Domingo, 9 de Março de 2008

A PERSONAGEM

Lembro-me de ter sido sempre um menino triste e só, desde as brincadeiras no juncal, o imenso charco na base das dunas que dividem a aldeia do mar, e nem um sorriso a contaminar a pobreza do meio onde vivia.

A timidez, a exclusão, o sonho de comandar uma outra vida.

Entrar num café, Restaurante, loja movimentada, e sentir que todos os olhos perguntavam ao que vinha. O rubor das faces magras a vencer a cor tisnada pelos sois de muitos verões. As mãos à procura de solução para o vazio.

Olhar as mulheres bonitas e sentir desejos de lhes falar. Um piropo. Um convite à amizade. Amar. E a voz a ficar preza das emoções. Afónica. Nada. O medo de ser confrontado com as suas próprias insuficiências.

O primeiro emprego. Criar o hábito de conviver com pessoas. Aprender a higiene diária e elementar. Adquirir novos conhecimentos escolares.

Ler muito, de tudo e com critério. Romances, mas também história, psicanálise, filosofia, num amalgama de interesses que criem, ajudem a criar, a auto confiança. Forçar a entrada nos locais proibidos a tímidos . Ouvir as interpelações. Responder. Vencer o afonismo e dizer qualquer  coisa, por mais banal.

Querer intervir numa conferência onde se discute o homem. Soletrar toda a intervenção. E no momento, puf !

Ter ido à guerra e aprender o verdadeiro significado da morte. É tudo um improviso, como as armadilhas colocadas nos carreiros, com fios imperceptíveis  à espera de serem tocados, não importa por quem . Ir vencendo a timidez. Falar a mais de duas pessoas. Reforçar a responsabilidade de ser homem.

Amar, enfim, uma mulher com a exaltação de uma epopeia e ter conseguido voltar ileso, fisicamente ileso, com ideias mais reforçadas sobre a condição de ser homem. Ser já capaz de liderar uma sequência de actos e construir soluções eficazes.

Ter aprendido a sorrir. A visionar por entre as brumas, Experiências dolorosas. A militância partidária na dialéctica marxista como um toque precioso para a explosão da personalidade.

E continuar só, às vezes triste. Mas pleno de vitalidade, como se tudo fosse começar de novo e as células renovadas imprimissem as soluções nunca encontradas.

 

 

Registed by: Samuel Dabó

 

sinto-me:
música: bolero de Ravel
publicado por samueldabo às 12:48
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