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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

05
Jan12

UM FIAPO DE VIDA...

samueldabo
imagem pública tirada da net
*
UM FIAPO DE VIDA...
*
olho a garrafa cheia de vicioso líquido
emborco o gargalo na boca só entreaberta
sorvo o vício vínico de um só fôlego decidido
pouco a pouco se esvai de mim o que me aperta
*
a cabeça parece quase do corpo meu se desprega
tudo gira ou sou eu que me ganho movimento
o ar fica rarefeito de repente alma sôfrega
corpo cai sobre pedra frio pensamento
*
alma desprendida sobre corpo deitado
vejo-a de fora traquina antes preocupada
rumorejo palavras antigas a mim intimidado
uma baba viscosa escorre em soluços arrancada
*
já cá faltava o vómito a pele do rosto arroxeada
pessoas que me olham como se eu fora louco
a garrafa vazia de gozo jaz abandonada
a língua engrossou árida o som rouco
*
retomo o caminho sem acerto tropeço
porque se fecham meus olhos à memória
d'onde vim quem sou para onde m'arremeço
gesticulo vocifero prolongo vogais sou história
*
alguém me toca ampara ecoa em mim acarinha
indefinida imagem o som de voz que acatei
e choro numa onda absurda de ladainha
que a língua pastosa arrasta sem lei
*
quando se fez dia e em mim de novo
temores dentro de mim tão angustiados
revisitei a cena do último beijo que reprovo
temi por meus segredos no delírio desvendados
*
senti que de nada valera ser no vinho o apagão
a raiva de te falhar na posse que eu perdera
o ser ou o não ser de em mim teu coração
amor por um fiapo a vida anoitecera
*
dar um espaço o tempo não se atura
amor não é posse é a amizade profunda
é ser da alma e ser amante até da amargura
ninguém fica a perder onde um amigo se abunda
*
olho a garrafa vazia sem mim e só abandonada
penso que estou pronto para de novo aceder
esteio de par inteiro da alma apaixonada
assim tu o entendas amor quero te ver
*
autor: jrg
31
Dez11

ANO VELHO DE VILÕES...(VILANIA) - ANO NOVO DE LADRÕES...

samueldabo

 

 

 

foto pública tirada da net


*

ANO VELHO DE VILÕES...(VILANIA)
ANO NOVO DE LADRÕES...


«««//»»»


no meu país torpe mentira
ano a ano procurando me fiz crescendo
rispidez obediência tortura
alegrete de comédia ou drama ou sátira
à vez de dentro a cena me adormecendo
sedento de carinho e ternura
à espera do tempo novo que sentira
na evolução de mim o sendo
para o humanismo d'amor e alma pura

*

não procurei ou quis riqueza
ano a ano sem eu querer me fiz apátrida
ateu de vilãos ensandecidos
troquei o meu saber servindo a avareza
ingénuamente acreditando ser à partida
cruzar os tempos já vencidos
avesso à melancólica e mórbida tristeza
um de entre os mais nesta vida
a vencer a vileza dos poderes desvalidos

*

escolhi caminho por teimosia
ou desígnio cósmico nos genes embutido
naufraguei e a salvo me julguei
quando o tempo cedeu e cheira a maresia
mas era falsa esta esperança sem sentido
apátrida não pode confiar na lei
por mais que viva embrulhado em poesia
o tempo não perdoa ser vencido

*

ano velho de vilões inda a prazo
um povo inteiro por medo se abastardou
roubado na alma e no coração
sem vontade de vencer o milenar atraso
nem legitimar sua defesa a quem roubou
ano velho de vilões sem emoção
onde navego rebelde a ser por um acaso
o pária que da pátria se imolou
cercado pela vilania dos doutos da nação

*

ano novo de ladrões vetustos
e dos novos da mediocridade fanáticos
com aval da mediana fantasia
falidos da esperança criminosos astutos
adensam as teias com sábios lunáticos
cortam o pensamento que luzia
julgam-se deuses da verdade absolutos
sendo e só efémeros mediáticos
ante a grandeza apátrida de toda poesia

***

autor:jrg... [(pária...apátrida...)cidadão da MÁTRIA em construção...]

18
Dez11

ABSURDO MISTÉRIO...

samueldabo

foto pública tirada da net


*

ABSURDO MISTÉRIO...

*

estranho mistério
o da morte
que nos deixa impotentes
no vácuo 
da nossa indignação

*

mais estranho
quando alcança sem aviso
a nossa interioridade
nos arranca a parte mais dolorosa
de ser mulher e mãe

*

estranho porque atípico
sem sentido
quando nos toca a alma
e inunda de saudade
o pensamento a angústia infinita

*

porque estranho 
é o tempo que demora a viver
um ser inteiro
escravo do impudor
mítico da morte

*

mas uma criança
promissão de existir a crescer
um pedaço da alma
dos genes que de dentro recusam
o absurdo da morte

*

feridas abertas de mãe
insaráveis quietas
onde não mais a esperança
que acuda à revolta
implorando estranho perdão

*

estranha fragilidade
ante tanto domínio absoluto
raiva ódio violência
que o rio da morte arrasta
como um pesadelo

*

às vezes penso na morte
sob véu de seda 
bela à luz da transparência
e não aquele espectro
que leva à mãe a criança

*

outras imagino a resistência
que de dentro da alma
a vida cansada teima em refulgir
da tétrica mansidão
do sem sentido que nos incita a existir

*

amarrotados no medo
que nos eterniza no mito de deus
a quem confiamos o tudo
e o nada de que padecemos
a culpa o erro a vileza

*

estranhos mistérios
o da morte o do azar o da sorte
que nos trocam os passos
abstractas emanações que nos tocam
invasivas adúlteras secretas

*

jrg

11
Dez11

SUBLIME A ENFERMEIRA ! para a Benita Rubio e outras que eu sei...

samueldabo
foto pública tirada da net
*
SUBLIME A ENFERMEIRA !
*
para a Benita Rubio e outras que eu sei

{#emotions_dlg.bouquete}

***
realço na alva e nua transparência
humilde  a enfermeira
sua dinâmica no enfrentar a dor
chama pura paciência
na entrega sem medo prazenteira
num sentimento de amor
paz de mãe tão de tanta eficiência
*
na sala ampla grito das urgências
traz um sorriso de luz
uma palavra um gesto confiança
onde esconde reticências
sobre realidades que a alma traduz
não é nada tenha esperança
num abraço sincero à consciências
*
ali uma algália num falo amolecido
uma injecção milagrosa
desinfecta a ferida faz o penso curativo
recebe um abraço agradecido
enquanto coloca o soro na pele idosa
alguém a chama um sedativo
de onde o tempo escoa entardecido
*
rápido traz aqui um desfibrilhador
tropeça numa maca à deriva
um coração acelerado que deixa de bater
esqueceu de mim meu amor
já vou não desespere melhor que viva
entrou um corpo novo a sofrer
preparar para operar ó senhor doutor
*
parou a máquina que regula o coração
deixam-me aqui a morrer
calma volto num segundo sorri de angústia
enquanto injecta a ilusão
implacável resoluta a todo o mal vencer
contra o tempo com astúcia
às vezes chora de raiva contra tal pressão
*
não há cansaço que a vença nesta aventura
apenas quando sai a solidão
em que mergulha por momentos o dilema
de ser tão inteira de ternura
quanto é frio o sistema ante a sua dimensão
de entrega derradeira ao problema
e não olhar de lado quem a vê tão alva e pura
*
saúdo à flor da alma sublime a enfermeira
rosa vermelha margarida violeta
perfume de esperança que acode ao sofrimento
serena como deusa pioneira
agindo em sintonia com a alma de profeta
tão ágil a mover o pensamento
tão só quanto na vida a morte é derradeira
*
autor: jrg
11
Dez11

OS SONS DO MAR...DENTRO DO MEU BÚZIO !

samueldabo
*
OS SONS DO MAR...
DENTRO DO MEU BÚZIO!
*
foi num búzio belo assim
que o mar levei
a alma cheia de saudade
naquele jardim
tórrido de sol e o chamei
mar da vontade
tão longe dentro de mim
*
veio tão humildemente
de dentro o búzio
retorcido estranho ecoar
na minha mente
que o mar zoando seduziu
para eu o amar
de uma maneira diferente
*
tanto mar em ti guardado
manso infinito
búzio de orelha marinha
sonho acordado
no meu silêncio de aflito
lua cheia redondinha
em meu amor confortado
*
se quisera eu ouvir da sereia
o canto sussurrado
do mar quando recua na maré
o búzio me presenteia
de seu segredo bem guardado
alimenta a minha fé
deslassa meu sangue na veia
*
qual mistério assombração
doce canto maresia
do mar enquanto descansa
me aquieta o coração
ouvir no búzio bela a melodia
que anima a esperança
de o mar não ser de ilusão
*
solitário lugar de mar deserto
aonde o pensamento
resvala nas arestas da razão
meu amor aqui tão perto
e eu soldado ao cumprimento
em meu búzio a salvação
alma do poema em que m'acerto
*
trouxe comigo mar d'infância
para no medo vencer
enorme a minha desvantagem
no encurtar da distância
que o tempo me leva a correr
a alimentar a coragem
mar de búzio som fragrância
*
jrg
22
Nov11

NÃO SÓ A LIBIDO...

samueldabo

foto livre tirada da net
{#emotions_dlg.redflower}
NÃO SÓ A LIBIDO...
***
os teus seios
bicos mamilares
bandeiras do corpo
desejo alimento
sobre lençóis manchados
da nossa pureza
tão animal

o teu rosto sereno
embalado da essência do sonho
flâmula da alma
exaltada das fantasias
que ainda flutuam
nos aromas impregnados
da nossa memória

os sexos pastosos
masturbados de prazeres
excêntricos apavorados
possessos dos apelos do cio
tantas vezes exaustos
exauridos de todos os sentidos
de leviana loucura

a alma imersa
num quase absoluto faustoso
da consciência
languidamente confusa
hiato na espera
que nos inerta e incapacita
de amar a certeza

o género feminino
o amor do todo inteiro mulher
a raiz do conhecimento
expressão da humana grandeza
alegria esperança
soltando da prisão o pensamento
da dinâmica sensitiva

autor: jrg
26
Out11

ACONTECEU...

samueldabo

imagem tirada da net
*
ACONTECEU...
*
{#emotions_dlg.redflower}

hoje os teus lábios
macios
como pétalas de rosas
sensuais
invadiram os meus
trémulos
de te tanto soletrar
amor

hoje os teus olhos
verdes
jóias preciosas brilhantes
invasivos
dos meus pasmados
incrédulos
pela emoção da beleza
perturbante

hoje o teu corpo
harmonia
coberto por alma singela
o riso
a palavra ternura
no gesto
na alegria toda sentida
de ti

autor: jrg
22
Set11

SACERDOTISA DO AMOR !...

samueldabo
 
 imagem pública tirada da net
*
SACERDOTISA DO AMOR

«««//»»»

se fores um dia meu amor perfeito
e eu em ti um beija flor
adejando sobre a tua beleza
o mundo invejará o teu maior defeito
que é seres luz alegre cor
minha harmonia doce natureza

se os teus olhos me paralisam
e fico inerte sem acção
às voltas no pensamento circunscrito
se os teus lábios me enfeitiçam
aceleram as batidas do meu coração
ao toque dos sentidos que cogito

se a tua alma no corpo me provoca
e fico a levitar à tua espera
tolhido nos movimentos aquietados
quando o fogo do amor me toca
se aviva a ânsia na quimera
onde os sonhos nos percorrem acordados

se por um mero envolvimento
dos átomos que nos geram a ambição
provarmos o sabor dum beijo
não serei mais em ti esquecimento
nem tu me negarás o coração
no tempo em que crescer outro desejo

se no fogo ardente onde latejas
e me sinto em ti mulher a navegar
pelo sonho do prazer latente
pego no absurdo de viver para que vejas
a nudez do amor a levitar
embalado na lua de crescente

se os teus seios quando me tocam
enrijecidos pela aventura
que é sentir no cheiro o meu sabor
atraem os corpos e os enlaçam
frementes de volúpia na alma pura
da magia secreta do amor

então penso que és a doce selvagem
que deixa fluir o sentimento
sem astúcia malícia ou provocação
livre d'artifícios na imagem
aberta a fruir total conhecimento
na beleza da tua intuição

autor: jrg
05
Set11

CANÇÃO PARA LEONOR...MEU DESASSOSSEGO !...

samueldabo

 

~~~//~~~

*

{#emotions_dlg.blueflower}

 

tinha saudades de chover
bátegas fortes batidas pelo vento
a encharcar a terra de humidade
quando começa o cheiro a húmus é de enlouquecer
forte e crepitante o seu lamento
da chuva que procura na seca a saudade
*
chove sobre o meu corpo inerte
a sentir cada pingo que de cima se desprende
imerso no silêncio mais gritante
anseio a canção da chuva que no piar das aves me desperte
de olhos fechados porque nada mais me surpreende
bátega sobre bátega no meu corpo infante
*
digo-te escuta o som da chuva ao cair
a melodia do vento nas ramagens
as aves num murmúrio aconchegadas
ribomba estridente a trovoada os cães a ganir
a água escorre em torrentes selvagens
abre caminhos entre as pedras unidas das calçadas
*
estás longe demais para atenderes
a minha sofreguidão de partilhar cada momento único
que quero reter por tempo indeterminado
chove pleno de emoções e de infinitos poderes
em cada ciclo que se abre impudico
nuvens negras que se tocam num tom desafinado
*
chove sobre os teus medos
encorajo-te a apanhares gotas nas tuas mãos de criança
que escorrem dos beirais e goteiras dos telhados
mãos tão puras inocentes sem segredos
que as retém por momentos e ganham confiança
na alegria do sorriso em teus olhos abismados
*
lembro-te que gota a gota engrossa a poça de água
onde os teus pés chapinhavam
que de poça em poça se formam riachos lagos
onde lançamos o sal da nossa mágoa
os lagos rebentam formam rios e mares que se desbravam
chove meu amor sobre os teus sonhos vagos
*
corres corro de mãos dadas entre pingos
o coração arfando de novas ou renovadas emoções
dois pingos de gente num mundo desesperado
é o que somos nem sempre atentos a tantos dos perigos
que os sonhos avivam em estranhas canções
canto-te da chuva a esperança dum mundo fertilizado
*
autor: jrg

27
Ago11

EM MEMÓRIA DE... AIDA COUTO!...

samueldabo
EM MEMÓRIA de...
AIDA COUTO!

era uma dactilógrafa experiente
escrevia a duas mãos sem olhar
viúva culta de viver apaixonada
um olhar doce meiga sorridente
morava em Lisboa longe do mar
de onde eu vinha d'alma alvorada

talvez o meu cheiro incomodasse
meus dentes ao sorrir enegrecidos
a que faltava o uso do dentífrico
meu corpo a pedir que o lavasse
sem hábitos de higiene conhecidos
pobre e tímido sonhador idílico

eu era o que então se chamava
de paquete moço das entregas e recados
e abri a minha mente à alma dela
lavar os dentes o sovaquinho que suava
as partes púdicas os pés cansados
todos os dias a virar a vida tão mais bela

o falecido seu marido arquitecto
deixou um espólio de vestir a condizer
roupa fina que ficava um primor
no meu corpo de retalhos insurrecto
a ganhar brilho de amanhecer
assim lavado e vestido com rigor

com ela aprendi que a minha imagem
era eu quem tinha de construir
voltei à escola cresci em entendimento
tinha fome de saber inda selvagem
li dos cinco continentes o pensar e o sentir
conheci lugares e povo meu alento

aprendi a repartir meus excedentes
a não me alienar nem ter fortuna
não fosse a de colher humanidade
trazer os olhos limpos sorridentes
amar amor da alma livre oportuna
a distinguir o sonho da realidade

não fora esta senhora tão emérita
resgatar minha alma empobrecida
dentro dum corpo rico em fantasia
não teria aberto a mente e a poética
que esgrimo de aprendiz nesta vida
partilhando amizade amor e poesia

autor: jrg

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