólver que parecia de verdade, grande, de cano
comprido, com o tambor cheio de balas e que rodava...um gatilho que ao disparar fazia um estalido seco...tal qual como os dos filmes americanos que, à socapa, já começáramos a ver...com coldres e tudo...o cinturão...não...não era sonho...
*
Só muito mais tarde é que aprendi o verdadeiro significado do natal e de como havia muitos mais filhos de Aldigundes que não estreavam roupa nem recebiam presentes...

Mas pronto...é uma tradição festiva...trocam-se presentes e comem-se iguarias...juntam-se famílias...algumas desavindas aceitam as tréguas e no calor do álcool até trocam abraços e sorrisos...por um dia descobrem a paz e o amor que trazem
escondidos o ano todo...
*
Amanhã é já outro dia e uma semana depois um ano novo...renova-se a esperança...acicata-se o ódio...a indiferença...mas há sempre alguém que se passa
para o lado do amor...um dia seremos humanidade a sério...acérrimos defensores da nossa dignidade humana e da dos doutros...para que ninguém fique do lado de fora da
festa...de todas as festas...um dia em que não haja guerra nem terror sobre os inocentes...
*
Boas festas para todos e activem a consciência...por um novo Humanismo!...
jrg
PS:
Obrigado meus pais Natal por me incentivarem a sonhar!...jrg

23
Set13

DOLORES

samueldabo

*
DOLORES
*
naquela bela e linda Primavera
de setenta e quatro
um mar de gente ondulando em euforia
festejava a quimera
de ao ver cair o poder atro
tocar o hino à alegria
*
corrias pela baixa Pombalina
Dolores tua ventura
atrás do tempo que inda demora
tão de tanto feminina
na vontade de ser mulher pura
ias pela estrada fora
*
não havia senão cravos por horizonte
e os teus cabelos louros
gritavam já por outra revolução
a que faria humana ponte
entre a pobreza e os grandes tesouros
porque  há amor no coração
*
eras mulher menina graciosa
rebelde à crueldade
e ao tempo adverso que te prendia
Dolores amiga dolorosa
cabelo ao vento rumo à liberdade
que o vento ainda não trazia
*
choro por ti amiga que partiste
sem ver a MÁTRIA decidida
tinhas razão o regime caíu mas o sitema vingou
olho a tua imagem que resiste
à flor da memória agora mais crescida
corro ao lado teu que me ficou
*
jrg
09
Jan13

SET'ESTROFES D'AMOR D'AMIGO...

samueldabo


óleo de Claude Monet
**
SET'ESTROFES D'AMOR D'AMIGO
***
linda amiga minha
tão querida
porque mal hás navegado
que meu coração retinha
saudades da tua vida
que de amiga me haveis dado
*
doce amiga minha
tão pura
que feitiço t'entristou
gritei amiga vidinha
por sentir tua amargura
minh'alma s'atormentou
*
amada amiga minha 
tão bela
trago-te mimos de presente
trata bem dessa vidinha
não quero perder essa estrela
que brilha tão reluzente
*
cai neve de algodão
tão alvar
neste tempo inverso de Natal
amiga do meu coração
ouço a cantiga do outro lado o mar
que fala de amor fraternal
*
mil beijos de alegria
dia cheio
saber de ti amiga tão imensa
encheu-me de poesia
que partilho contigo mais de meio
não há dor amiga que nos vença
*
mil sorrisos e abraços
chove sopra vento
soltam-se palavras de euforia
abrem-se portas regaços
amigos são mais dum cento
há festa de romaria
*
sete estrofes de amizade
quanto amor
quem se queixa da má sorte
não vê a felicidade
dum sentimento onde a dor
é uma amiga tão forte
autor: jrg
19
Mai12

O MEU SONHO É QUERER!

samueldabo
tela de Nuti...pinceladas
***
O MEU SONHO É QUERER...
*
quero viver
de uma humanidade sempre festiva
em que todos os que podem
façam mais um pouco sem muito sofrer
de alma inteira que a paixão aviva
para dar sem esperar que lhes retornem
dignidade aos que na vida querem ser
*
quero viver 
entusiasmado com a fértil descoberta
da cor que emana da humidade
do amor que brilha nos seres vivos e dizer
haja o que houver a minha mão aperta
para que ninguém mais aprisione a liberdade
e faça a alma entristecer
*
quero viver
sem preconceitos medos angustiantes
nem guerras ou ardis fatais
amar e ser amado até por fim morrer
por humanos animais e plantas fascinantes
sem inveja nem luxúria tão banais
ao vento à chuva faça o tempo que fizer
*
quero viver 
sem rendas nem ganhos sórdidos de usura
sem cidades do ambiente fracturantes
sem formas aberrantes de poder
brincar com a fauna e a flora da natura
onde todos sejam de si mais amantes
e não seja mais possível o sonho anoitecer
*
quero viver
sem ódio sem cobiça sem o vício d'ambição
sem nada a que chame mesmo meu
trocar tudo o que sou por um tanto de prazer
e dar ainda em troco uma porção
do que aprendi ao viver o que me aconteceu
cheio de esperança em cada alvorecer
autor: jrg
01
Mai12

PORQUE...

samueldabo
imagem de Maria Mariam que tanto admiro
*
PORQUE...
*
amor
não é uma palavra que se diga
futilmente
porque é um sentimento que implica dor
palavra amiga
amor é mar que chega a toda a gente
não digam se o não sentem por favor
autor: jrg
01
Mar12

MENINO...

samueldabo

 

 

 

foto pública tirada da net

***


MENINO

*

a força determinante

com que fixa o pensamento

ainda tão inocente

traz-me à memória o instante

 estrela no firmamento

que ilumina a minha mente

e atrai aura brilhante

 *

fascina-me a teimosia

de ser grande e tão ainda infante

aprendiz omnipotente

expressão maior da minha fantasia

força d'alma dum gigante

tão doce e carinhoso quando sente

com ternura a poesia 

 *

 olhar cumplice maroto

riso esfusiantemente cristalino

andar rectilíneo imponente

ser crescido é quanto basta ao meu garoto

para continuar a ser menino

acrescentar amor à ordem emergente

trilhar o caminho mais remoto

 

*

autor:jrg 

 

 

 

 

 

 

 

 

01
Mar12

MENINA...

samueldabo
foto pública tirada da net
*
MENINA
*
estou a vê-la brincar
idade de fantasia
a construir sonhos de realidade
às vezes quase a gritar
fala gesticula movimenta magia
olhos lindos na cidade
que me faz lembrar o mar
*
às vezes surpreendida
pelo meu olhar tão embevecido
atira-me um vai embora
com um sorriso belo mas sentida
de me ver assim travestido
de menino que ela tanto adora
a meio do sonho retida
*
findo o regalo da infância
volta a pedir colinho
exercita em mim a nova esperança
de ver crescer nela em relevância
o humanismo novo onde eu gatinho
desde quando era criança
a cumprir no tempo a circunstância
*
autor: jrg
04
Fev12

NA PRAIA...

samueldabo
 
 

Entre as ondas...manel ribeiro.jpg

Mar da Costa de Caparica

 foto de Manuel Ribeiro

 
{#emotions_dlg.orangeflower}
NA PRAIA...
***
na praia curei medos
cresci de amor chorei
no vai e vem das ondas
troquei segredos
do coração em choque sangrei
limei arestas tontas
desfiz e refiz enredos
maresias desfeitas parei
 chuvas ventos fogueiras redondas
 segregados degredos
 na praia me exorcizei
 das ideias imundas
 que polvilhavam gemidos

jrg
18
Dez11

ABSURDO MISTÉRIO...

samueldabo

foto pública tirada da net


*

ABSURDO MISTÉRIO...

*

estranho mistério
o da morte
que nos deixa impotentes
no vácuo 
da nossa indignação

*

mais estranho
quando alcança sem aviso
a nossa interioridade
nos arranca a parte mais dolorosa
de ser mulher e mãe

*

estranho porque atípico
sem sentido
quando nos toca a alma
e inunda de saudade
o pensamento a angústia infinita

*

porque estranho 
é o tempo que demora a viver
um ser inteiro
escravo do impudor
mítico da morte

*

mas uma criança
promissão de existir a crescer
um pedaço da alma
dos genes que de dentro recusam
o absurdo da morte

*

feridas abertas de mãe
insaráveis quietas
onde não mais a esperança
que acuda à revolta
implorando estranho perdão

*

estranha fragilidade
ante tanto domínio absoluto
raiva ódio violência
que o rio da morte arrasta
como um pesadelo

*

às vezes penso na morte
sob véu de seda 
bela à luz da transparência
e não aquele espectro
que leva à mãe a criança

*

outras imagino a resistência
que de dentro da alma
a vida cansada teima em refulgir
da tétrica mansidão
do sem sentido que nos incita a existir

*

amarrotados no medo
que nos eterniza no mito de deus
a quem confiamos o tudo
e o nada de que padecemos
a culpa o erro a vileza

*

estranhos mistérios
o da morte o do azar o da sorte
que nos trocam os passos
abstractas emanações que nos tocam
invasivas adúlteras secretas

*

jrg

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