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SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

SamuelDabó

exercícios de escrita de dentro da alma...conhecer a alma...

10
Fev08

REFLEXÕES SOBRE O SER

samueldabo
Dou por mim a pensar que somos todos frutos do acaso. Concebidos de forma dita natural ou fabricados, induzidos em laboratório, só chegamos a Ser porque não ocorreram acidentes impeditivos.
Há quem defenda que a vida das pessoas se rege pelos mesmos principios, de luta pela afirmação sobrevivência, travada no colo uterino pela vitória, entre milhões, do candidato a Ser.
Quer isto dizer que somos todos vencedores, os que por aqui andamos. E é nesta qualidade que nos animamos na continuidade da luta pelo poder.
Todavia, ao longo dos milhões de anos de Sermos, fomos aperfeiçoando as regras de convivência entre clãs e entre grupos de clãs, e entre Seres entre si.
Nos últimos 200 anos o Ser que somos, deu um salto significativo na dignificação da espécie, alterando comportamentos autocráticos e de superioridade rácica, igualizando todos os Seres nos níveis de oportunidades e permitindo, depois , que a luta se trave pela superioridade de riqueza acumulada e não já pelo direito a existir como Ser.
Não obstante este avanço de mentalidades, grande parte do mundo ainda vive sobre leis que protejem os continuadores da saga medieval dos grandes senhores.
E chegados a este estádio de desenvolvimento, lembro que os Indios Americanos davam grande importância ao Conselho dos anciãos.
continua...
10
Fev08

MEMÓRIAS DA GUERRA (C)

samueldabo

Calibo !

Os olhos grandes , brilhantes a sobressaírem da pele morena. Olhos lindos, assustados, talvez por sentir o seu mundo invadido por um estranho de pele clara, que sou eu. Um intruso no seu quotidiano onde apenas as árvores são verdes, em tudo o resto predominam as cores quentes. Escuridão.

Foi amor à primeira vista. Seduziu-me para sempre, e já lá vão quarenta longos anos.

As tardes soalheiras , sentado à sombra acolhedora do telheiro da tabanca , ora mirando-a nos olhos, ora pegando-lhe num abraço de ternura, enquanto a irmã mais velha dançava e cantava no embalo do pilão. Graciosa.

Terás conseguido ser mulher? Esquecido os abusos de alguns, que procuravam acariciar os seios de tua mãe enquanto te alimentavas?

Calibo , doce menina de meses, a quem nunca vi um sorriso. Aqui te relembro com amor.

 

 

 

registed by: Samuel Dabó

10
Fev08

PAIS BIOLÓGICOS

samueldabo
Não acreditamos que um pai, que não tenha conhecido o filho ,nos primeiros dois anos de vida, fruto de uma ligação esporádica; que tenha posto em dúvida ser de sua autoria,venha dizer que tem um sentimento forte de amor e reclamar a devolução do mesmo.
Pode até ser. Mas não acretitamos.
As noticias que trazem ao nosso conhecimento os dramas de famílias e crianças, estas disputadas em tribunal como mercadoria, mostram-nos um mundo preverso e hediondo que a razão ignora para gáudio da afirmação do sujeito entretido em alimentar o sonho de ser, ao menos uma vez, o actor principal.
10
Fev08

MEMÓRIAS DA GUERRA (B)

samueldabo

O manel era básico, e não queria. Eu básico, pá Eu sou padeiro!

Baixo e gordo. Menino feio, desdentado. Comia tudo e de tudo. Básico.

Para os restantes era um motivo de corte com a monotonia. Uma evasão ao mundo da fantasia que a figura grotesca do Manel induzia .

O calor vinha e instalava-se logo pela manhã. Um sol de cor amarela, quente e húmido.

Todos tinham acordado bem cedo, era dia de partida da região interior, para a cidade e de aí, o lar há tanto esperado.

Manuel António fora talvez dos primeiros. Arrumara tudo na véspera, o rosto da morena de olhos grandes, verdes azeitona, que o esperava, ansiosa, martelava-lhe a cabeça. Dormira pouco. Nada. Partir.

Sózinho no meio da parada, silêncio e odores das árvores de manga. O ruído surdo do motor da geradora. Gritos dos macaco cão,a despedida. Os olhos grandes e interrogadores de Calibo , a menina de 2 anos que o enfeitiçara. África.

Aos poucos, os homens vão-se chegando para a partida. Carregam-se as camionetas com os pertences. Formam fila para a distribuição do pão e café. Há uma alegria renovada nos rostos macerados pela desordem emocional dos meses no interior da guerra.

Era uma guerra diferente do que haviam imaginado enquanto cresciam. Aqui não se viam os opositores.

Lentamente, como se não houvesse pressa, a coluna põe-se em movimento pela estrada de terra batida, amarelo avermelhado. Densamente empoeirada. E já se vêem os primeiros alvores que sobressaem da escuridão, como fantasmas assustados na tentativa de impedir a partida.

Ao longo da estrada que atravessa a povoação de colmo, figuras estáticas de rostos indizíveis, túnicas brancas, rostos velhos e gastos. Olhos misteriosos. E um aceno de mão.

Na frente seguem os grupos que procedem à picagem da estrada, na tentativa de prevenir as minas anti-carro . Avanço lento, cauteloso.

Manuel António decidiu que faria os 28 quilómetros a pé. " Saber .para prever a fim de prover", tinha lido algures. Seguia atrás da ultima Berliet , ele e mais alguns.

A estrada longa e seca onde de quando em quando largas crateras, de minas antigas, retardava o avanço já lento das viaturas.

O sol ardente e húmido atraia milhões de mosquitos sequiosos de suor e sangue. Pó e pensamentos desavindos. Chegar !

De um lado e outro a floresta silenciosa , onde a voz dos macacos anunciava a passagem dos homens "famintos", escondia perigos anunciados.

Durante as quatro horas já decorridas, os pensamentos em turbilhão, impediam a lucidez da razão. Alguém dizia para que subissem. A coluna tinha chegado ao ponto de encontro com os do outro lado. A partir de agora o caminho era seguro.

Os homens subiram para as camionetas. Rostos desfigurados pelo cansaço. A casa é já ali.

Para Manuel António, o seguro morreu de velho. Temia os fornilhos comandados à distância. Uma forte dor de cabeça e os olhos cobertos pelo suor e pó. Lama. pensamento único: chegar! Mais uma hora, talvez menos. Chegar!

Cambaleante, Manuel António segue atrás da última berliet . É já o único. A água esgotou no cantil. Segue a viatura como um cão. Chegar!!

A coluna entra no quartel de chegada e os homens vão saltando e confraternizam entre si. Laivos de lucidez. Gritos de alegria. Comer.  Beber. Dormir.

Manuel António é o último, passa a berliet que estacionou e segue em passos dolentes até à beira do rio e num desejo antigo de ser homem, mergulha a cabeça dorida na água fria. Chegar! Chegar! Chegar!

 

 

 

registed by: Samuel Dabó

09
Fev08

MEMÓRIAS DA GUERRA (A)

samueldabo

O sol tórrido de Julho, manhã cedo, já alagava os pescoços dos soldados e atraía a mosquitagem sedenta, queimando as frontes latejantes dos que, bem atentos, íam picando a estrada de terra amarela avermelhada ao longo do percurso de 8 quilómetros.
O grupo da frente, os picas, pé após pica e novamente pé, na tentativa de detectar mina ou armadilha, detinha a responsabilidade e o risco.
Para tráz, estrada liberta do medo traiçoeiro, ficavam emboscados os pelotões , cada um de quatro, na espessa floresta de tons verdes contrastando com o amarelo do capim.
Chegados ao local, os homens do último pelotão e a milicia que lhes servia de escudo avançado, tomaram posição nas bermas da estrada, sobre a protecção quente e humida da mata.
Por uns breves momentos, a memória alcançava outras paragens, momentos de meninos, outras guerras, os pais, os amores.
O perfume adocicado dos cajueiros, nesperas de África no aroma. O olhar atento dos vigias. Ouviram-se, enfim, o roncar das berliets que se aproximavam, dois terços percorridos sem incidentes
Os homens, impacientes, subiram para as camionetas carregadas de víveres, e alguns sorrisos procuravam desanuviar a tensão das horas anteriores.
Ao iniciar da marcha, Blooommm!..., Uma forte e inexperada explosão, atirou ao ar homens e fardos de comida, como se houvesse uma falha de gravidade.
Os homens espalharam-se pelas bermas e disparavam em todas as direcções, sem nexo.
Depois nada, o silêncio e de repente, um grito lancinante do motorista da primeira camioneta: não, não me deixem morrer. Quero ver o meu filho.
A perna presa por tendões, junto ao joelho. Era grave O comandante pede um helicoptero via rádio. Que não. Os gritos do motorista: quero ver o meu filho. E o quartel general dando instruções, o heli teria de vir de Bissau.
A coluna reorganizou-se. Apesar das picas, o adversário usava outras técnicas, os fornilhos comandados à distância, cujos explosivos são enterrados mais fundo e com antecedência, tornando a detecção quase impossivel com os métodos artesanais.
Apesar dos esforços do enfermeiro, o motorista não iria conhecer o seu filho. E o filho deste homem não vai saber que o pai morreu sem glória, de uma forma torpe ao serviço de interesses
mesquinhos.
Os milicias Africanos que deviam ir na frente recusavam. O chefe deles, corajoso e leal aos compromissos, gritava com eles para que tomassem as posições. E deu o exemplo, procurando arrastá-los, correu para a frente das viaturas e Blooommmm!, nova explosão e já só o corpo dele em pedaços que ninguém iria chorar.
Perdemos a confiança nos milicias. Se eles tinham recusado é porque estavam coniventes. Corrompidos.
Alguns de nós, vencido, de todo,o cansaço, tomámos a dianteira da coluna e regressámos sem mais incidentes.

 

 

registed by: Samuel Dabó

09
Fev08

OS IDOSOS POIS...POIS...

samueldabo
Os idosos, pois...pois...
Alguns mal podem andar. Alguns não têm ninguém. E a lei que lhes permite,pomposamente, o direito de usufruir de uma melhoria no seu rendimento, o considerado complemento solidário que os coloca no limite da considerada pobreza, é de difícil alcance para muitos.
Oito folhas de papel. E têm que se deslocar. E se tem filhos ricos ou remediados. Se tem casas, quintas a render.
Há 50 anos, num regime autocrático, que abomino, havia a figura da visitadora, no ambito das casas de pescadores, que visitavam cada família e ali mesmo aquilatavam das suas dificuldades,remendando aqui e ali, com parca ajuda,mas tudo na graça do Senhor.
A junta de freguesia ajudava as crianças mais carentes, com livros e material escolar, algumas juntas de freguesia. Esmolas da despótica nação. Não é isto que queremos.
Em relação a este complemento solidário para que os idosos não vivam abaixo do limiar da pobreza, defendemos que deveriam ser acompanhados pelas juntas de freguesia que são quem melhor os devia conhecer e à sua situação económica.
Exigimos medidas mais simples e de proximidade, para que o dito bónus chegue a todos ainda em tempo útill.
07
Fev08

ANIVERSÁRIO

samueldabo

O mar e o rio estão serenos, hoje que festejamos mais um aniversário. E tal como eles, confluímos para além dos impossíveis que nos aconteceram, como se a Lua exercesse sobre nós o mesmo domínio. Um beijo de ternura. Um abraço.

Estamos confiantes de vencer esta enorme barreira que a vida nos colocou. E vamos continuar a sorrir,ás vezes de raiva,olhos nos olhos com a fera, espalhando esperança.

Eras a mulher mais linda do mundo. Um amor quase impossivel. Um Tristão e Isolda ou Romeu e Julieta, sem os desfechos dramáticos da morte, mas que os anos viriam a tornar, igualmente dramáticos pela natureza dos acontecimentos que nos sobrecarregaram.

Fomos vencendo. Vamos vencendo. Venceremos.

Continuas a ser a mais linda das mulheres, para mim que te idolatrei, e ainda não acordei do sonho de fazer parte de ti. A amizade e a ternura transbordam na nossa felicidade.

Desejamos que muitos homens e mulheres possam partilhar-se como nós.

Um beijo de amor.

03
Fev08

VENCER É UMA PRIORIDADE

samueldabo
Não desanimar. Vencer!
Cada pessoa é uma vontade em movimento.
Só a pessoa em movimento é capaz de mobilizar as vontades dispersas que há em cada um de nós.
O mar agiganta-se junto à costa, vai e vem. Esbate-se con violência contra os obstáculos que colocamos para impedir o galopante avanço. Vai e vem. E por vezes rompe as barreiras impostas, por mais intransponíveis que pareçam.
Existem situações de desespero. Pessoas que se automotilam, que se abatem, porque não encontram uma palavra de esperança. Um pai, um irmão, um amigo.
Digo-vos: Esperança ! Vencer!
Creiam que não são palavras vãs. É tudo uma questão do tempo que medeia entre o acontecimento e a sua resolução.
É tempo de vencer. De acreditarmos nas nossas potencialidades para dar um novo rumo à vida que parece inerte e sem sabor.

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