Quarta-feira, 5 de Março de 2008

OBAMA PRESIDENTE OU... TANTO FAZ

Há quem acredite que  a vitória, possível , de Obama nas presidenciais Norte Americanas, pode proporcionar ao mundo um novo fôlego rumo à paz , estabilidade e nova ordem nas relações entre os povos.

Mas acreditando eu, como acredito, que o verdadeiro poder não se encontra nas mãos de um qualquer presidente, ou governo, mas sim na figura abstracta da economia, comandada por pessoas sem rosto, globalizada, embora centrada num núcleo forte, geradora de conflitos e atritos com vista à sua alimentação desenfreada e insaciável, a vitória de quem quer que seja, apenas apazigua os nossos espíritos face à figura e à retórica que nos apresentará os novos factos.

 

sinto-me: embarretado
música: Rituais negros
tags:
publicado por samueldabo às 09:38
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

À MINHA NETA COM AMOR

Leonor,

ou Tita , para ti, para nós que te amamos e exultamos com o desabrochar da tua personalidade.

Tão linda, pequenina, frágil, encantadora nos gestos e nas palavras que começas a conjugar com autoridade.

És o futuro. És um mundo de fantasia na nossa realidade apodrecida

És o culminar de uma existência densamente percorrida. Um amor de menina, uma paixão eterna.

És a segunda mulher da minha vida e prometo amar-te como amei e amo a primeira.

 

do teu avô

sinto-me:
música: Vickie o Golfinho
publicado por samueldabo às 14:54
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

ESPIRITOS À SOLTA

O café pastelaria, tertúlia , onde navegávamos, metafísicos , na abordagem do conhecimento das coisas novas que, afinal, eram comuns noutras paragens, deixou de existir há muito.

Foi loja de moda, de artesanato e agora é nada. Vazio. Nem a memória das divagações literárias, as fífias juvenis a procurar afirmação de personalidade. Jogos do ser e do nada.

Ao cimo da rua que começa no largo da praça em direcção ao mar. Mar que já esteve mais longe, deixando aos prazeres um extenso areal de areia fina, as dunas salpicadas de cardos e chorões , a esconder, por vezes,  actos de natureza proibida. Só resta, num recôndito do cérebro , o avivar das emoções de quem resiste. E saltam nomes na memória: Pedro, Carlos, Lauri , João,  o Sr. . Farinha, patriarca, as raparigas, Tatiana, as Ginas de Regina e Virgínia Jeni , de Eugénia,

Onde estão?

O café a meio cêntimo, os nata sem correspondência monetária a um escudo e vinte centavos. As andanças a pé 

Os projectos megalómanos, literatura, artes plásticas, ciência. O futuro com a guerra ali tão próxima e a legião de mulheres de xailes negros sobre roupa negra, que subiam a rua, passavam junto à montra apressadas, canastras à cabeça a ver o peixe chegar, daí a instantes, alheadas das congeminações efabuladas de uma pretensa elite desassossegada.

 

Pedro, o chouriço roubado na pastelaria do largo, a garrafa de vinho comprada com a reunião dos trocos de cada um, o assalto à residência de Verão dos pais dele o churrasco em álcool , a amizade sem limites.

Foi piloto aviador. Achámo-nos na Aldeia Formosa, numa manhã quente de África e fez questão de me lançar numa experiência única. Voar.

Um avião de guerra, morte destruição, dor, num dos raros momentos ao serviço da paz.

Pedro brincou com o pequeno T6 no ar rarefeito, subindo a pique, rumo ao infinito e de repente, uma inversão, rodando sobre si próprio, a descida vertiginosa.

Na subida, era como se todas as entranhas quisessem soltar-se do meu corpo miúdo,ao contário da descida em que o cérebro parecia saltar a todo o momento. Náuseas .

Suicidou-se, poucos anos depois do regresso, com gás doméstico. Não com napalm.

Carlos, o poeta, engenheiro de sistemas, talvez o mais erudito da tertúlia , não terá resistido à pressão. De quê? Suicidou-se em condições misteriosas.

Jeni , a bela e encantadora Jeni . A medicina era a sua paixão. Salvar vidas. Aprender e dar tudo de novo. Minorar a dor, de preferência pediatria. Sonhadora, linda. Uma doença súbita e fatal. Um cancro galopante e imparável no sangue. Os sonhos desfeitos de encontro à interrogação que nos acode: Que andamos nós a fazer aqui? Que força é esta que nos impele a lutar, sem tréguas e a cair, desfalecidos, inertes, sem que o possamos impedir.

Regina, Tatiana, Lauri e os outros. Que é feito de vós.?

 

 

registed by: Samuel Dabó

 

sinto-me: contemplativo
música: cantos gregorianos
publicado por samueldabo às 09:39
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Domingo, 2 de Março de 2008

MEMÓRIAS DA GUERRA (G)

O cacimbo tomava conta da manhã ainda sem sol, quando o furriel das minas e armadilhas chamou Manuel António para que o acompanhasse numa missão delicada.

-Porquê eu? Sou pacifista e não há nada que mais abomine. Ver, participar, na montagem de ardis mortíferos.

-Escolhi-o porque você é mais responsável. Julga que gosto de o fazer? Como eu andava longe de pensar que iria ter de fazer uso da especialidade. Você dá-me mais segurança e, lamento, mas não pode recusar.

Partiram com uma escolta pequena para verificar o estado da armadilhas à volta do quartel e montar outras em locais diferentes. Segurança. Medo.

Na guerra aprende-se o sentido da morte. Até então, jovens, todos os dias são de alegres conquistas.

O furriel, delicadamente , sem tremer, retira a peça metálica do interior do bornal. Trata-a como se fora uma preciosidade, manuseia-a com uma lentidão exasperante. Manuel António queria ver-se livre deste momento sem tréguas.

Pensava em macacos imprevidentes ou crianças, mães, pais, como nós somos ou vamos ser. Alheios ao fio metálico, quase transparente, atravessado nos carreiros, confundidos com as folhas das arvores em fim de vida, espalhadas pelo chão trilhado há séculos.

O furriel olhou para Manuel António e fez-lhe um sinal com os olhos. Estamos quase.

Terminado o serviço regressaram em silêncio, acobardados  por não serem capazes de dizer não. Procurando encontrar motivos validados na consciência. Um desassossego permanente que, à chegada, iria ser desfeito em cerveja.

 

 

registed by: Samuel Dabó

sinto-me: calcanhar de aquiles
música: Marchas militares
publicado por samueldabo às 11:31
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Sábado, 1 de Março de 2008

A PRIMAVERA COM AMOR

Aqui onde estou, no terraço da casa sobre a falésia, vejo o mar azul e o rio, mansos de felicidade, gerando vidas e sistemas, e saúdo a Primavera que se desenha no sol resplandecente de vigor espraiando-se pelos seres que dele colhem a alegria de viver.

Na pequena praia que a baixa da maré deixa a descoberto, por algumas horas, brincam crianças inebriadas da liberdade súbita e livre de proibições absurdas. ~- Cuidado, não vás para aí!

Daqui vos exorto, a ti flor de Lotus embebida em tormentos recônditos de Inverno, e a quantos a vida amarga a existência.

Destapemos o manto diáfano da fantasia.

É a hora de expormos a nudez forte da verdade.

A Eça o que for de Eça.

Bem vinda a Primavera que aí vem.

sinto-me:
música: O Lago dos Cisnes
tags: ,
publicado por samueldabo às 14:53
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