Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

25
Jul10

RENASCIMENTO

samueldabo

amanhecer na alma do teu corpo
entrar suavemente no pensamento
sentir a dor a angústia
repelir tanto do teu medo
dançar a valsa do segredo
e ouvir dizer num sussurro
que amar é doloroso

quando se ama o que não deve
quando o que se ama é longe
e nos visita dentro do tempo
estragamos tanto
gratuitamente ou por capricho
a alimentar novo tormento
que sabemos inconclusivo

porque o amor é fogo
é tempestade é movimento
que se agita na bonança
e na dor que gera o medo
se agiganta na tristeza e na doença
porque é raiz e medra
mesmo quando parece morto

se uma brisa a aura ou um lamento
avivam a chama quase extinta
é como um cheiro acre de maresia
eufórico o coração desperta
os olhos tomam brilho os lábios mexem
e todo o corpo que na alma se agonia
levanta o verbo e ama em sintonia

que bom vê-la de novo a bela amante
soberana sobre a crista da onda imensa
cabelo ao vento vista cerrada
o coração em sangue borbulhando
deixar no rasto de espuma a nostalgia
erguendo a luz do sorrriso a esperança
por entre luas de estrelas cintilantes

 

autor:JRG

12
Jul10

ALEGRIA

samueldabo

XIX

 

sinto a tua alegria a descreveres em volta de ti o mar
na noite os teus olhos são meus guias
porque te afastas procuro-te por entre barcos e redes
estátuas sem mestres doutos que as dignifiquem
sigo o teu cheiro o som dos passos na areia fina
e rio das tuas gargalhadas quando te descobres
por entre a euforia dos teus gritos

é uma orgia fantástica dos sentidos
pasmo ante a tua mente visionária o assombro pela novidade
das pulgas do mar que saltitam entre os teus pés
colas-te o teu corpo no meu e beijas-me
tão bom beijar-te na noite...estendo a mão e és tu..estrela maior
a tua silhueta recortada na poalha da noite
o cacimbo fora e dentro da aridez do tempo

então lembras-te de um mergulho..a bênção do mar
uma espécie de baptismo pagão...do amor
tiras o vestido a lingerie que me atiras em desafio e corres
dispo-me apanhado na surpresa...eu devia saber
e sigo-te agora em evidência o teu corpo na luz das águas
chapinhas-me com os pés ...as mãos em concha..cascatas de água
e abraças-me enroscada num beijo longo...meu amor...digo

 

autor: JRG

02
Abr10

M Ã E ...

samueldabo

 

imagem net

 

{#emotions_dlg.bouquete}

 

 

Mãe...

em cada mulher que amo estás presente

há em cada uma um pouco de tua virtude

sendo universal criadora a que me sente

desde o romper do óvulo até à infinitude

 

Mãe...

és a mais bela e do meu ser fiel amante

deste-me tanto e eu tão pouco ainda tento

ser no orgulho de ti amor amor bastante

na alegria de viveres feliz sem sofrimento

 

Mãe...

mãe há quanto tempo não dizia que te amo

foi para isso talvez que criaram este teu dia

dizer-te que estás em mim quando te chamo

é ser em ti poema da mais bela poesia...

 

autor: jrg

 

 

nota:

Apresento, como sugestão de prenda para o dia da mãe, um poema personalizado, com três estrofes de quatro versos, encimado por uma imagem da mãe, impresso em papel conquereur de 100 gramas, com moldura a gosto do ofertante. Aceito encomendas de poemas.

10
Mar10

MULHER LIVRE

samueldabo

 

Como é possível no mundo haver

 Olhos belos tanta tristeza

Apenas por ser uma mulher

E tida por de maior fraqueza

 

Quando vejo os olhos dela

Que rutilam sorridentes

Senhora de saberes tão bela

Lanço gritos estridentes

 

É mãe mulher amante

E livre no pensamento e ser

Não há homem por mais tratante

Que não lhe deva viver

 

Quando vejo os olhos dela

Entre estrelas cintilantes

De natureza tão bela

Seus perfumes fascinantes

 

Que vileza cobardia nela bater

Violentá-la no eu na mente

Todo o homem que se ri do seu sofrer

É um aborto gorado má semente

 

 Quando vejo os olhos dela

Doces lânguidos meigos de ternura

Mal posso imaginar que sendo bela

Seja vítima de maus tratos de tortura

 

Que lentidão para reconhecer

Sua dinâmica e força superior

Quanto tempo pode durar para viver

Na era da mulher plena a seu favor

 

Quando vejo os olhos dela,

Na luz do sorriso, radiantes

Exorto a criadora pura e bela

A aproximar os mundos tão distantes

 

Que absurdo este legislar

Sobre direitos absolutos naturais

Nada pode impedir uma mulher de dar

Educação e sentido aos homens colossais

 

Quando vejo os olhos dela

Azuis ou verdes pretos castanhos

Ou de outras cores que a fazem bela

Incito-a a libertar-se de medos estranhos

 

Que toda a mulher se permita a ousadia

De ser o rosto sonhado da justiça

Não só cantada em versos de dúctil poesia

Mas tida em conta como mais valia ética

***

Quando vejo os olhos dela

Febris de amor ou sofrimento

Fico suspenso de saber se de tão bela

É agora chegado o seu momento

 

autor: JRG

 

 

16
Dez09

COMO SE FORA O SEU DEUS

samueldabo
num hiato do tempo estava o poeta sentado
o dia gélido quase nevava árido
os olhos em volta do silêncio calado
o papel a caneta a tábua sobre o joelho dorido
*****
tinha escrito em cartão sua mensagem
não peço esmola nem a dócil compaixão
escrevo poemas dentro de uma imagem
para prendas de Natal ou coração
*****
acha a massa humana a crueldade
daquela figura insólita exposta ao dia
frio que cortava a carne pelas ruas da cidade
escrevendo sobre o joelho a poesia
*****
passa alguém que que se detém e encomenda
trocam palavras riem-se batem os pés
o poema vai surgindo no papel a prenda
em versos ornamentados de outras fés
*****
estava sentado no adro da igreja
uma senhora distinta interpela o poeta
casa comigo sou rica para que mais ninguém veja
a figura imponente da tua imagem quieta
*****
o poeta disse que não queria tal riqueza
que se comprazia de ser da palavra um tesouro
que lhe deixasse usufruir do ar e da natureza
que são mais preciosos que todo o ouro
*****
a mulher rica primeiro pensou que era louco
depois nas palavras dele se iluminou
mandou parar o abate da floresta
que se fechassem os poços de petróleo pouco a pouco
que tudo começasse de novo onde acabou
que cessassem das guerras o que resta
*****
autor: JRG
24
Out09

NÉCTAR POÉTICO

samueldabo
bebo do néctar da tua poesia
embalo no ritmo das palavras o teu olhar
amar o que nos toca que mal fazia
se já amamos alguém sem lhe tocar

amor só tem uma diferença fantasista
quando não destrinçamos o real do ilusório
amamos o que o sonho colocou à nossa vista
ainda que o brilho seja de outro auditório

o amor pode ser fogo posto não sendo crime de ninguém
que nos atrai e sublima em palavras perfumadas
ou através de um olhar que julgamos ir mais além
somos tão frágeis no saber de nós almas plantadas

confiar nos sentidos e não sofrer por abalos ou desilusões
não ter medo de errar se a alma indecente nos induzir amor
somos mutantes autenticamos o belo da flor nos seus botões
que podem geminar sem provocar em nós o mesmo ardor

saúdo dentro de ti a esperança que renasce no mar revolto
saúdo a tempestade que transporta no âmago a bonança
saúdo a mulher que tem no olhar de menina o sonho solto
saúdo a poesia que encanta e corre lesta de esperança
 
autor: JRG
26
Set09

TEIAS QUE A ALMA TECE

samueldabo

ao ler o teu poema que é soneto
poesia sentimento de homem rico
medito na grandeza em que me meto
ao comentar na arte o que acredito

 

bebo nas almas que cantas erradias
almas sem cor ou língua militantes
do ser que sendo se evade em poesia
almas vagas de amores minhas amantes

 

amigo de cuja cadeia de palavras me encantas
na crista da onda memórias vogam milenares
numa epopeia que desafia tudo o que espantas
ondas arrebentam forjam ideias subliminares

 

assim o mundo em que acreditas

oculto no silêncio de almas devolutas

onde mergulho na ânsia que me espevitas

no desligar de teias mais astutas

 

autor JRG

22
Ago09

AMIZADES

samueldabo

quanto é bom sentir
que você preenche minha carência de amizade
e que de algum modo sente sem se iludir
que o meu toque é de ser amigo de verdade

um homem, uma mulher
podem ser o complemento ou a extensão
do ser completo que todo o homem quer
feito de paixão de amor de amizade e criação

feliz do ser que gera amigos
que sem falso pudor ama amigos concretos
saúdo os novos e os mais antigos
que ousam ser na vida mais completos

autor: J.R.G.

15
Ago09

QUE DEUS SOU OU SIGO

samueldabo

Que emoção a minha alma sente
por ter Sua presença aqui
tremenda a tempestade que há na mente
e tão fugaz acreditar que O segui

e que calafrio me provocaram
Suas palavras espiritualistas
sinais de fumo que O avistaram
pequenas tragédias que estão previstas

o homem mais ou menos sempre teve Deus
desde que gatinhando eclodiu no Universo
temeroso de tudo olhava fora de si os céus
e foi achando do medo um fim perverso

 

perdeu o medo aboliu de Deus soberania

sacrificou a terra ao seu poder infindo

desfez o mito da vida sempre eterna

fez-se ser que tendo está sempre desavindo

 

Deus pode até ser o homem de dentro de si

sábio e justo nos conceitos do bom senso

sem desvios em seu proveito como até aqui

aprendiz do ser que sendo  me pertenço

 

autor:j.r.g.

 

13
Jun09

MEMÓRIAS DA GUERRA - A CIDADE - O PALUDISMO - SODOMIA

samueldabo

Era a primeira vez que viajava de avião, uma nave bojuda, movida a hélices potentes, voando baixo sobre a mata luxuriante de magia, que parecia querer cair  a cada instante e mergulhar no vazio, quando passava por turbulências do ar.

Manuel António, sentado entre caixotes de mercadorias, vestido de gente, era como se fosse de férias, a tez amarelecida pelo medo.

Conseguira esta fuga breve de ir à cidade, os dentes  eram um motivo bastante, a dignidade, os medos, o direito de recusa não, mas os dentes eram um motivo bastante.

A cidade era um deslumbramento ante os seus olhos, há mais de um ano convertidos ao sol e à floresta, ao pó e à condição expectante de viver, ao perscrutar nocturno dos ruídos.

Alugou um quarto no hotel e deambulou pela cidade em busca de sorrisos. Jantou num restaurante e comeu ostras na esplanada junto ao mar, viu mulheres Atlânticas que pareciam estrelas de cinema, dizia-se que enganavam os maridos metidos no mato.

Ao longe ouviam-se rebentamentos de granadas, ouvia-se dizer que era a psico do inimigo, flagelar as mentes até à possível rotura. Lúgubres, trooommm, trooommm e após um breve silêncio, de novo trooommm. trooommm, incessantes.

Patentes intermédias passeavam-se fardados de divisas e galões, imponentes, austeros, como se a carne deles fosse indiferente à penetração de balas e estilhaços, como se não apodrecesse do mesmo modo que a do básico, do soldado.

Altas patentes recolhidas em seguras moradias ou escoltadas por diversos seguranças, como quando comandavam do alto dos céus, na falsa segurança das avionetas, e olhavam a fila de pirilau esbatida no terreno poeirento ou alagadiço das bolanhas.

Sentiu a euforia de ouvir a voz de Alexandra, tremia enquanto marcava o número, tinham combinado tudo com tempo entre cartas, mas não sabia se havia algum motivo contrário.

A voz da telefonista:

_Troncas...

Era assim, repetiu o número três vezes com medo de se ter enganado e ouviu a voz que dizia, falem...

Alexandra!...meu amor

_Que alegria meu querido, que emoção. Tenho saudades...

As vozes dele e dela embargadas, emaranhados na linguagem confusa que pareciam reaprender de novo, querer dizer tudo e as palavras amontoadas em sobressaltos gritantes, movediças nas gargantas sequiosas. Disseram amor, os olhos dele e dela ofuscados pelo sal de lágrimas de alegria.

E de repente o silêncio abrupto entre o alarido de vozes desesperadas que aguardavam a vez. Ficou a voz dela ecoando na penumbra que se fez no seu pensamento. Apanhar qualquer coisa e partir, o vento, e partir...

De regresso a casa, que é como dizer, ao mato onde teria de viver mais alguns meses, a lancha pernoitou num aquartelamento de uma pequena aldeia, onde encontrou um companheiro de escola. Abraçaram-se emotivamente e foi convidado para um jantar de saborosas ostras que tinham apanhado durante a tarde. Lembrar a infância, o mar, a outra mata tão serena que os assustava ao entardecer.

Foi então,  já no calor do álcool que tudo transforma em absurda ingenuidade, que o amigo lhe contou como, com o beneplácito de furriéis e oficiais, se dedicavam a enrabar miúdos, para satisfação da libido e fugindo à responsabilidade de violar ou deflorar miúdas, altamente proibido pela moral, quer a local, quer a oficial.

Manuel António ficou estarrecido, o outro tentava justificar, que lhes davam em troca gasóleo que era para eles um bem altamente precioso e depois, ficariam mais miúdas livres para o futuro...se os putos virassem paneleiros.

Os olhos do outro encovados entre a cavidade onde se escondiam uns olhos pequeninos e já sem brilho, olhos mortos, olhos absorvidos pela insanidade ambiente.

Saiu para a noite, passos trémulos, cambaleante entre destroços pelos cantos das sombras que a luz difusa do candeeiro expandia mortiça.A saída era às seis da manhã.

Adormeceu em sonhos pavorosos, gritos, acusações tremendas, armas que se disparavam sozinhas, vales de grande profundidade e Alexandra num dos extremos, inacessível. Rostos moribundos de negros acusadores desde há milénios e crianças de olhar dócil, submissas.

Acordou entre suores e dores do corpo alucinantes, olhou o relógio e eram, 7 horas.

Acreditou que talvez tivesse havido algum contratempo, mas a  lancha tinha partido e só havia outra dentro de 5 a 6 dias.

Manuel António passou o dia acabrunhado, sem forças ou alento de dentro, mais uma semana sem correio, a palavra amante e indutora da esperança, para mais agora que se sentia encurralado em ambiente hostil, afogado em dúvidas sobre o que fazer.

E sobreveio a doença temida, terrível, o paludismo, três dias na cama entre vómitos e suores, apenas pão e água, a sopa vomitava como qualquer outro comer, havia uma conserva de ananás que era tolerada, mas tão doce que lhe provocou enjoo ao terceiro dia, e depois tinha de a pagar e eram escassos os recursos. Sentiu a falta dum carinho de mulher.

 

 

 

 

 

Era a primeira vez que viajava de avião, uma nave bojuda, movida a hélices potentes, voando baixo sobre a mata luxuriante de magia, que parecia querer cair  a cada instante e mergulhar no vazio, quando passava por turbulências do ar.

Manuel António, sentado entre caixotes de mercadorias, vestido de gente, era como se fosse de férias, a tez amarelecida pelo medo.

Conseguira esta fuga breve de ir à cidade, os dentes  eram um motivo bastante, a dignidade, os medos, o direito de recusa não, mas os dentes eram um motivo bastante.

A cidade era um deslumbramento ante os seus olhos, há mais de um ano convertidos ao sol e à floresta, ao pó e à condição expectante de viver, ao perscrutar nocturno dos ruídos.

Alugou um quarto no hotel e deambulou pela cidade em busca de sorrisos. Jantou num restaurante e comeu ostras na esplanada junto ao mar, viu mulheres Atlânticas que pareciam estrelas de cinema, dizia-se que enganavam os maridos metidos no mato.

Ao longe ouviam-se rebentamentos de granadas, ouvia-se dizer que era a psico do inimigo, flagelar as mentes até à possível rotura. Lúgubres, trooommm, trooommm e após um breve silêncio, de novo trooommm. trooommm, incessantes.

Patentes intermédias passeavam-se fardados de divisas e galões, imponentes, austeros, como se a carne deles fosse indiferente à penetração de balas e estilhaços, como se não apodrecesse do mesmo modo que a do básico, do soldado.

Altas patentes recolhidas em seguras moradias ou escoltadas por diversos seguranças, como quando comandavam do alto dos céus, na falsa segurança das avionetas, e olhavam a fila de pirilau esbatida no terreno poeirento ou alagadiço das bolanhas.

Sentiu a euforia de ouvir a voz de Alexandra, tremia enquanto marcava o número, tinham combinado tudo com tempo entre cartas, mas não sabia se havia algum motivo contrário.

A voz da telefonista:

_Troncas...

Era assim, repetiu o número três vezes com medo de se ter enganado e ouviu a voz que dizia, falem...

Alexandra!...meu amor

_Que alegria meu querido, que emoção. Tenho saudades...

As vozes dele e dela embargadas, emaranhados na linguagem confusa que pareciam reaprender de novo, querer dizer tudo e as palavras amontoadas em sobressaltos gritantes, movediças nas gargantas sequiosas. Disseram amor, os olhos dele e dela ofuscados pelo sal de lágrimas de alegria.

E de repente o silêncio abrupto entre o alarido de vozes desesperadas que aguardavam a vez. Ficou a voz dela ecoando na penumbra que se fez no seu pensamento. Apanhar qualquer coisa e partir, o vento, e partir...

De regresso a casa, que é como dizer, ao mato onde teria de viver mais alguns meses, a lancha pernoitou num aquartelamento de uma pequena aldeia, onde encontrou um companheiro de escola. Abraçaram-se emotivamente e foi convidado para um jantar de saborosas ostras que tinham apanhado durante a tarde. Lembrar a infância, o mar, a outra mata tão serena que os assustava ao entardecer.

Foi então,  já no calor do álcool que tudo transforma em absurda ingenuidade, que o amigo lhe contou como, com o beneplácito de furriéis e oficiais, se dedicavam a enrabar miúdos, para satisfação da libido e fugindo à responsabilidade de violar ou deflorar miúdas, altamente proibido pela moral, quer a local, quer a oficial.

Manuel António ficou estarrecido, o outro tentava justificar, que lhes davam em troca gasóleo que era para eles um bem altamente precioso e depois, ficariam mais miúdas livres para o futuro...se os putos virassem paneleiros.

Os olhos do outro encovados entre a cavidade onde se escondiam uns olhos pequeninos e já sem brilho, olhos mortos, olhos absorvidos pela insanidade ambiente.

Saiu para a noite, passos trémulos, cambaleante entre destroços pelos cantos das sombras que a luz difusa do candeeiro expandia mortiça.A saída era às seis da manhã.

Adormeceu em sonhos pavorosos, gritos, acusações tremendas, armas que se disparavam sozinhas, vales de grande profundidade e Alexandra num dos extremos, inacessível. Rostos moribundos de negros acusadores desde há milénios e crianças de olhar dócil, submissas.

Acordou entre suores e dores do corpo alucinantes, olhou o relógio e eram, 7 horas.

Acreditou que talvez tivesse havido algum contratempo, mas a  lancha tinha partido e só havia outra dentro de 5 a 6 dias.

Manuel António passou o dia acabrunhado, sem forças ou alento de dentro, mais uma semana sem correio, a palavra amante e indutora da esperança, para mais agora que se sentia encurralado em ambiente hostil, afogado em dúvidas sobre o que fazer.

E sobreveio a doença temida, terrível, o paludismo, três dias na cama entre vómitos e suores, apenas pão e água, a sopa vomitava como qualquer outro comer, havia uma conserva de ananás que era tolerada, mas tão doce que lhe provocou enjoo ao terceiro dia, e depois tinha de a pagar e eram escassos os recursos. Sentiu a falta dum carinho de mulher.

 

 jrg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Pesquisar

Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2015
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2014
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2013
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2012
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2011
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2010
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2009
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2008
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2007
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    1. 2006
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D