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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

03
Mar13

MODAS !

samueldabo



MODAS
***
na moda do salto alto
mal dos pés
da mulher que a suporta
melhor andar em planalto
que vergada a ver se és
formosa de perna torta
*
na moda da saia curta
mal dos olhos
que buscam na nudez a sensualidade
que a brisa lhes faculta
a naufragar por entre escolhos
melhor fora a lealdade
*
na moda de qualquer perfume
mal do cio
que irrompe sem chegar a seu destino
à ânsia animal falta o lume
que impede o amor de ser tão frio
antes do natural odor em desatino
*
na moda do casamento
mal da paixão
espartilhada em posse e preconceito
desligada do amor é passamento
que resiste por tormenta ou sedução
ao libertino momento que aceito
*
na moda do livre amor
mal do conceito
que castra a dimensão do sentimento
sete pétalas de flor
amantes do belo com ou sem defeito
sem juras de juramento
*

jrg

15
Fev13

FLASHBEIJO

samueldabo
imagem pública na net
**
FLASHBEIJO

*
os nossos olhos
tocam-se
fascinantes fascinados
os rostos
frente a frente
nos peitos
o fogo arde intenso
propagando-se
pelo corpo e alma expectantes
tremem os lábios
cheiro-te e cheiras-me
toco de leve
provo-te e provas-me
deliciadamente 
os teus entreabertos
a frescura
o calor que abrasa os sentidos
húmidos dos teus sumos
as mãos ainda pousadas nos teus ombros
depois acontece
entontecidos pelo doce delírio
pura magia do fascínio
num turbilhão agitado de loucos
ausentes submersos
mergulhamos nas águas salivadas
trocam-se línguas
apertos dos corpos excitantes
o fogo lavra
os corações tocam a rebate
arfantes sôfregos
à procura talvez dum absoluto
em que as bocas de colem
mas não há paz na insaciabilidade
dos nossos beijos
de olhos fechados miríades de estrelas
projectam o abismo
da nossa insatisfação perene
Beija-me!
jrg
29
Jan13

QUERO EU LÁ SABER...

samueldabo
foto tirada da net
*
QUERO EU LÁ SABER...
***
desde há décadas
praticamos a indiferença
convictos d'autosuficiência
sedentários sendo nómadas
perdido sem a confiança
da ego consciência
*
se um vizinho padece de solidão
se a injustiça bate à porta dum bom amigo
se a morte desampara a criança
se alguém passa por nós e nos pede um pão
se me arrepio de frio sem abrigo
se me catam cada tempo na luz d'esperança
*
marginalizados
reformados pensionistas
e outros estratos
selectivamente amordaçados
somos egoístas
perdidos da razão cordatos
*
somos amorfos colectivamente
pueris povo astuto mas sem personalidade
apanhados nus e em flagrante
não será boa gente aquela que se não sente
no ar purificado da liberdade
no amor livre a paixão ardente do amante
*
quero eu lá saber
de um povo que se amedronte
do sul até ao norte
por um punhado de ladrões lhe bater
se gostam eu fico a monte
sou infiel ao medo até à minha morte
*
impotente para travar o roubo
irei à terra  e ao fundo do mar serei pastor
olhos nos olhos com a tirania
a vida é minha não cedi nem cedo o probo
da minha integridade e do amor
porque quero viver o meu fim com alegria
*
incitarei crianças
a se rebelarem contra o tirano
fundamentalistas
de cabelo rapado ou de tranças
fiéis ao amor humano
que deflagrará em actos terroristas
*
resisto à imobilidade dum povo
que arrasta o estigma da sua sofreguidão
a raça é a mesma não me iludo
bárbaros entre si e outros  o que reprovo
queria-os salvadores da nação
que lutassem de alma aberta e contudo
*
vejo a tirania a rir
sobre o sufoco dos mais puros
palavras bonitas a adejar
levo-as é o tempo certo de partir
saltarei os muros
com a coragem vencida de voltar
jrg
09
Jan13

SET'ESTROFES D'AMOR D'AMIGO...

samueldabo


óleo de Claude Monet
**
SET'ESTROFES D'AMOR D'AMIGO
***
linda amiga minha
tão querida
porque mal hás navegado
que meu coração retinha
saudades da tua vida
que de amiga me haveis dado
*
doce amiga minha
tão pura
que feitiço t'entristou
gritei amiga vidinha
por sentir tua amargura
minh'alma s'atormentou
*
amada amiga minha 
tão bela
trago-te mimos de presente
trata bem dessa vidinha
não quero perder essa estrela
que brilha tão reluzente
*
cai neve de algodão
tão alvar
neste tempo inverso de Natal
amiga do meu coração
ouço a cantiga do outro lado o mar
que fala de amor fraternal
*
mil beijos de alegria
dia cheio
saber de ti amiga tão imensa
encheu-me de poesia
que partilho contigo mais de meio
não há dor amiga que nos vença
*
mil sorrisos e abraços
chove sopra vento
soltam-se palavras de euforia
abrem-se portas regaços
amigos são mais dum cento
há festa de romaria
*
sete estrofes de amizade
quanto amor
quem se queixa da má sorte
não vê a felicidade
dum sentimento onde a dor
é uma amiga tão forte
autor: jrg
31
Dez12

A POESIA RESPONDE: PRESENTE !!!

samueldabo

imagem pública tirada da net

**

A POESIA RESPONDE:
PRESENTE !!!

***

a poesia
veste-se nas cores de sépia
transpira
troca a mera fantasia
que arrepia
dança a valsa quando toca o vira
*
a poesia
veste-se de adúltera
passa a perna
utiliza subtilmente a cortesia
rebola e espera
pela amizade fraterna
*
a poesia
veste-se de esperança
grita liberdade
exalta a visão da miopia
na mão duma criança
que pede um pão à caridade
*
a poesia 
veste-se na forma de combate
arma-se d'espinhos 
explode na investida faz razia
carrega amor toca a rebate
recua avança esconde os ninhos
*
a poesia
veste-se de fome e amargura
atira palavras recheadas
agasalhos coragem licor de malvasia
arrasa a razão pura
salva crianças das enchurradas
*
a poesia
veste-se de pele tão feminina
apara o futuro esperançada
contra-ataca a medíocre epidemia
resiste à estricnina
espalha humanidade afiançada
*
a poesia
veste-se da luz do amor
regressa esbaforida
ganhou a guerra salvou a primazia
do homem livre sem temor
ninguém mais se atreverá a matá-la em vida
jrg

08
Nov12

SOU DO SIGNO MASCULINO...COM ASCENDENTE EM MULHER!!!

samueldabo
imagem pública tirada da net

*
SOU DO SIGNO MASCULINO..
COM ASCENDENTE EM MULHER!
**
pintei-me
da palavra liberdade
esculpi-me
na palavra humanidade
gravei-me
em palavra dignidade
depois morri
*
porque liberdade
sem ser livre
não fazia mais sentido
viver apenas
para sobreviver à matança
de inocentes virtudes
que a vida simples trazia
*
porque a humanidade
sem humanismo
sufocava carente de amor
solidificava a solidão
me condenava à tortura
de morrer só
no azedume da alma indignada
*
porque a dignidade
sem o usufruto ou dignitude
me fazia escravo
sem alento raiado de ódio e desamor
oco de pensamento
mesquinho absurdo e indiferente
a meu próprio ser
*
porque morri
deixo-vos escrito o que já não sou
apagado do rol
dos próximos a pilhar
o meu riso ecoa do mundo dos mortos
não me levam mais nada
ah ah ah fiquem com a minha herança
*
nem o ar empestado
nem a água inquinada de sofreguidão
terra queimada
ardendo dos meus ossos em combustão
o que vos deixo é o enfado
de se odiarem até à exaustão
famintos de amor
*
algures no ano um
duma nova era esplendorosa
um punhado de gente sã
que por ser criança mantinha intacta a inocência
reinventou a partilha
de cada acto de viver a nova esperança
livres dignos humanos
*
então voltei
feito signo masculino
com ascendente em mulher
na acalmia do vento sorri
porque vi a alma nova
nem luxúria
nem inveja ódio nem cobiça
*
autor: jrg
21
Out12

VAGABUNDOS !

samueldabo

foto do autor
**
VAGABUNDOS
*
na praça há um corrupio
de gente miúda
grupos que discutem bola
à sombra do sol
ocultado por nuvens
crianças cães
e brisas que arrastam
as palavras
sob a palmeira o vagabundo
olha ao redor
a ver se alguém lhe chega
uma moeda 
ou um olhar cheio de vida
eu já não tenho 
o meu nada é o tudo
vou-me a eles
abro um hiato no tempo
uma moeda vá
sou eu que peço dez
cinco o que houver
e todos dão de boca aberta
a palma enche
o sol rasga sorrisos
enlouqueceu
pensam que virei político
duas mãos cheias 
de moedas e uma nota
ei! Zé toma
quero lá saber que o bebas
dum só trago
se é o que te resta de viver
a tua alegria é vinho
a água a luz a esteira rija
que não tens
no vinho tragas o poder
aqueces a alma
divertes-te na imaginação
não tens nada
não precisas de nada
estás-te cagando
para a troika para o governo
para a dívida
o roubo e a mentira
se houver vinho
rompes o dia a noite sem tempo
se não houver arfas
nas correntes de ar de andarilho
os teus olhos luzem
ao ver a mão cheia de moedas
metes no bolso e alas
que deus te pague dizes irónico
 abalas a balançar o corpo
ao ritmo do sino da igreja
que deus não me pagará
autor: jrg
11
Out12

DIZER POESIA - JOÃO RAIMUNDO GONÇALVES...por ISABEL BRANCO

samueldabo

 


*
E SE DE REPENTE

ME FECHASSE PARA BALANÇO?


***

de repente

enquanto à volta os meus passos
movimentam
tudo o que em mim é movimento
acho-me a pensar
que não tenho mais nada a dizer
depois do que disse
de tanto dito que li em meu redor
já só me falta não ser
na imensidão do mar eu abismo
sem sol nem luar
*
de repente
um desejo impetuoso de parar
ficar quieto
como uma maioria absoluta
a definhar
olhando sem ver o louco a louca
vicejando ao alvorecer
em cada esquina da vida a decantar
aforismos poemas
e causas tremendas horríveis
a doer-me de amar
*
de repente
tudo o que disse me soa a nada
vácuo vão inútil
de tanto pensar ensandeci de amor
pedra pesada
que não chega ao cimo da montanha
a meio descamba
e arrasta o que me resta de ter sido
coragem esperança
com a memória ainda em sangue
tão desventrada
*
de repente
não tenho deus nem pátria
nem família ou amigos
pés ou mãos que me aconcheguem
todos me calam
na profundidade de absurdos segredos
e se escudam
na promiscuidade da minha evidência
árida estéril imbecil
a propagar que já não tenho medos
para onde fugir
*
de repente
se um doce veneno uma picada indolor
um terramoto uma avalanche
de ideias consecutivas me acudissem
sem ter que perder
nem explicar-me a decisão de sair
de não mais dizer
que abomino o clamor deste silêncio
de onde teimo gritar
aos meus próprios passos que me sitiam
a alma surpreendida
*
de repente
uma vontade indomável de apagar
o que me identifica
lunático a acreditar na falsa esperança
que amar é dor que amor alcança
e a não querer ver a materialização fatal
que me e nos condena
à servil condição de sonhadores
de criar sonhos especular
sabendo de antemão que não vale mais a pena
viver nesta agonia a adiar
*
de repente
desligo o botão que me liga à máquina
e permito que o meu silêncio
seja também ele um grito fantástico
a ecoar nas almas em espertina
ninguém dará por nada tão de súbito
como a luz que se apaga
fica ainda a claridade do apagão a confundir-nos
sinto a leveza da queda
neste abismo que é o não ser em absoluto
depois volto à normalidade de viver
**
como se nada tivesse acontecido!!!



autor: jrg

***


REGURGITAR AMOR...


**
Imagino a gruta
para onde te levo
sob a falésia os arbustos
o aroma das urzes
onde te rimo com mar
e o mar de tanto amar
tão teu e meu a dor
*
lembro o sonho
de amantes sem segredos
enrolados nos corpos
possessos de beijos
para diversão das almas
que sabiam
da efemeridade dos medos
*
evoco da memória
que havia escondido no sonho
um pesadelo activado
porque amavas demais
um outro que em mim achavas
tão parecido ou crente a jeito
no sonho feito segredo
*
recordo o meu o teu
desinquietado desassossego
por onde desvairados
nos amamos sem pudor os corpos
por entre manchas de ternura
lágrimas compulsivas
de sal e mel te escorriam
*
regurgito onde te memorizo
o grito o gesto subil o cheiro
as palavras que disseste
de amor sentido meu degredo
e da vontade que é partir
ao teu e meu encontro
dizer-te que não tenhas medo
*
autor: JRG
28
Set12

SER AVÔ

samueldabo
imagem pública tirada da net
*
SER AVÔ
**
ah se eu pudera
ser avô
de todas as crianças
que não têm
por troca de sorrisos
um mimo
um gesto infantil
ouvir seus gritos
de mágicas surpresas
e correr
a fingir que estou cansado
deixar-me apanhar
sentir seus prazeres pelo triunfo
a incitá-los 
para que ousem vencer
sem medos
e aplaudir sempre de pé
o serem capazes
olhar seus olhos inocentes
confiantes
*
Helena ao longe já me sorri
teu sorriso lindo
de menina tão bela e mimosa
mal nascera
internada por doença
ficou tímida
indecisa mas atenta
tão depressa
de botão se fez aberta flor
a desabrochar
abriu pétalas fez-se à liberdade
encantadora
avô empurra para eu baloiçar
a rir-se ladina
quando deixo que no balanço
me toque com os pés
quando o baloiço vem veloz
a parecer que vai voar
menina de esperança princesa
como estás crescida
*
os meus olhos não páram
sou avô mesmo
o Pedro é terrível esconde-se
a Leonor afoita-se
temo que caiam se magoem
a repartir-me
são tantas as crianças
parecem pardais
em voos rasantes a pipilar
Matilde Constança
Francisco Pedro Leonor Sofia
Maria Margarida
e bebés que me olham a pedir
um afago de olhar
um gesto que transmita confiança
Mafalda Mariana
está bem eu empresto-te
o meu avô
diz o Pedro com ar malandro
a mostrar-me
o que já sabe fazer em equilíbrio
*
avô sim Leonor
já viste o que já sou capaz?
vá repete quero ver
e ela meu orgulho de menina
tão crescida
são ciúmes partilhados
de me verem ela e ele
disputado por meninas e meninos
um parque cheio
dos sorrisos mais lindos
da humanidade 
escondidas toca e foge correrias
histórias de plantas
de animais o pombo a lagartixa
os melros a saltitar
cães gatos e choros aflitos
de medos ou quedas
ser avô sei agora eu não sabia
de todas as crianças eu quisera
autor: jrg
27
Set12

NAS ASAS DA POESIA!

samueldabo
imagem do autor
***
NAS ASAS DA POESIA
**
da janela da casa
pela manhã
a que deita para o quintal
onde a dona Júlia
solitária estende a roupa
e os gatos namoram
ao entardecer
vejo a parede de silêncio
com um buraco
antes de evasão de fumos
onde um par de aves
apaixonadas 
vão fazer dele seu ninho
sinais de pura magia
que ainda aqui há gente ou vida
o outro sou eu a sonhar
jrg

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