Terça-feira, 29 de Abril de 2008

O MEU AVÔ ERA DO MAR

Respondendo ao desafio da minha amiga TiBéu . Aqui vai

A sua figura imponente, levemente dobrado dos esforços de puxa rede, puxa barco, arriba acima, corre, corre ao saco do peixe que se debatia em angústias de sede súbita e sem remédio.

Na cabeça prateada dos oitenta, o tradicional barrete, faça chuva ou sol. Na orelha, encaixada entre a patilha, à laia de lápis de merceeiro antigo, a agulha de madeira própria para coser as redes. Os pés descalços. Somente no pino do Inverno calçava meia de lã grossa e uns tamancos de sola de madeira.

A camisa de quadrados berrantes, a calça de cotim arregaçada a meia canela, deixando ver o branco das ceroulas e a fita caída que servia para prender quando se metesse na água do mar.

Fui seu companheiro nas pescarias nocturnas, para lhe fazer companhia. Eu que tinha medo do escuro e que, no regresso, o onerava com o meu peso ás cavalitas porque tinha os pés chatos e doíam-me da caminhada de quilómetros na areia leve das arribas.

Por fim cegou e foi a primeira morte da minha vida. O estranho ritual da despedida fúnebre, da maior e mais importante referência do meu ser. Relembro sempre as suas palavras:

COM ESTE TEMPO NÃO ANDES  DESCARAPUÇADO RAPAZ!

E OS NOMEADOS SÃO

Azoriana Azoriana / Açoriana

Pincess-mrt Princess (^-^,)

Cigana CIGANA

Juaninha http://juaninha_pires.blogs.sapo.pt

My thoughts http://my_own_space.blogs.sapo.pt

Lala Passiondance

sinto-me: de bem com o avô
música: O Lago dos cisnes
publicado por samueldabo às 23:28
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Domingo, 27 de Abril de 2008

TER...

Ter amor, esse sentimento tão profundo, eu em ti e tu em mim, como um só

Ter amigos, intensos, que nos ajudem e que não digam aquela frase torpe " se és meu amigo não me pessas  dinheiro emprestado".

Ter família

 Ter gente que se interessa por nós e gente por quem nos interessamos.

Ter gente que partilha a solidariedade.

Ter trabalho que nos alimenta os ócios.

Ter saúde e alegria por viver.

Ter orgulho de sermos o que somos.

Ter vontade. de viver sete vidas.

Ter sonhos que regurgitam na memória livre e se soltam para se realizarem.

Ter medo que nos usem e abandonem, descartável, sem préstimo.

Ter sorrisos que encantam quem nos quiser descobrir.

Ter a alma romântica de poeta. e espalhar poesia como arma de arremesso.

Ter a faculdade de aprender e de ensinar.

Ter a humildade de reconhecer que nada sabe.

Ter  a mente aberta a novas descobertas.

Ter o homem como fim de todos os motivos.

Ter da arte e do engenho e a ideia da concórdia.

Ter imagem.

Ter valores.

Ter a porta sempre aberta.

Ter uma convivência pacifica com os outros animais

Ter a graça de uma criança e ser feliz

 

 

sinto-me: positivo
música: Vejam Bem - José Afonso
publicado por samueldabo às 22:38
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008

PAIXÃO EM ANGRA DO HEROÍSMO - O DESFECHO

No quarto, Carla deitada na cama estreita do hospital. O rosto sereno. O coração palpitante a fazer o regresso, minuto após minuto. Os olhos cerrados sobre as pálpebras. Os braços caídos sobre o lençol, as mãos abertas. Carla, meu amor.

Sentou-se na cadeira que chegou para mais perto da cama e segurou-lhe a mão a recuperar do frio, já morna.

-Carla, grande amor da minha vida. Acorda. Esqueceste? Vamos casar. E os convidados estão à nossa espera. D.Rosa Silva já fez os poemas e mandou fazer a música. Vai ser uma marcha nupcial de Heroísmo a imacular a nossa festa. D. Chica , poeta embora, e amuada por não ser dela a poesia, acedeu a fazer os confeitos . Lala, a tua amiga Lala organizou as carnes e o peixe, vai haver cracas , tchiu , para que não se saiba, é um mimo para os forasteiros. Haverá vinho das lajes do pico, e o aperitivo dos Biscoitos.

Convidámos a Ilha inteira.

 As mesas na praça Velha , e dispostas, também ,nas transversais da rua da Sé, na vereda que rodeia a baía. E longas tiras de passadeira vermelha que percorreremos enlevados na áurea celestial do nosso amor. As flores, as mais belas, de todas as cores e perfumadas de aromas únicos.

Nós a sairmos da majestosa Igreja da sé, os vivas, as flores e outros enfeites atirados sobre  a nossa felicidade. São nove, as pétalas do sonho , que se esbatem levemente no teu rosto lindo. Tão Graciosa vais, no Pico das Flores, percorrendo a via de Santa Maria, esbelta no teu vestido branco e a grinalda , A Terceira que escolheste, sobre o cabelo negro como o Corvo. Abençoados que fomos pelo Senhor Santo Cristo dos Milagres de S.Miguel , esfusiantes de alegria, mais querendo esconder-nos no Faial da tua infância. E ali em frente, do outro lado do altivo Monte Brasil, a despontar da bruma, S. Jorge, irmã quase gémea deste Olimpo que nos acolheu.

Saudámos as pessoas, uma a uma em apoteose humilde e o mar em fundo, imenso, com salpicos de luz. No ar, o estalar dos foguetes em miríades de cor e sons estonteantes.

A terminar uma garraiada de touros à corda. Foi o delírio , meu amor e aí, nós fugimos.

E depois ,meu amor, quando à porta de nossa casa, te tomar nos meus braços, abrir a porta e deixar cair suavemente o teu corpo esbelto na cama que nos irá absorver e te beijar a sós, tu e eu.

E ver-te surgir resplandecente na suavidade da cor da camisa de noite que escolheste para a nossa noite, rosa leve, doce transparência a deixar antever as formas sensuais do teu corpo, meu corpo, como um só

O teu corpo, a pele macia, seda, veludo, e os meu lábios ferventes de tanta paixão, mas contendo-se, percorrendo, poro por poro, os pés delicados as pernas tão bonitas, o sexo rosado e húmido de tanta emoção, o aroma, o teu aroma que me excita, o umbigo, os seios já recuperados da tormenta, os mamilos, pequeninos, os braços, o teu pescoço e ouvir-te arfar, pequenos ais de volúpia, os lábios ansiosos a língua , e penetrar suavemente dentro de ti, e tu em mim, numa plenitude de vontades, aprofundando-nos, em busca dum prazer único e comum, a simbiose plena do amor.

Alberto levantou a cabeça e viu os olhos de Carla luzindo como estrelas, e um sorriso de esperança nos lábios róseos e entreabertos.

-Gostei tanto que não quis interromper, meu amor.

E os lábios uniram-se num prolongado beijo de plenitude absoluta.

sinto-me: comunicativo
música: Hino à Alegria
publicado por samueldabo às 23:44
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

AS NOVAS GERAÇÕES-UM EXEMPLO

No Correio da Manhã de Domingo, a noticia: Turma angaria dinheiro para ajudar professor.

É uma noticia que nos alerta para os valores que subsistem. E nos evidencia que nem tudo vai mal no reino da educação..

O professor disponibilizou a viatura para uma prova de aferição de conhecimentos no terreno.

Houve um acidente sem feridos, onde a viatura ficou muito danificada. Provavelmente o arranjo ficou de fora das coberturas de seguro contratadas.

Os alunos, jovens, disponibilizaram-se em angariar fundos para ajudar o professor e é emocionante a descrição dos meios, a criatividade, o empenho das famílias, da comunidade.

Um exemplo a ser divulgado por todos os meios. É possível congregar valores em torno da batalha pela educação. Afinal as novas gerações têm valores. Não são só cabeças ocas e insurrectas .

sinto-me: esperançado
música: bolero de Ravel
publicado por samueldabo às 13:05
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Sábado, 19 de Abril de 2008

PAIXÃO EM ANGRA DO HEROÍSMO . Cont.10

Voltara a chover. As viaturas de socorro puseram-se em marcha acelerada rumo ao hospital.

A policia colheu elementos do que restava do vestido de Carla. Era preciso manter o silêncio sobre o achado.

A audição de Santiago estava marcada para daí a dois dias.

Mariana chegara a Ponta Delgada, despreocupada, um tom arrogante no andar e olhando as pessoas com sobranceria. Pela sua mente, a imagem de Alberto. Fixar o rosto. Penetrar nele através dos olhos, sentir a dor pelo desaparecimento de Carla. Calcá-lo com um sorriso.

Mariana sentada na esplanada da Avenida no Centro Sol mar . A pôr ordem nas diligências . Relendo os termos da detenção. A sopesar os argumentos que pretendia infalíveis e amanhã mesmo, rebolar-se-ia com Santiago, na cama macia do hotel, a festejar mais uma vitória.

Alberto abriu os olhos e  procurou em redor, a tentar situar-se, lembrar o que acontecera, onde estava.

Olhou a cama vazia a seu lado, as paredes brancas, asseadas e um aroma a elementos desinfectantes, álcool .

Levantou-se, saiu do quarto, um agente de policia guardava a entrada.

-Estão sob protecção. Isto é, a senhora.

-E onde está?

-Levaram-na, julgo que para uma intervenção.

Alberto dirigiu-se a uma enfermeira que passava inquirindo-a sobre Carla. Ela foi informar-se e voltou com a informação que a Senhora estava em coma, ainda, que fizeram uma intervenção para resolver o traumatismo craniano .

Alberto saiu para a rua, um ar fresco matinal, o aroma das flores de mistura com o basáltico das rochas, das pedras de calçada. Passou pela policia para levantar o carro que queria entregar na rentacar .

Viu o vulto de Mariana num dos lados da rua, no passeio. Do outro lado, um homem de porte

atlético, uma barba rala, lábios finos e olhos pequenos, vivos , vigilantes. Era Santiago, pensou, tinha visto uma fotografia no jornal. Era ele. Mariana acenando-lhe para que viesse e ele a atravessar a rua por detrás de um carro que vinha descendente. A cheirar-lhe o cio.

O outro começa a atravessar a avenida e deixa cair algo que trazia na mão, abaixa-se rapidamente para apanhar o objecto. Alberto, os olhos  raiados de sangue fixos no personagem, acelera num impulso imparável, de todo irracional, para além de si próprio, como uma força superior contrária ás sua convicções de pacifista, de homem bom.

Fecha os olhos no momento do impacto, o estilhaçar do vidro da frente, e a imagem horrenda, surreal, de Santiago, a cabeça enfiada no pára-brisas em frente da sua própria cabeça. Os olhos dele, pequeninos como se tivessem dilatado. O sangue.

Mariana soltou um grito de pânico, e tapou os olhos, encolhendo-se. A multidão que se juntou, a policia.

Alberto saiu do carro combalido, teatralizando a surpresa, a casualidade do acidente. O tipo tinha parado a meio da travessia . E, para cumulo, saíra detrás dum carro que passava . Não tivera tempo de nada. Ficou sem reacção.

Olhou Mariana, que se recompusera, nos olhos. Sorrindo sem sorrir e dizendo no silêncio:

-vais ter que arranjar outro macho que te tire o cio.

Foi à policia declarar o acidente, entregou o carro na agência, a participação ao seguro. Livre.

Entrou na pastelaria e comeu uma Dona Amélia, tomou outro café, outra Dona Amélia. Já na rua, acendeu um cigarro e foi seguindo na direcção do Hospital.

 

 

Registed by: Samuel Dabó

sinto-me: comunicativo
música: O Pássaro de Fogo
publicado por samueldabo às 12:11
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Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

SER MÃE !!!...

Ser mãe. Sentir a vida crescer, o coração, os pés que se esticam, os braços que gesticulam hipotéticos desabafos. Guardar para si, porque não existem palavras que exprimam tamanha felicidade, o desenrolar de cada etapa seguida ao milímetro no écran das ecografias.

Suportar o incómodo do ventre que cresce e que interrompe a imagem harmoniosa da elegância. E continuar a gostar do seu corpo. Porque o seu corpo é casa, é abrigo, é amor.

Ser mãe e ter de conjugar a complexidade de interesses que se perfilam, de afectos.

O companheiro, ainda incrédulo, que não sente nada em si próprio, só a ideia ,e vaga, do  que aí vem, parecendo, por vezes cioso do lugar que, adivinha, está prestes a  perder.

A vida profissional que lhe exige o esforço épico de manter o êxito, para lá do todo que se enovela no interior de si.

Ser mãe e sorrir todos os dias, mesmo quando dói . ou enjoa  alimentos líquidos e aromas mal aceites. Mesmo quando está em desacordo com as palavras, os gestos, as atitudes. A sentir o orgulho, a magnitude, do momento e saber que é ela a essência, que é dela o alimento da vida que emerge, a responsabilidade de proteger , de educar, de acudir quando já não pode rectificar, por toda a vida, até ao fim.

Ser mãe!!!...

sinto-me: enlevado
música: Avé, Avé, Avé Maria.....
publicado por samueldabo às 09:25
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Terça-feira, 15 de Abril de 2008

A ILHA DA MADEIRA...O SR. JARDIM E NÓS

A Ilha da Madeira é linda. E não consigo dizer mais nada. Há semanas que guardo em rascunho as minhas impressões sobre aquela que foi a primeira Ilha que visitei. Que me deslumbrou. Mas as palavras não saem.

Sinto uma pressão intensa que me incita a dizer que não compreendo, como já no meu tempo de menino se dizia, da Madeira, que era a pérola do Atlântico. E não compreendo depois de ter visitado os Açores.

A dizer que tenho um estigma que se chama Alberto João Jardim, cravado na memória e me impede a progressão das palavras.

De um lado os prepotentes, arrogantes, ao estilo dos governantes, empresários (Sá), os taxistas. No hotel, paguei a conta com um cheque, porque não tinham multibanco ou visa, a um Sábado. Tendo o cheque sido descontado momentos depois. Que estranhas intimidades. A maior livraria do mundo, ou quase. Corredores e andares pejados de livros, em prateleiras, em mesas, em estendais de cordas e presos por alfinetes de roupa. É uma Fundação!...O Bispo do Funchal é parte. Um casal é parte. Os funcionários são parte. Mas, estes últimos recebem como mais valia a formação. Não há livraria no Funchal que não se tenha abastecido de mão de obra na Fundação livraria Esperança.

Nem tudo é negativo.

Num todo não existe o "tudo negativo". Nem no regime do Sr. Jardim, como nem no Regime do Sr. . Salazar. É preciso ver o saldo. Não em obra, Não em aparato. Mas na substância do Ser.

No outro, a multidão de assalariados, servidores apáticos, submissos, deixa andar, nada de politica, nem de cultura, humildes, assistindo ás tramóias dos amos e senhores, votando intimidados pela dinâmica da vozearia contra os Continentais, Colonialistas e opressores do bom povo da Madeira .

Seria mais fácil, se se tratasse de um outro país. Um povo oprimido pela virulência dum astuto ditador de fachada democrática. Mas a Madeira ainda faz parte do meu país. O povo da Madeira é solidariamente ressarcido pelo povo do Continente, ainda que pareça não o saber, para que tenha um rumo, uma vida sã e não tenha que andar à bolina dum nauta emplumado e sem classificação.

O povo da Madeira, pode contar com a solidariedade do povo do Continente, na hora em que tomar consciência do seu isolamento e quiser pôr fim ás diatribes do senhor Jardim.

Eu, enquanto membro do povo do Continente, tenho vergonha de ouvir sistematicamente as atoardas do Sr Jardim, contra o povo do Continente, contra os membros do povo da Madeira que se permitem discordar da sua faustosa politica de endividamento.

O Sr. Jardim é um funcionário público, como o Sr.Sócrates , O Sr. Cavaco Silva, ou a   Dona Rosa e o Sr. Edmundo da repartição de finanças. Porque estará ele sempre acima da lei, da natural e da institucional?

Sinto vergonha do povo da Madeira, porque o "diz-me com quem andas" fica-lhe mal. Tenho até, muita dificuldade em apresenta-lo  a quem quer que seja. E há tanta gente boa na Madeira. Tanta que podia ser um orgulho Nacional.

sinto-me: revoltado
música: pombas brancas - Max
publicado por samueldabo às 13:49
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