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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

21
Mar08

S.MIGUEL,AÇORES, O SONHO DE ESTAR VIVO-Parte I

samueldabo

O pequeno avião inicia a descida e já se vislumbra a escarpa de rocha , magnífica de força, em cujo topo se situa o aeroporto.

Em baixo o mar ataca a estrutura natural com a doçura das ondas espumando de alegria alvoroçada. O meu peito a transbordar de emoções vividas na Terceira.

A espera pela bagagem, adivinhando originalidades nos outros, a ansiedade daquela jovem, o homem de negócios impaciente, rostos abertos, diálogos leves, olhos brilhantes de vida.

O dia quente e húmido, odores marinhos a requerer a minha capacidade de adaptação. Afinal já estive em África e na Guiné o sol era mais intransigente.

A residencial Alcides, o bife especial duma carne macia e sem igual, o delicioso ananás.

O passeio a pé pelas ruas de pedra preta, reluzente. Rostos amigos de gente anónima que se cruza, que pára para comunicar, sem pressas. Caminhar até ao mar. A Avenida marginal com palmeiras e largo passeio. A baía calma e os barcos acostados no cais. A muralha que defende a cidade e esconde o mar

A visão sublime duma espécie nova de mulher: a mulher de cabelos loiros, tez clara e olhos verdes de um verde irisado de outros verdes, como cristal colorido, esmeralda de veios intrusantes , ou outra preciosidade que não acho na memória. A simbiose entre o mar, o verde das árvores e a riqueza dos templos? Onde andam os pintores?

E ali fiquei, abstraído do todo que me envolvia,, seguindo a imagem delicada e segura em passadas confiantes, qual deusa idolatrada. De uma beleza contagiante de mulher, divinizada por mim, naquele instante. Basbaque continental envolto em perfumes sobrenaturais. Como queria registar a tua imagem em papel ou fita de cinema. Que medo eu tenho de me perder na memória. Hoje aqui ficas, para que conste.

As pessoas de Ponta Delgada, já tinha constatado na Terceira, são de uma afabilidade que ultrapassa a mera educação da hospitalidade. Criámos empatias e intimidades conluiadas na disputa de quem me levava ali ou além. Os lugares imprescindíveis Os almoços, os jantares, as noites em diálogos do saber e da solidão permitida.

Ganhou o Neves da papelaria, tipografia. Portugal aqui, liberto de preconceitos. E seguimos viagem por estradas pitorescas de verdes e encantos. Parámos num miradouro para que eu visse em absoluto na sua magnitude exuberante de beleza natural, As Sete Cidades, o contraste entre o azul e o verde das lagoas, a pequena cidade para lá do monte junto ao mar.

Apanhar umas quantas pedra  ume que abundam nas margens, como ovos deixados ao abandono. Aspirar os aromas, a sensação de liquidez ambiental e voltar, rumo à cidade.

Passear à noite, na marginal, as luzes lá à frente de outra cidade, Vila Franca e deglutir-me na Sol mar com as queijadas da vila. Junto ao clube naval, num terreiro em frente, jovens estudantes divertem-se nos festejos do inicio do ano académico. Gritos e cantorias, o som das guitarras na noite calma de S.Miguel .

O pequeno almoço, o leite, o queijo, os Açores a entrarem nas minhas entranhas, a adoptarem-me.

 Admirar a beleza da igreja matriz. Sentir a religiosidade de um povo aqui cercado e com uma história de abandono por séculos de inércia. Visitar o Santuário do Senhor Santo Cristo. A imagem enclausurada atrás das grades, ao fundo da sala, majestosa , mítica de olhos grandes e comunicantes, com penitentes ajoelhados, gente que se entrega na crença da salvação ou que pede perdão por actos irreflectidos.

Almoçar em Lagoa num restaurante especializado em peixe. Os barcos em terra para arranjos. Pescadores que amanham o peixe junto à muralha. O complexo de piscinas naturais.

A Lagoa do Fogo é um assombro de emoção. A neblina que cobre a paisagem paradisíaca de vegetação luxuriante e que de quando em quando se entreabre movida por aragens frias e nos permite desvendar a cratera coberta de água estanhada, quieta, escondida.

O Zé Carlos da livraria foi o anfitrião deste desvendar de sonhos e, no regresso, mostrou-me outras pequenas delicias, como praias de areia e pedra negra com recantos únicos. Mas é muita emoção acumulada numa só viagem. Ainda não me tinha refeito do deslumbramento causado pela Terceira.

 

 

registed by: Samuel Dabó

 

21
Mar08

AS PALAVRAS QUE SEMPRE TE DIREI

samueldabo

As palavras foram sendo armazenadas a esmo, sem critérios, do que ouvimos e nos foram dizendo, do que lemos.

As palavras tomaram significado, importância na formação da nossa personalidade, à medida que as fomos codificando, armazenando, cada uma em lotes de muitas, na prateleira apropriada, e ali ficaram à espera de serem usadas.

Fomos aprendendo, ardilosamente, a utilizá-las em cada momento e estado de alma e segundo os objectivos que nos propusemos .

Temos palavras para todos os gostos, de circunstância, de amor, de ódio. Até quando dizemos: - Não tenho palavras para.... É porque não nos convém, no momento, dizer as palavras, ou porque tememos as consequências adstringentes.

As mais usadas são o sim e o não, tendência da infância. E nem sempre as assumimos na sua plenitude. Ás vezes trocamos o sentido da nossa própria vontade de as dizer. Dizemos uma quando queríamos era dizer a outra e vice-versa.

As palavras substituíram sons e desenhos que não expressavam adequadamente as nossas emoções. São mais práticas. E podem ter  vários significados  que criamos e que nos permitem sempre recuar perante uma qualquer reacção adversa.

As palavras podem ser absurdas, inapropriadas, indecorosas, obscenas, velhacas, irritantes, doces e melodiosas. Podem ser retumbantes, tímidas , medrosas , humilhantes. Mas são, apenas, palavras.

A patologia que as transforma em arma de destruição maciça, é a mesma que  induz a que se tornem paladinas de sublimes tratados pacifistas.

As palavras são temidas e amadas. São amigas. São desertos, florestas de enganos, são amor e paixão, são derrota e vitória, são traição.

São meras palavras que inventámos, algures no tempo e cujos significados fomos alterando aqui e ali de acordo com o efeito da sua aplicação.

 

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