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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

28
Set12

SER AVÔ

samueldabo
imagem pública tirada da net
*
SER AVÔ
**
ah se eu pudera
ser avô
de todas as crianças
que não têm
por troca de sorrisos
um mimo
um gesto infantil
ouvir seus gritos
de mágicas surpresas
e correr
a fingir que estou cansado
deixar-me apanhar
sentir seus prazeres pelo triunfo
a incitá-los 
para que ousem vencer
sem medos
e aplaudir sempre de pé
o serem capazes
olhar seus olhos inocentes
confiantes
*
Helena ao longe já me sorri
teu sorriso lindo
de menina tão bela e mimosa
mal nascera
internada por doença
ficou tímida
indecisa mas atenta
tão depressa
de botão se fez aberta flor
a desabrochar
abriu pétalas fez-se à liberdade
encantadora
avô empurra para eu baloiçar
a rir-se ladina
quando deixo que no balanço
me toque com os pés
quando o baloiço vem veloz
a parecer que vai voar
menina de esperança princesa
como estás crescida
*
os meus olhos não páram
sou avô mesmo
o Pedro é terrível esconde-se
a Leonor afoita-se
temo que caiam se magoem
a repartir-me
são tantas as crianças
parecem pardais
em voos rasantes a pipilar
Matilde Constança
Francisco Pedro Leonor Sofia
Maria Margarida
e bebés que me olham a pedir
um afago de olhar
um gesto que transmita confiança
Mafalda Mariana
está bem eu empresto-te
o meu avô
diz o Pedro com ar malandro
a mostrar-me
o que já sabe fazer em equilíbrio
*
avô sim Leonor
já viste o que já sou capaz?
vá repete quero ver
e ela meu orgulho de menina
tão crescida
são ciúmes partilhados
de me verem ela e ele
disputado por meninas e meninos
um parque cheio
dos sorrisos mais lindos
da humanidade 
escondidas toca e foge correrias
histórias de plantas
de animais o pombo a lagartixa
os melros a saltitar
cães gatos e choros aflitos
de medos ou quedas
ser avô sei agora eu não sabia
de todas as crianças eu quisera
autor: jrg
27
Set12

NAS ASAS DA POESIA!

samueldabo
imagem do autor
***
NAS ASAS DA POESIA
**
da janela da casa
pela manhã
a que deita para o quintal
onde a dona Júlia
solitária estende a roupa
e os gatos namoram
ao entardecer
vejo a parede de silêncio
com um buraco
antes de evasão de fumos
onde um par de aves
apaixonadas 
vão fazer dele seu ninho
sinais de pura magia
que ainda aqui há gente ou vida
o outro sou eu a sonhar
jrg
24
Set12

MEU POVO ENXOVALHADO !!!

samueldabo
imagem pública tirada da net
**
MEU POVO ENXOVALHADO !!!
***
quem dera
que aquele rouxinol
ali daquela gaiola
cantasse enquanto espera
que surja de novo o sol
abra as pétalas a papoila
.
quem dera
que ao piar a coruja
na noite escura
se assustasse a severa
cobra que a intruja
rastejando a terra dura
.
quem dera
prendessem aquele ladrão
ali em sua poltrona
pelo crime que então fizera
de roubar o pobretão
nem mais pão nem azeitona
.
quem dera
o melro alegre cantasse
no restolho a joeirar
lá onde o homem pondera
em sua alma a catarse
dum mundo novo a pairar
.
quem dera
daquelas raízes brotassem
plantas flores belas
onde o ladrão as perdera
e dos frutos que medrassem
saíssem alvas estrelas
.
quem dera
que o crime do criminoso
fosse a bom julgamento
com justiça pois pudera
ser do povo o mais vexoso
fruto caído do vento
.
quem dera
aquela pomba arrulhando
num ombro de mulher
de tão branca que eu quisera
na paz dela mergulhando
ver a esperança amanhecer
.
quem dera
ter nascido entre primeiros
que meu grito aturdisse
entre bichos e plantas nova era
de quem somos pioneiros
do ventre feminino já o disse
.
quem dera
o pesadelo desta vigarice
que rouba a alma de meu povo
em sonho meu houvera
de resgatar o seu valor e visse
o fim deste viciado jogo
.
quem dera
aquela andorinha adejasse
sôfrega de carinho e amor
sobre o novo tempo ou Primavera
onde um sorriso encantasse
nos olhos duma criança o fulgor
autor: jrg
19
Set12

EPITÁFIO - (para a PAULA)

samueldabo
imagem pública tirada da net
*
EPITÁFIO
(para Paula)
*
juntam-se à despedida
no silêncio apenas
a morte
trocam olhares demências
cada um em seu drama
a pensar
*
amigos conhecidos família
ligados por um fio
o sangue
ou a memória das vidas
que foram um dia
o tempo
*
a decompor-se nos vermes
o corpo jaz ali morto
vegetal
que antes repartiam entre si
interstícios da carne
nas orgias
*
a persistência do mistério
na homilia do padre
morrer
a encomenda das palavras
faz-se tarde a morte 
já partiu
*
terá rondado alguém eu tu
o gato preto ronrona
porquê
tanta disputa tanto ódio
fétido cheiro tétrico
quem era?
*
foi de repente adormeceu
terá deixado algo
por fazer
uma sentença um desejo
uma memória dizer
não quero
*
tristes e indizíveis actos
rostos desnoitados
funerários
carregam a urna deitado
um corpo sem alma
amortalhado
*
segue o cortejo lentidão
servil ao protocolo
quem era ..é
o som cavo da terra tapa
flores que me cobrem
olhares
*
cada um regressa ao sitio
o corpo manchado
ali fica
embebido na arenosa terra
com flores a murcharem
da vida
autor: jrg
11
Set12

POEMA LIVRE AO PRIMEIRO MINISTRO DE PORTUGAL!!!

samueldabo
imagem pública tirada da net
**
POEMA LIVRE AO PRIMEIRO
MINISTRO DE PORTUGAL!!!
«««//»»»
mesmo o ladrão mais insensível
tem seu código de conduta
nos idosos indefesos não se toca
se o ladrãozeco desprezível
a coberto de leis de que desfruta
ousar roubar a uma velhota
o produto da poupança é incrível
*
eu podia imolar-me pelo fogo
ou acampar à fome em frente ao seu reduto
mas nada disso redime a cobardia
por isso resisto com a palavra entro no jogo
recuso ser cobaia ou contributo
para matar um país nobre o meu em agonia
vitima indignado pelo seu roubo
*
até aqui lhe perdoavam os acólitos
e outros ratoneiros imorais
mas o vício de roubar está ao rubro
vê-se nos seus olhos eólicos
e no vinco dos seus lábios infernais
que espero findem em Outubro
pelos rumores de revolta já eufóricos
*
o senhor vendeu a alma a mafarricos
dum povo que jurou servir
travestiu-se de Zé do telhado inverso
rouba aos pobres e dá aos ricos
está-se lixando que o país esteja a ruir
rumina leis de dia à noite faz sexo
e anuncia que ainda há mais sacrifícios
*
estava na cara do tempo seu ar rapace
bem sei que é intermediário
o senhor é o Conde Andeiro nesta crise
ao serviço da usura dá a face
vendendo ao desbarato o nosso erário
é incapaz a resolver uma chatice
sem roubar quem não tem o que sobrasse
*
mas o senhor é também frágil por demência
ninguém lhe diz a figura triste
que faz quando se ri ao aprovar medidas
que toda a gente vê em consciência
que remetem para o degredo quem resiste
e para a cova funda quem tem dividas
digo-lhe eu o senhor é um canalha em evidência
*
o senhor é um predador um cruel tirano
prestes a derreter sob a cinza da sua devastação
tem pés de barro como todos os tiranos
eu sou do povo massacrado pelo seu ideal insano
ergo a minha voz a alma o coração
não ficará impune exigimos a reparação dos danos
e damos a escolher: exílio ou guano
*
porque a sua ambição é destruir uma Nação
usando o facho incendiário
como Nero destruiu Roma enlouquecido
custe o que custar fraca visão
ele via vultos o senhor é cruel e solitário
ouça o recado do vento enraivecido
não espero que s'arrependa quero a sua rendição
*
autor: jrg
07
Set12

O ACTO DA CRIAÇÃO LITERÁRIA E O SILÊNCIO!...

samueldabo


imagem pública tirada da net

*

O ACTO DA CRIAÇÃO LITERÁRIA E O SILÊNCIO


**


podias ser 
a minha fonte d'inspiração
e não este meu grito
a desfazer o som opaco do silêncio
que me estilhaça o pensamento
como pode alguém ser da arte criador
se interrompido quando pensa
para acudir aos teus afagos e desejos?
*
há quem pense
por entre os murmúrios do café
ou na roda viva duma orgia
mas não é a mesma coisa meu amor
rasgar o silêncio do alarido
de pensamento livre e acintoso
ou ouvir o teu gemido
a martelar a cadeia de pensar
*
não se trata aqui to digo
de mãos dadas caminhando ao luar
de que te cales ou vás
porque o teu grito nem a morte cala
só eu de mim posso calar
em cada hiato de tempo que houver
mas não me digas nada
quando o meu silêncio te silenciar
*
o dilema é não saber
quando o pensamento irrompe a adejar
sobre a ideia a amanhecer
a alma fica em êxtase não dá para mudar
acredita que te amo podes crer
porque o amor é o grito maior a ecoar
na mudez da mente a fornecer
os dados à ideia pronta a zarpar
*
e és mesmo sem querer
a musa o mito que me desencaminha
desde as profundezas do mar
a revolução do pensamento permanente
que faz o silêncio em mim gritar
ao som do teu dizer estou aqui e sou alguém
a que o silêncio não pode calar
por mais que a criação teime em ser momento
*
autor: jrg

06
Set12

ABISMOS DA POESIA...

samueldabo

imagem pública tirada da net

**

ABISMOS DA POESIA

«««//»»»

 

poetas são loucos finos
inventam a fantasia
guerreiros inda meninos
abismos da poesia

poetisa de alma sensível
em verso cheio de luz
qual militar sendo cível
lança poemas seduz

cantam de musas amores
sonham imortalidade
poetisas sábios rumores
no ventre da verdade

trago um cálice de vinho
para a orgia da ceia
não quero rimar sozinho
antes preso a tua teia

poetas são anjos desgraça
travam rixas graciosas
não escolhem arma ou praça
calam musas preciosas

que fazer perante a poesia
se a alma sente e gera
palavras agridoce maresia
amores do corpo à espera

quem na humildade se esmera
e numa poetisa se arrima
tem alma poética e pondera
sublima-la em obra prima

Autor: J.R.G.

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