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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

19
Mar08

NA ILHA TERCEIRA A PRIMEIRA- Parte 2

samueldabo

A estrada que liga A cidade da Praia à de Angra do Heroísmo, um piso bem cuidado, ladeada por pastagens em quadriculas rodeadas de pedras enegrecidas, o verde das árvores, as flores nas bermas a saudar quem passa com  aroma e cor, hortênsias , orquídeas de tons aveludados e as vacas pachorrentas atravessando a via, indiferentes aos automóveis, cheirando-nos, majestosas .

Nas localidades intermédias, os Impérios de cores aguerridas, sobressaindo da tradicional cor da pedra do casario e dos monumentos de traça renascentista, que os abalos sísmicos vão poupando nas suas constantes investidas. E ao fundo, à esquerda, o mar na sua majestade , parecendo dócil à distância, o mar azul .

Tanto que ficou por ver. O Algar do Carvão, as grutas, a caldeira da cratera de Guilherme Moniz. Mas uma chuva miudinha, o tempo escasso, o respeito pela bondade da hospitalidade.

O meu primeiro passeio pela cidade de Angra, teve paragem obrigatória na pastelaria, à saída do largo fronteiro ao hotel, quando a rua começa a descer em direcção ao mar, no Alto das Covas.

O café, Delta de boa qualidade e um percurso guloso pelas iguarias, com destaque para as Donas Amélia e as Queijadas da Graciosa.

Descer a Avenida que  desemboca no largo da Câmara e deter-me por momentos  no edifício da Sé, entrar e ficar apaixonado pela sumptuosidade envolvente.

Chegar ao mar, a baía, o forte de S.João Batista, o Forte de S. Filipe, o Monte Brasil.

Descer até à nova Marina, orgulho dos Terceirenses, o restaurante, A esplanada a convidar um breve repouso a ouvir o murmúrio das ondas esbatendo-se nas pedras que formam a muralha.

Retemperar das emoções com uma refeição salutar na casa do peixe, provar o vinho dos biscoitos,  o queijo fresco com o acre sabor vermelho, o ananás de sabor único ,a arranjar energias para atacar o monte que, em frente, me fazia negaças, como que duvidando da minha capacidade.

Subir o Monte Brasil, a pé, por entre frondoso arvoredo, povoado de ideias de mistérios, de encontros afortunados, de silêncios cúmplices  e deter-me no local de vigias antigas, onde os baleeiros sondavam a aproximação inocente dos cetáceos e bradavam ás  companhas .

Descer novamente a estrada serpenteada , atravessar a mata, descer escarpas até um novo posto de vigia desactivado e encontrar um par de namorados que se beijam ou se aquecem ao sol que entretanto se instalou em toda a plenitude.

O parque infantil de grandes dimensões, à  Americana, preenchido de crianças felizes e descomprometidas.

Na residencial, um banho urgente.

Apanhar o ultimo autocarro para os Biscoitos o qual faria a última carreira de regresso. A delicia da paisagem marítima , as localidades rurais, o gado nos pastos em jeito de postal.

Nos Biscoitos, o mar com ondas e areal, o museu do vinho, os processos de fabrico e maturação. Provar. Um néctar. Comprar uma garrafa e sair a correr: O motorista ,fiel à palavra dada, a apitar, rompendo o silêncio de Domingo.

Jantar no Carolina do Aires e conhecer o mestre Chico . O peixe espada grelhado na pedra, o queijo fresco, o vinho do Pico, as Donas Amélia .

Descer novamente e voltar à casa do peixe, onde o som de guitarras e cantares juvenis, entoando baladas que me fazem lembrar outras descobertas, me atrai. Estão sentados, outros em pé, A baía com as águas espraiadas, uma brisa quente e húmida, a silhueta do forte e o Monte  Brasil em crescendo, as luzes mortiças de candeeiros antigos.

Caminho ao longo da muralha e saúdo os pescadores de cana, linha, até ao bar no limite da estrada, na base do monte e tomo um outro café.

Volto aos cantadores, jovens à procura de encontros espirituais, de se acharem no turbilhão das oportunidades que vem de longe, a apaziguarem a fatalidade de estar numa ilha que não tem lugar para todos nos seus sonhos.

A noite soberba e tão ampla. Olhar da janela do quarto a perscrutar a escuridão do mar na procura de uma luz, um indicio de vida em frente, ao redor e nada. Escuro e o que é suposto ser o oceano imenso que nos cerca e defende.

Na avenida da sé, o frenesim dos automóveis, sobem e descem e voltam a subir porque parar é morrer.

A Adega Lusitana, a sopa dos deuses. Da AVÓ.

- Posso comer só a sopa?

O sorriso simpático da empregada, A alcatra cozinhada com amor. E novamente o queijo, o ananás, a Dona Amélia de sabores indiscretos.

É a hora de partir. Com que infinita saudade!

O aeroporto em obras de remodelação. O pequeno avião que nos leva para S. Miguel.

O adeus Terceira, com amizade, com amor, com paixão.

 

 

registed by : Samuel Dabó /P>

 

19
Mar08

NA ILHA TERCEIRA A PRIMEIRA- Parte 1

samueldabo

O Baptismo de voo ia acontecer naquele dia, Domingo, que amanhecera limpo de nuvens à vista, de temperatura amena e sem chuva.

A impaciência e algum receio à mistura, pensamentos cruzados de tragédias, despachar a bagagem e mais um café, um cigarro, o relance de olhos pelas lojas, o som de línguas distantes, rostos serenos espreitando as noticias de jornal.

O avião, visto de fora, era imenso, de linhas graciosas, a frente fazendo lembrar um pássaro gigante de aspecto benigno., e doce No interior assemelhava-se a um autocarro de grandes dimensões. Confortável. Tinha pedido lugar à janela para poder visionar todos os pormenores da partida e da chegada. Emoção.

No avião, há janela, por cima das nuvens, desfazem-se mitos de tradição evangélica. Denso infinito embaciado por nuvens de estranhas formas que cortam as asas da aeronave e a fazem estremecer de emoções.

Olho os castelos, formas abstractas, surrealistas, gotículas de água, microscópicas, agregadas por cósmica energia e suspensas, vogando ao sabor de ventos, constituídas em reservas de água para alimentar a vida. Paisagem alucinante, com o Sol a reflectir-se nas asas humedecidas dum objecto que foi sonho. Voar.

O recorte da Ilha a desenhar-se, miraculosa, na aparente infinitude de água que a cerca. A espuma branca do mar que ressalta da investida contra as escarpas a pique. Barcos  tão pequenos que parecem de brincar.

As pistas, a nossa e a deles onde aviões de carga se refazem da jornada. Aviões com sabor a guerra.

O ar fresco da manhã. A emoção indescritível de pisar um solo distante que também é Portugal. As ilhas.

O homem do táxi. Como te chamas? Que importa. Retenho o orgulho de seres Português e Ilhéu . A hospitalidade. O brio da profissão.

-Se não tem pressa, pelo mesmo dinheiro até Angra, levo-o a uma curta visita.

Acedi sem constrangimentos. Perdoa, amigo, mas como continental desconfiado, não pude deixar de confrontar, mais tarde, o preço da tirada, com outros colegas teus. E tinhas razão. És um homem bom para quem o lucro não está acima da humanidade que queres ser.

A cidade da Praia da Vitória,num leve declive até ao mar. As linhas harmoniozas das rua e da arqitectura . A velha igreja. Nemésio. A Virgem Negra no seu pedestal no alto do morro sobre a marina,  onde subimos para ver a amplitude das referências que querias dar-me a conhecer.

A base, o bairro dos Americanos, o aeroporto, a cidade. a praia de areia escura, os prados divididos com precisão geométrica. Histórias da tua vida, a saúde, os mecânicos exclusivos da insularidade, em cartel.

 

 

registed by: Samuel Dabó

 

19
Mar08

QUE FORÇA É ESTA,AMIGAS, AMIGOS?

samueldabo

Que força é esta que nos  leva a acordar à hora certa, lavar, vestir, embelezar e por o sorriso da bem aventurança ou a máscara da dureza defensiva?

Que mola, motor, alavanca, nos relaciona, no escritório, com chefes emplumados de fastidiosa sabedoria e colegas sinistros que nos acamaradam à espera de nos verem naufragar?

Que conluios estabelecemos com o Eu que somos, na verdade, para participarmos nas orgias da produtividade falaciosa, com promessas de melhor repartição do lucro global, quando sabemos , sentimos, que são apenas palavras?

Que nos leva a acreditar que seremos premiados, na qualidade de contribuintes cumpridores, cartão verde de cidadania, boas práticas, quando vemos os faltosos, os desenrascados, os chicos espertos, perdoados por insolvência fraudulenta ou prescrições induzidas?

Que perda é esta do sentido da evidência do que somos que nos tolhe perante a violência física e psíquica dos amantes que escolhemos, sem a observância de critérios de avaliação da personalidade?

Que força é esta que nos aguça a inveja, a gula, a soberba, a ira, a avareza, a luxúria e nos lança na preguiça de aceitar os fatalismos da desgraça, para não ter que dizer: Não!?

Que força é esta, amigas, amigos, que nos afasta da corrente de humanidade que somos e nos impede de construir a UTOPIA do amor?

Aqui vos convido, despido eu e vós, dos preconceitos "pecaminosos" enunciados, a uma reflexão apaixonada.

 

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