Domingo, 21 de Outubro de 2012

VAGABUNDOS !


foto do autor
**
VAGABUNDOS
*
na praça há um corrupio
de gente miúda
grupos que discutem bola
à sombra do sol
ocultado por nuvens
crianças cães
e brisas que arrastam
as palavras
sob a palmeira o vagabundo
olha ao redor
a ver se alguém lhe chega
uma moeda 
ou um olhar cheio de vida
eu já não tenho 
o meu nada é o tudo
vou-me a eles
abro um hiato no tempo
uma moeda vá
sou eu que peço dez
cinco o que houver
e todos dão de boca aberta
a palma enche
o sol rasga sorrisos
enlouqueceu
pensam que virei político
duas mãos cheias 
de moedas e uma nota
ei! Zé toma
quero lá saber que o bebas
dum só trago
se é o que te resta de viver
a tua alegria é vinho
a água a luz a esteira rija
que não tens
no vinho tragas o poder
aqueces a alma
divertes-te na imaginação
não tens nada
não precisas de nada
estás-te cagando
para a troika para o governo
para a dívida
o roubo e a mentira
se houver vinho
rompes o dia a noite sem tempo
se não houver arfas
nas correntes de ar de andarilho
os teus olhos luzem
ao ver a mão cheia de moedas
metes no bolso e alas
que deus te pague dizes irónico
 abalas a balançar o corpo
ao ritmo do sino da igreja
que deus não me pagará
autor: jrg
sinto-me: preocupado
música: Vejam Bem - Zeca Afonso
publicado por samueldabo às 15:06
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012

DIZER POESIA - JOÃO RAIMUNDO GONÇALVES...por ISABEL BRANCO

 


*
E SE DE REPENTE

ME FECHASSE PARA BALANÇO?


***

de repente

enquanto à volta os meus passos
movimentam
tudo o que em mim é movimento
acho-me a pensar
que não tenho mais nada a dizer
depois do que disse
de tanto dito que li em meu redor
já só me falta não ser
na imensidão do mar eu abismo
sem sol nem luar
*
de repente
um desejo impetuoso de parar
ficar quieto
como uma maioria absoluta
a definhar
olhando sem ver o louco a louca
vicejando ao alvorecer
em cada esquina da vida a decantar
aforismos poemas
e causas tremendas horríveis
a doer-me de amar
*
de repente
tudo o que disse me soa a nada
vácuo vão inútil
de tanto pensar ensandeci de amor
pedra pesada
que não chega ao cimo da montanha
a meio descamba
e arrasta o que me resta de ter sido
coragem esperança
com a memória ainda em sangue
tão desventrada
*
de repente
não tenho deus nem pátria
nem família ou amigos
pés ou mãos que me aconcheguem
todos me calam
na profundidade de absurdos segredos
e se escudam
na promiscuidade da minha evidência
árida estéril imbecil
a propagar que já não tenho medos
para onde fugir
*
de repente
se um doce veneno uma picada indolor
um terramoto uma avalanche
de ideias consecutivas me acudissem
sem ter que perder
nem explicar-me a decisão de sair
de não mais dizer
que abomino o clamor deste silêncio
de onde teimo gritar
aos meus próprios passos que me sitiam
a alma surpreendida
*
de repente
uma vontade indomável de apagar
o que me identifica
lunático a acreditar na falsa esperança
que amar é dor que amor alcança
e a não querer ver a materialização fatal
que me e nos condena
à servil condição de sonhadores
de criar sonhos especular
sabendo de antemão que não vale mais a pena
viver nesta agonia a adiar
*
de repente
desligo o botão que me liga à máquina
e permito que o meu silêncio
seja também ele um grito fantástico
a ecoar nas almas em espertina
ninguém dará por nada tão de súbito
como a luz que se apaga
fica ainda a claridade do apagão a confundir-nos
sinto a leveza da queda
neste abismo que é o não ser em absoluto
depois volto à normalidade de viver
**
como se nada tivesse acontecido!!!



autor: jrg

***


REGURGITAR AMOR...


**
Imagino a gruta
para onde te levo
sob a falésia os arbustos
o aroma das urzes
onde te rimo com mar
e o mar de tanto amar
tão teu e meu a dor
*
lembro o sonho
de amantes sem segredos
enrolados nos corpos
possessos de beijos
para diversão das almas
que sabiam
da efemeridade dos medos
*
evoco da memória
que havia escondido no sonho
um pesadelo activado
porque amavas demais
um outro que em mim achavas
tão parecido ou crente a jeito
no sonho feito segredo
*
recordo o meu o teu
desinquietado desassossego
por onde desvairados
nos amamos sem pudor os corpos
por entre manchas de ternura
lágrimas compulsivas
de sal e mel te escorriam
*
regurgito onde te memorizo
o grito o gesto subil o cheiro
as palavras que disseste
de amor sentido meu degredo
e da vontade que é partir
ao teu e meu encontro
dizer-te que não tenhas medo
*
autor: JRG
sinto-me:
música: Duo Ouro Negro
publicado por samueldabo às 17:21
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012

PARABÉNS ANA MARIA... UM POEMA E DUAS CANÇÕES DE ESPERANÇA!!!



Ana Maria Pinto-Soprano
***
PARABÉNS ANA MARIA... 
*
UM POEMA E DUAS CANÇÕES DE ESPERANÇA!!!
**
mas havia ainda bem
outra surpresa 
de sublime encanto
no dia em que a República
centenária fazia anos
depois da bandeira 
hasteada inversamente
e da "plebeia" que ousou
perturbar aquela ilustre gente
clamando justiça
uma voz de timbre altissonante
Ana Maria lírica cantora
eleva a resistência bem avante
no seu porte firme de mulher
*
a voz impelida p'la paixão
do belo canto
ilustra em som diáfano
do poeta Cochofel
o poema que insiste em ser a arma
que incita o pensamento
a resistir dentro da toca dos tiranos
à força bruta
que à luz do dia fica impotente
mau grado a raiva
a voz ecoa no silêncio do medo
olhos nos olhos
com a crueza circunstante
e cala a oratória pestilenta
*
é a alma MÁTRIA Lusitana
na voz melodiosa
que estilhaça em tom agudo as consciências
eleva a voz do povo
chama ao combate os indecisos
num grito de mulher
a "Firmeza" do poeta e os sorrisos
duma criança a brincar
com o futuro lançado aos abismos
parece dizer
canto por ti Luísa por ti Maria
olha para eles
borrados de medo presos nas teias que teceram
para nós...canto a liberdade

 

autor: jrg


Ana Maria Pinto - foto pública
***
FIRMEZA
Sem frases de desânimo,
Nem complicações de alma,
Que o teu corpo agora fale,
Presente e seguro do que vale.
Pedra em que a vida se alicerça,
Argamassa e nervo,
Pega-lhe como um senhor
E nunca como um servo.

Não seja o travor das lágrimas

Capaz de embargar-te a voz;
Que a boca a sorrir não mate
Nos lábios o brado de combate.

Olha que a vida nos acena

Para além da luta.
Canta os sonhos com que esperas,
Que o espelho da vida nos escuta.

letra de João José Cochofel


***
Ana Maria Pinto foto pública
***
Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raiz

Acordai

acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai

acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

letra de José Gomes Ferreira
sinto-me: solidário
música: Fernando Lopes Graça
publicado por samueldabo às 21:34
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