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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

01
Mar12

MENINA...

samueldabo
foto pública tirada da net
*
MENINA
*
estou a vê-la brincar
idade de fantasia
a construir sonhos de realidade
às vezes quase a gritar
fala gesticula movimenta magia
olhos lindos na cidade
que me faz lembrar o mar
*
às vezes surpreendida
pelo meu olhar tão embevecido
atira-me um vai embora
com um sorriso belo mas sentida
de me ver assim travestido
de menino que ela tanto adora
a meio do sonho retida
*
findo o regalo da infância
volta a pedir colinho
exercita em mim a nova esperança
de ver crescer nela em relevância
o humanismo novo onde eu gatinho
desde quando era criança
a cumprir no tempo a circunstância
*
autor: jrg
04
Fev12

NA PRAIA...

samueldabo
 
 

Entre as ondas...manel ribeiro.jpg

Mar da Costa de Caparica

 foto de Manuel Ribeiro

 
{#emotions_dlg.orangeflower}
NA PRAIA...
***
na praia curei medos
cresci de amor chorei
no vai e vem das ondas
troquei segredos
do coração em choque sangrei
limei arestas tontas
desfiz e refiz enredos
maresias desfeitas parei
 chuvas ventos fogueiras redondas
 segregados degredos
 na praia me exorcizei
 das ideias imundas
 que polvilhavam gemidos

jrg
18
Dez11

ABSURDO MISTÉRIO...

samueldabo

foto pública tirada da net


*

ABSURDO MISTÉRIO...

*

estranho mistério
o da morte
que nos deixa impotentes
no vácuo 
da nossa indignação

*

mais estranho
quando alcança sem aviso
a nossa interioridade
nos arranca a parte mais dolorosa
de ser mulher e mãe

*

estranho porque atípico
sem sentido
quando nos toca a alma
e inunda de saudade
o pensamento a angústia infinita

*

porque estranho 
é o tempo que demora a viver
um ser inteiro
escravo do impudor
mítico da morte

*

mas uma criança
promissão de existir a crescer
um pedaço da alma
dos genes que de dentro recusam
o absurdo da morte

*

feridas abertas de mãe
insaráveis quietas
onde não mais a esperança
que acuda à revolta
implorando estranho perdão

*

estranha fragilidade
ante tanto domínio absoluto
raiva ódio violência
que o rio da morte arrasta
como um pesadelo

*

às vezes penso na morte
sob véu de seda 
bela à luz da transparência
e não aquele espectro
que leva à mãe a criança

*

outras imagino a resistência
que de dentro da alma
a vida cansada teima em refulgir
da tétrica mansidão
do sem sentido que nos incita a existir

*

amarrotados no medo
que nos eterniza no mito de deus
a quem confiamos o tudo
e o nada de que padecemos
a culpa o erro a vileza

*

estranhos mistérios
o da morte o do azar o da sorte
que nos trocam os passos
abstractas emanações que nos tocam
invasivas adúlteras secretas

*

jrg

11
Dez11

SUBLIME A ENFERMEIRA ! para a Benita Rubio e outras que eu sei...

samueldabo
foto pública tirada da net
*
SUBLIME A ENFERMEIRA !
*
para a Benita Rubio e outras que eu sei

{#emotions_dlg.bouquete}

***
realço na alva e nua transparência
humilde  a enfermeira
sua dinâmica no enfrentar a dor
chama pura paciência
na entrega sem medo prazenteira
num sentimento de amor
paz de mãe tão de tanta eficiência
*
na sala ampla grito das urgências
traz um sorriso de luz
uma palavra um gesto confiança
onde esconde reticências
sobre realidades que a alma traduz
não é nada tenha esperança
num abraço sincero à consciências
*
ali uma algália num falo amolecido
uma injecção milagrosa
desinfecta a ferida faz o penso curativo
recebe um abraço agradecido
enquanto coloca o soro na pele idosa
alguém a chama um sedativo
de onde o tempo escoa entardecido
*
rápido traz aqui um desfibrilhador
tropeça numa maca à deriva
um coração acelerado que deixa de bater
esqueceu de mim meu amor
já vou não desespere melhor que viva
entrou um corpo novo a sofrer
preparar para operar ó senhor doutor
*
parou a máquina que regula o coração
deixam-me aqui a morrer
calma volto num segundo sorri de angústia
enquanto injecta a ilusão
implacável resoluta a todo o mal vencer
contra o tempo com astúcia
às vezes chora de raiva contra tal pressão
*
não há cansaço que a vença nesta aventura
apenas quando sai a solidão
em que mergulha por momentos o dilema
de ser tão inteira de ternura
quanto é frio o sistema ante a sua dimensão
de entrega derradeira ao problema
e não olhar de lado quem a vê tão alva e pura
*
saúdo à flor da alma sublime a enfermeira
rosa vermelha margarida violeta
perfume de esperança que acode ao sofrimento
serena como deusa pioneira
agindo em sintonia com a alma de profeta
tão ágil a mover o pensamento
tão só quanto na vida a morte é derradeira
*
autor: jrg
04
Dez11

QUERO DIZER-TE...HOJE...

samueldabo

 

{#emotions_dlg.sol}

*

QUERO DIZER-TE...

{#emotions_dlg.bouquete}

*
hoje

é mais um primeiro dia
de tantos que a vontade de vencer
soltou da densa e fina teia
construído na revolta da maresia
que faz o sonho acontecer
purificando o sangue sarando a veia
volvendo à vida a fantasia

hoje

viva a chama de mudança
cada momento na alma absorvido
o orgulho de ser da criação
o actor que cala a plateia e avança
descrentes d'amor enobrecido
que da alma se propaga ao coração
vem meu menino d'esperança

hoje 

porque te encontraste
vivo a emoção de te ter acreditado
que tempo é amor sabedoria
ao sentir-te vencer porque lutaste
brindo ao triunfo dourado
que canto para ti envolto em poesia
fruto d'amor que me soltaste

autor: jrg

12
Out11

O PARQUE INFANTIL

samueldabo

 

 

 

 

imagem pública tirada da net

*

{#emotions_dlg.redflower}{#emotions_dlg.blueflower}{#emotions_dlg.redflower}{#emotions_dlg.blueflower}

*

O PARQUE INFANTIL 
***
vejo um vulto de gente
uma criança saltitando a sua rebeldia
dentro duma nuvem cinzenta
tão linda na alegria do seu rir inocente
pétala de verso subtil poesia
exuberante na manhã pardacenta

os olhos como brilham
fala salta corre no riso cristalino
desliza pela vida em crescimento
já não chora quando ralham
reparte com alegria d'alma pura de felino
a vontade de vencer cada momento

são um fluxo da maresia humana
que se espraia na consciência
às certezas levantam dúvidas sérias
de onde o que deles imana
clarifica e propala na razão a evidência
que a alma é uma só o resto lérias

chapinha a poça agarra a formiga
atira pedras ao lago
afugenta os pombos as aves que arribam
ri nas barbas da intriga
acaricia a natureza num afago
pisa as folhas do Outono quando tombam

impacienta-se na espera do baloiço
sobe e desce no escorrega
recusa a partilha do brinquedo
sua grita enfrenta afoito
os mais crescidos que dominam na refrega
exibe os dentes descrente ao medo

inventa curiosas fantasias
a que se prende e agrega os circunstantes
joga a bola mima canta pinta
exibe a alma atropela factos em alegorias
cai levanta-se rodopia sem atenuantes
porque já é crescido já dribla já finta

o parque é de todas as crianças a arena
onde expandem emoções
aprendem a amar nos outros a sua natureza
em cada ato repetem a ingénua cena
do homem a crescer frenético aos safanões
confrontado com a dúvida da certeza

autor: jrg

05
Set11

CANÇÃO PARA LEONOR...MEU DESASSOSSEGO !...

samueldabo

 

~~~//~~~

*

{#emotions_dlg.blueflower}

 

tinha saudades de chover
bátegas fortes batidas pelo vento
a encharcar a terra de humidade
quando começa o cheiro a húmus é de enlouquecer
forte e crepitante o seu lamento
da chuva que procura na seca a saudade
*
chove sobre o meu corpo inerte
a sentir cada pingo que de cima se desprende
imerso no silêncio mais gritante
anseio a canção da chuva que no piar das aves me desperte
de olhos fechados porque nada mais me surpreende
bátega sobre bátega no meu corpo infante
*
digo-te escuta o som da chuva ao cair
a melodia do vento nas ramagens
as aves num murmúrio aconchegadas
ribomba estridente a trovoada os cães a ganir
a água escorre em torrentes selvagens
abre caminhos entre as pedras unidas das calçadas
*
estás longe demais para atenderes
a minha sofreguidão de partilhar cada momento único
que quero reter por tempo indeterminado
chove pleno de emoções e de infinitos poderes
em cada ciclo que se abre impudico
nuvens negras que se tocam num tom desafinado
*
chove sobre os teus medos
encorajo-te a apanhares gotas nas tuas mãos de criança
que escorrem dos beirais e goteiras dos telhados
mãos tão puras inocentes sem segredos
que as retém por momentos e ganham confiança
na alegria do sorriso em teus olhos abismados
*
lembro-te que gota a gota engrossa a poça de água
onde os teus pés chapinhavam
que de poça em poça se formam riachos lagos
onde lançamos o sal da nossa mágoa
os lagos rebentam formam rios e mares que se desbravam
chove meu amor sobre os teus sonhos vagos
*
corres corro de mãos dadas entre pingos
o coração arfando de novas ou renovadas emoções
dois pingos de gente num mundo desesperado
é o que somos nem sempre atentos a tantos dos perigos
que os sonhos avivam em estranhas canções
canto-te da chuva a esperança dum mundo fertilizado
*
autor: jrg

27
Ago11

EM MEMÓRIA DE... AIDA COUTO!...

samueldabo
EM MEMÓRIA de...
AIDA COUTO!

era uma dactilógrafa experiente
escrevia a duas mãos sem olhar
viúva culta de viver apaixonada
um olhar doce meiga sorridente
morava em Lisboa longe do mar
de onde eu vinha d'alma alvorada

talvez o meu cheiro incomodasse
meus dentes ao sorrir enegrecidos
a que faltava o uso do dentífrico
meu corpo a pedir que o lavasse
sem hábitos de higiene conhecidos
pobre e tímido sonhador idílico

eu era o que então se chamava
de paquete moço das entregas e recados
e abri a minha mente à alma dela
lavar os dentes o sovaquinho que suava
as partes púdicas os pés cansados
todos os dias a virar a vida tão mais bela

o falecido seu marido arquitecto
deixou um espólio de vestir a condizer
roupa fina que ficava um primor
no meu corpo de retalhos insurrecto
a ganhar brilho de amanhecer
assim lavado e vestido com rigor

com ela aprendi que a minha imagem
era eu quem tinha de construir
voltei à escola cresci em entendimento
tinha fome de saber inda selvagem
li dos cinco continentes o pensar e o sentir
conheci lugares e povo meu alento

aprendi a repartir meus excedentes
a não me alienar nem ter fortuna
não fosse a de colher humanidade
trazer os olhos limpos sorridentes
amar amor da alma livre oportuna
a distinguir o sonho da realidade

não fora esta senhora tão emérita
resgatar minha alma empobrecida
dentro dum corpo rico em fantasia
não teria aberto a mente e a poética
que esgrimo de aprendiz nesta vida
partilhando amizade amor e poesia

autor: jrg
14
Ago11

PALAVRAS TREPADEIRAS...

samueldabo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
foto tirada da net
 
PALAVRAS TREPADEIRAS...

{#emotions_dlg.blueflower}


se há mulher trepadeira
se há homem nela enleado
são musas de inspiração
que tomam a dianteira
que trazem na alma seu fado
ateiam o meu coração
não seria a vez primeira...

que musas de encantamento
com olhos de esmeralda
lábios de seda tão pura
trazem cheiros... suculento
é o sorriso grinalda
que recheia com ternura
um beijo de assentimento

trepam homens vestidos de poetas
trepam fêmeas resolutas
trepam palavras exalam suspiros
misturam ânsias há tanto quietas
segredos das almas ocultas
nuas de medos e vírus
trepam consciências despertas

se ao trepar se descuidam
se perdem o equilíbrio
homens palavras mulheres
na orgia se desnudam
perante um mundo sem brio
absurdo nos seus haveres
sem amores que lhes acudam

oh não não me as invejem
as palavras que derramo
nem as que a mim são lançadas
são palavras que protegem
se trepam é porque as chamo
docemente tresloucadas
nas correntes da aragem

autor: jrg
11
Jul11

ÉCLOGAS DA ALMA...I I

samueldabo

 
 foto net

ÉCLOGAS
{#emotions_dlg.blueflower}
IV
A DANÇA...



ao toque de Ravel
imponente e mágico
o teu corpo se cola no meu
e juntos num rodopio fantástico
dentro do bolero
lançados ao desafio
fazemos amor...
na subida retumbante
dos sons afrodisíacos
que nos ateiam o desejo

autor:jrg

ÉCLOGAS
{#emotions_dlg.orangeflower}
V
JOGADOR

vou a jogo
porque te amo
e o amor se joga
em cada vasa
quando te percorro
o corpo e subo ao pico
no cimo dos mamilos
ardilosos
e nos lábios acendo o fogo
da tua acha

autor:jrg

ÉCLOGAS
{#emotions_dlg.redflower}
VI
SURPRESA



hoje trago-te flores
e a lembrança do mar
visto do alto
de onde tantas vezes
nascemos
no ocaso do sol
de lábios colados
à esperança...
e subimos às estrelas
por onde a lua se esgueira

auto:jrg

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