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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

06
Mai11

ESCRITOS À MARGEM DA GUERRA!...IV - FORNILHOS!!!

samueldabo

 



PARA QUE A MEMÓRIA NÃO ESQUEÇA!

 


{#emotions_dlg.bouquete}
dei-lhe o nome de Samuel Dabó sem saber
negro um homem como nós
de baixa estatura mas enérgico
deram-lhe divisas de sargento como prémio a condizer
que não valiam nada assim tão sós
e deram-lhe um grupo de milícias multi étnico
que ele comandava com orgulho de valer

tinha mulheres e filhos ainda novo
pai mãe amigos talvez que o amassem
e tinha o brio de ser o chefe
do lado oposto da guerra do seu povo
dos que a ele comandavam se ousassem
ser a linha mais à frente da carniça o magarefe
que a herói aqui promovo

naquele dia de silêncios tão funesto
havia uma coluna de robustas viaturas
também conhecida por de reabastecimento
não era só de comida mas diverso o seu apresto
na frente dos carros uma linha que picava as estruturas
eram pretos da milícia com seu chefe de sargento
atentos à terra balofa nós outros fazíamos o resto

do outro extremo da via ainda madrugada
uma coluna pedestre pé ante pé a pica em riste
coração angustiado sobre a terra vermelha e seca
à espera dum estrondo de mina ou duma emboscada
iam deixando uns quantos na floresta que resiste
pormenores da segurança que acarreta
nervos de aço sangue frio arma aperrada

por fim deu-se o encontro na hora programada
antes que os mosquitos chupassem toda a água
que os corpos acalorados iam vertendo
trocaram-se saudações a picagem deu em nada
esquecido já o esforço e da distância a mágoa
no silêncio da floresta aves e macacos inquietos tecendo
sobre algo de estranho que os apavorava

os soldados montaram os carros sobre a carga
que dada a ordem de marcha se puseram em movimento
acenderam cigarros trocaram mimos e dichotes
de súbito tremenda explosão homens pelo ar na estrada larga
rastejando se tocando a disparar o medo atento
ainda estonteados disparavam às sortes

entre tiros de espingarda bazuca e morteiro
do outro lado da mata os sons pareciam cozedura
de máquina sobre humana a tecer
sob os gritos lancinantes do motorista rasteiro
as pernas desligadas dos joelhos em rotura
por frágeis tendões sustidas a gemer
"salvem-me quero conhecer o meu filho primeiro!.."

"não me deixem morrer...não me deixem morrer...
quero conhecer o meu filho...sabem...ele já nasceu
foi pedida a evacuação por helicóptero
como dizer-lhe?...não havia disponibilidade tanto sofrer
ou por medo da escuridão do dia que anoiteceu
morreu nos braços de alguém que tentou com esmero
fazê-lo acreditar que iria sobreviver

morreu também o Valente
não sei se por defesa descuidada ou pela prepotência
como tratava os seus homens com desprezo
"fecha o corte da palha..." proferia ao requerente
quando dele reclamavam a consciência
e as palavras que ouviam eram pedras de arremesso
um tiro na nuca puro "acidente..."

o cenário em todas as guerras tudo justifica
são danos chamados de colaterais
podia ser stress ou erro da fragilidade humana
a carne assim desfeita que nos personifica
abandonada aos abutres e chacais
para que medre a glória da gente insana
que são nesta aventura o mais que fica

reunida a tropa em nova "procissão"
era preciso picar de novo a via láctea ressequida
mas não havia quem tomasse a dianteira
nesta desgraça de ser povo e ser nação
os milícias apavorados recusavam a devida
e a tropa agonizava a derradeira
ainda nos tímpanos a retinir a explosão

se nós é que eramos os soldados!!!...
o chefe da milícia saltava como um macaco
de picas em punho...gritava..."milícia vai na frente!"
e empurrava-os para que fossem obrigados
com a força da alma ingénua que não guarda recato
"milícia vai na frente!" corta a alma de quem sente
dá o exemplo faz-se à estrada fica desfeito em bocados

uma nova explosão atroa o ar rarefeito
por certo a milícia já sabia estava vendida
Samuel Dabó o puritano que acalentava a esperança
de sair desta guerra talvez perfeito
ninguém recolheu um pedaço do seu corpo em terra ardida
não conta para a estatística desta andança
para uns traidor para os outros um sujeito

ninguém mais se atrevia a voluntário
os fornilhos são minas comandadas à distância
que as técnicas de picagem não detectavam
os comandantes procuravam um otário
que devolvesse a alma ao medo nesta discrepância
nos rostos acobreados a dúvida espelhavam
sitiados no mistério de que África é santuário

até que um soldado raso de Famalicão
munido da imagem de Fátima em fio de lata pendurado
rompeu da estagnação com ousadia
pegou no ferro da pica e arrastou com ele a "procissão"
confiante no amuleto o rosto desfigurado
e lentamente caminhando à revelia
de todo o pensamento que consubstancia a razão

à chegada da tropa endémica destroçada
o comandante perguntou espavorido
não pelos mortos ou pela depressão sentida
mas pela viatura que ficara abandonada
que serviria o efeito da vitória alheia mais temido
que humilhação de perder a própria vida
e logo outra expedição para o resgate foi convocada

esta cena aqui contada a sangue frio
pretende ser demonstrativa do terror em evidência
que promove qualquer guerra individual ou colectiva
sem que os mandantes acantonados no seu brio
sejam sujeitos à humana consciência
que condena a agressão pela defesa ofensiva
está feito Samuel Dabó que um dia me sorrio

 

autor: jrg

01
Mai11

M Ã E !!!...

samueldabo

foto tirada da net

 

 

 

{#emotions_dlg.redflower}M Ã E !!!...

{#emotions_dlg.bouquete}

sendo a pátria lugar de exilio
de tantas mães só hoje nela aqui lembradas
que meus humildes versos vão em seu auxilio
neste dia de rosas perfumadas

{#emotions_dlg.blueflower}

mulher é mãe de toda a criatura
é cobardia do homem que a faz subserviente
no emprego por estar prenhe cava sepultura
em casa tantas vezes amor não sente

{#emotions_dlg.redflower}

lá vai ela oscilante tão formosa
leva no ventre em gestação um grande amor
como pode haver alguém cujo instinto a glosa
como se não fosse do ser o criador

{#emotions_dlg.blueflower}

mãe porque me deixas tão cedo
angustiada de serem doutros os mil cuidados
e em casa porque me olhas tão assim a medo
fomos pelo meu pai abandonados?...

{#emotions_dlg.redflower}

sendo a gravidez no corpo formosura
e na alma da mulher a mais sublime exaltação
ao ver no seu sorriso o olhar doce de ternura
esqueço que ela é a vitima da nação

{#emotions_dlg.blueflower}

hoje quero cantar à mãe a esperança
novos tempos anunciam subtil entendimento
que ser mulher e mãe para criar uma criança
a fêmea humana deve ter merecimento

{#emotions_dlg.redflower}

hoje toda a mãe é o alvo do carinho
mas é preciso que o seja o ano todo inteiro
não só por ser fada do prazer mais danadinho
mas por ser amor baluarte derradeiro

{#emotions_dlg.blueflower}

autor: jrg

22
Abr11

O SER...

samueldabo

 

imagem tirada da net


{#emotions_dlg.chat}zpzpzpzpzpzpz


tantas vezes fui ao mar
sem nele ter naufragado
ainda eu mal era nascido
tanta vezes para te encontrar
sopra o vento num tornado
terra à vista meu amor desvanecido

tantas vezes fui à guerra
sem nela ter morrido
ainda o sol mal nascera
tantas vezes fiquei em terra
para ser em ti abrigo
da prole que então crescera

tantas vezes fui à morte
sem dela perder o medo
ainda a lua mal luara
tantas vezes para ser norte
desvendar o teu segredo
já a monte me mandara

tantas vezes fui mulher
na alma por entendimento
ainda o homem era machismo
tantas vezes sem querer
mudei meu entendimento
em face dum aforismo

tantas vezes fui amor
na alma de quem me quis bem
ainda o tempo mal mudara
tantas vezes sem pudor
rasguei num ventre de mãe
o prazer que venerara

tantas vezes fui mentira
na alma da injustiça
inda a verdade mal soletrava
tantas vezes me sentira
por medo ou vã cobiça
de parecer que me achava

tantas vezes fui silêncio
na alma em sofrimento
ainda o sonho mal refulgira
tantas vezes me sentencio
por teimosia ou lamento
não ser da ideia a mira

autor: jrg

 

 

21
Mar11

A POESIA - V...EFEMÉRIDE...

samueldabo

 

 

 

artemis...imagem tirada da net

 

{#emotions_dlg.bouquete}

 

***


a poesia é talvez ainda também
este respirar num suspiro de alegria
que na inquietude da alma mãe
ilustra por toda vida a fantasia

cada pessoa na alma a interpreta
no som e no sentido da palavra inversa
mas é na alma apaixonada do poeta
que a poesia é da arte controversa

não se sabe desde quando por ventura
a poesia se assumiu em arte de comunicação
mas sentimos quanto ela exprime de ternura
quando sentida com amor e emoção

lá vem rejubila no aroma a Primavera
em verso solto ou em rima rimada
é uma sinfonia que na alma se libera
e que me encanta na mimica declamada

 

é drama protesta é lirica elogia é satirica
é arte que a alma modela e exalta
servindo-se dos poetas é neles onirica
que inebria o pensamento e o assalta

quando vestida na elegância do soneto
estado maior que a arte sublima
a poesia assume a dimensão do alimento
que a cultura elege em obra prima

ao poeta seduzido da sua inquietude
que em poesia exprime da alma humana
a beleza de ser pura na atitude
resta-lhe a humildade poética soberana





autor: jrg

21
Mar11

A POESIA - VI...EFEMÉRIDE

samueldabo

 

Poesia...foto tirada da net

 

 

 

{#emotions_dlg.bouquete}

 

sonho um dia ainda te dizer
que o amor pode até ser poesia
quando a alma cansada de sofrer
se salvar do naufrágio na maresia

quando a poesia amanhecer
em nós amordaçados de desejos
e cada um de nós no outro acontecer
em versos com sabor a beijos

sonho sonhar-te poesia de paixão
vestida de sonho tão gentil
na elegância de te vestir sem pontuação
ao ritmo da melodia subtil

se vieres poesia em corpo de mulher
e de amor maior me seduzires
desfolharei para ti um malmequer
para em ti o meu amor sentires

sonho ser da poesia um mensageiro
entre vates e deuses descarado
ser por ela armado e feito cavaleiro
dentro dum poema versejado

porque não esmoreces na Invernia
nem és no Estio a perdição
sendo embora do Outono nostalgia
és na Primavera alegre sedução

sonho de sendo ainda aprendiz ser poeta
onde as musas espalham seu odor
martirizar a alma que me desinquieta
em odes de esperança e de amor

autor. jrg

27
Fev11

EXORTAÇÃO À MULHER !!!...

samueldabo

 

imagem Google...previsão para 2100

 

{#emotions_dlg.blueflower}

 

há no vento que sopra uma canção
que me toca a alma e aquieta
as batidas arritmicas do coração
o fogo perverso de ser poeta

 

há na chuva que no pensar nidifica
ensopa no tempo atormentado
apaga o fogo da emoção e amplifica
o sonho que tarda ser achado

 

há no fogo teu olhar deslumbrante
sinais da chuva e do vento
por onde escorre este amor amante
à cata do quarto elemento

 

há na terra som de luz da natureza
cheiro a húmus dela ensopada
sabores exaltantes de tua sã beleza
flor canção no vento achada

 

o vento sopra brando ou ruge forte
encanta a floresta doce melodia
agita o arvoredo molda a sul ou norte
e se desfaz em brisa pela poesia

 

a chuva fustiga telhas do telhado
e rostos serenamente tristes
avulta nela o ser belo apaixonado
onde ousas ser ou se resistes

 

o fogo é pavoroso à solta nos excita
aquece a mente a alma fria
se é de amor e na libido se espevita
o mundo gira o corpo rodopia

 

a terra é o elemento mais poderoso
gravita em volta duma estrela
sofre danos regurgita bem gostoso
Fénix renascida linda e bela

 

o homem mal dotado para resistir
inventou a graça do amor
em vento fogo e água amalgamado
na terra onde grassava a dor

 

a mulher ressurgiu nesta aventura
ara travar o caos que aí vem
durante anos foi vitima da conjura
do homem que rejeita sua mãe

 

 

autor: jrg

15
Jan11

FÊMEA VIRTUOSA!...

samueldabo

{#emotions_dlg.blueflower}

 

em cada vida há oculta uma tragédia

há quanto tempo as palavras timidas

onde me senti apaixonar pela comédia

que é viver o dia rico em noites frigidas

 achei-te triste entre as flores

um sorriso colorido no olhar inconformada

e logo ali reconheci os teus valores

mulher poeta mãe amor infeliz despedaçada

 não quero mais ver-te encurralada

nos teus olhos doces rutilantes de ternura

se despertei da noite tua alvorada

no renascer do mundo novo em ti tão pura

 atravessámos a floresta tropical

navegamos por mares suspensos entre continentes

unimos de amor Brasil a Portugal

somos amantes de amores virgens sobreviventes

 há um fulgor de fêmea adormecida

no teu olhar entre os lábios de sorriso penetrante

desde então partilhamos a alma e de seguida

reinventamos no ser este amor de amigo amigante

 dissecamos as feridas e o preconceito

lambuzamos de mel a perfídia que te condenava

arrancamos pela raiz o mal sem jeito

que no silêncio gritante do teu peito sombreava

 ah que bom é sentir-te mulher diferente

as palavras são a luz numa aura de esperança

feliz o amor que brota em ti adolescente

menina vestida de poema com alma de criança

 

autor: jrg

 

 

ana...{#emotions_dlg.bouquete}

09
Jan11

PRESENTE PARA UMA MENINA SÓ...

samueldabo

 

 

 foto de Mel Besuga

  {#emotions_dlg.redflower}

 

***

trago-te as flores e um brinquedo

palavras dentro dum sorriso

trago-te o pão bolos e um segredo

amar alimenta na alma o viço

**

trago-te amor duma forma estranha

uma carícia no teu rosto belo

um olhar que te penetra e te ganha

à solidão que colaste como selo

**

trago-te pincéis e tinta côr na tela

um cavalete e banco de pintora

para que exploda de ti criação bela

e meus olhos enchas de ternura

**

trago-te magia que exacerba vontade

um convite à festa da alegria

nos olhos luz que brilha é a verdade

nos lábios sensuais há poesia

**

trago-te um olhar diferente o mundo

esperança mora em ti tão pura

inunda o pensamento de amor profundo

estende a tua mão sem amargura

**

autor:jrg



01
Jan11

DE ENCANTAR TÃO DE TI TANTA BELEZA...

samueldabo

 

{#emotions_dlg.bouquete}

 

 

de súbito surge-me o teu rosto
tão linda airosa e bela
mau grado os sinais do fogo posto
que a ilusão deixou nela

 

quem foi no teu sorriso se apagou
a alegria de ser onda do mar
num vai e vem brilhante que cegou
amor que a tua alma faz gritar

 

fixo nos teus olhos doce ternura
dizem no silêncio que calas
a dor do erro humano que perdura
soa nas palavras que exalas

 

pode um ser mulher no preconceito
ser livre de virtude inteira
quando o amor que sente no peito
esbate como onda na barreira?

 

sondo a alma se foi magia feitiço
quero soltar nova a confiança
levantar mais belo o teu sorriso
a alegria feliz duma criança

 

por mais que doa o ser abandonada
ou do amor perdido a ilusão
uma onda é no mar força alternada
traz e leva a energia da razão

 

elevar-te ao Olimpo sendo a deusa
que partilha a alma solidária
por mais que a amargura te reduza
és onda do meu mar imaginária

 

de encantar tão de ti tanta beleza
num coração mulher humanidade
escrevo em cada verso amor e natureza
com palavras de mel e amizade


jrg

31
Dez10

ESPEREI POR TI

samueldabo

{#emotions_dlg.bouquete}

esperei onde sentida me disseste
à hora que os teus sonhos te disseram
na inquietude da brisa não vieste
nos dias nocturnos que me aconteceram

 

esperei porque senti a voz dizer
que havia um absoluto cascata de amor
algo de novo para nos apetecer
no calor do fogo extraído à nossa dor

 

 

esperei dentro do tempo eterno
que me chegasse sinal toque ou cheiro
do qual eu fosse afim fraterno
me tomasse vivo ou morto por inteiro

 

esperei mulher a tua infinitude
na clareira o sonho exibe a fantasia
tardaste ou foi-se a juventude
lirica esperança que basta à poesia

 

tantas vezes o sol foi nascente
na alma do teu corpo em mim apetecido
não faz sentido haver presente
se futuro é esperar pelo desconhecido
jrg

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